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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

As Confissões de Schmidt, de Alexander Payne (2002)

A par do mafioso Costello, o excelente papel que interpretou em «The Departed - Entre Inimigos», de Martin Scorsese, Warren Schimdt foi uma das melhores criações de Jack Nicholson na primeira década deste século. Warren Schmidt é o protagonista de «As Confissões de Schmidt», o quarto filme de Alexander Payne, um realizador norte-americano com poucos mas bons filmes no currículo, onde se destaca ainda «Sideways». Depois de «Election», também bastante recomendável, foi com «As Confissões de Schmidt» que Payne cimentou a sua carreira que parece um pouco parada. Mas deverá voltar em breve, com um filme com estreia prevista para este ano e outro para 2012, se tudo correr como previsto.

Mas vamos ao que interessa e falar de Warren Schmidt, uma daquelas personagens que sozinhas fazem um filme inteiro. E quando são interpretadas por actores como Jack Nicholson, como só eles o sabem fazer (e foi este o caso), o resultado só pode ser bom. Warren Schmidt é um homem de 66 anos que acaba de se reformar, depois de uma vida inteira a trabalhar numa seguradora. Poucos dias depois da reforma e sem grandes planos para fazer, a sua esposa morre. Com uma filha prestes a casar, com um noivo que não é bem visto pelo futuro sogro, e com ainda menos planos, Schmidt faz-se à estrada e começa a questionar-se e a ver a vida sob outro prisma, ao mesmo tempo que troca correspondência com um órfão africano, que acaba por ser o seu confidente à distância.

O que poderia ser um filme lamechas, e tem tantas oportunidades para seguir por aí, acaba por ser um dos grandes filmes dos últimos anos. E continua a ser, num segundo visionamento. A personagem de Nicholson é sarcástica ao expoente máximo e isso nota-se na forma como reage aos outros. Mas as voltas que o destino dá em vez de o deitarem a baixo apenas servem de alento para ele rever a sua vida e olhar em frente. E aquele final não podia ser melhor para alguém que tem pouca esperança de que daí para a frente nada vai ser como dantes.

Jack Nicholson está simplesmente brilhante, num filme em que praticamente está presente em todas as cenas. Destaque ainda para duas boas secundárias: Hope Davis e Kathy Bates, esta última com direito a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz Secundária, apesar de pouco estar presente no filme. Alexander Payne consegue aqui uma excelente comédia dramática, com uma belíssima banda sonora, que iria abrir caminho e dar já um cheirinho para o seu filme seguinte: «Sideways».

Nota:5/5

Site oficial do filme

sábado, 16 de abril de 2011

Maus como as cobras: Joker

Joker / Jack Napier (Jack Nicholson), vilão de «Batman», de Tim Burton

Joker (Heath Ledger), vilão de «O Cavaleiro das Trevas», de Christopher Nolan

Qual o vosso preferido?

terça-feira, 12 de abril de 2011

Por falar na banda sonora da semana...


...a fabulosa sequência inicial de «The Departed - Entre Inimigos».

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Frase(s) que marcam um filme: Easy Rider. de Dennis Hopper (1969)

George Hanson (Jack Nicholson): I mean, it's real hard to be free when you are bought and sold in the marketplace.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Entre Inimigos, de Martin Scorcese (2006)

Há filmes que merecem uma segunda oportunidade. Da primeira vez que vi este «Entre Inimigos», de Martin Scorcese, um dos realizadores que mais admiro, fiquei um bocado chateado e odiei o filme. Até tive uma grande discussão com um amigo meu sobre o filme e quando o vi ganhar o Óscar, frente a «Cartas de Iwo Jima» (talvez o mais belo filme de guerra de sempre), ia-me dando uma coisinha má.

Tudo porque gostei bastante do original de Hong Kong que é a base desta obra, de seu nome «Infernal Affairs». E no primeiro visionamento de «Entre Inimigos» deixou-me embasbacado, pois é um universo completamente diferente e não queria acreditar no que tinha acabado de ver.

Até que hoje resolvi tirar a prova dos nove e rever o filme de Scorcese. E constatei que o meu amigo tinha razão, o problema era ter bem fresco o filme original. É que tirando a base da história, «Entre Inimigos» não tem quase nada a ver com o original.

De facto, rever o filme sem me lembrar do outro fez-me ver um grande filme. Não ao nível do Martin Scorcese dos velhos tempos, mas mesmo assim um grande filme. A história é simples: um jovem (Matt Damon) que cresceu na máfia irlandesa de Boston, liderada por um excelente Jack Nicholson, injustamente não nomeado para o Óscar de secundário nesse ano, é colocado na polícia como toupeira. Paralelamente um outro jovem polícia (Leonardo DiCaprio, entretanto tornado o menino bonito de Scorcese) acabado de sair da Academia recebe uma oferta para se infiltrar no grupo mafioso.

É um tema que não é novo para o realizador nova-iorquino, basta recordar o excelente «Tudo Bons Rapazes». E aqui a violência está uma vez mais bem retratada. Estamos perante criminosos que não olham a meios para atingir fins. E estes meios vão desde bater em donos de lojas a cortar mãos, a um nível do mais sádico possível. Aqui temos uma boa prestação de Nicholson, em mais um dos seus papéis de maníaco que ninguém gostaria de conhecer num dia menos bom.

Tirando a polémica do Óscar e sem comparar com «Infernal Affairs», este filme é uma grande obra na filmografia de Scorcese. Teve a sorte de contar com grandes actores (além dos já referidos, «Entre Inimigos» conta com nomes como Alec Baldwin, Martin Sheen, Vera Farmiga e Mark Wahlberg, que muito me surpreendeu e considero que tem sido um actor em crescendo nos últimos anos) e o argumento também está muito bem estruturado.

Porque a história vai para além da questão dos agentes infiltrados. Aborda também seus sentimentos e a evolução das personagens à medida que o filme avança. Ninguém escapa às leis e aos acasos da vida.

No que diz respeito à banda sonora, além da entrada de «Brown Sugar», dos Rolling Stones (banda que já faz parte da carreira de Scorcese, nos minutos iniciais, onde o líder da máfia conta a sua história e como chegou ao topo numa brilhante sequência, há também uma música que fica no ouvido (Shipping up to Boston - The Dropkick Murphys) por juntar um rock de certa forma musculado a música de cariz tradicional irlandesa.

Mas mesmo apesar deste segundo visionamento, continuo a preferir o original de Hong Kong, realizado pela dupla Wai-keung Lau Alan Mak em 2002 e que acabou por ser uma trilogia.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Furacão, de Monte Hellman (1965)

No meio dos seus devaneios pela série B, Monte Hellman também andou pelas planícies do Oeste selvagem. «O Furacão» é um dos westerns assinados pelo realizador de «Cockfighter», com argumento de Jack Nicholson, a mesma dupla por detrás do menos conseguido «Flight To Fury».

Neste filme a história resume-se à fuga de um trio de cowboys, chamemos-lhes assim pois não chegamos a perceber o que realmente são a não ser que querem chegar a uma cidade sem dar nas vistas. O problema surge quando se cruzam com uma quadrilha de assaltantes que se esconde dos vigilantes por causa dos seus crimes. Ou seja, uma vez mais, é a história de alguém que está no sitio errado à hora errada.

Com uma história simples, não se pode ir muito longe e a fuga do trio, que vai sendo reduzido até ao final, acaba por ser a única acção digna desse nome. Há cavalgadas e perseguições, duelos no meio das montanhas e um assalto logo a abrir. Na interpretação, uma vez mais destaque-se a presença de Jack Nicholson, aqui como um dos cowboys em fuga, que ao longo do filme se vai interrogando sobre o que fazer se escapar desta aventura. Não chegamos a saber, pois o filme acaba com este a cavalgar rumo ao infinito, deixando a narrativa em aberto.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Flight To Fury, de Monte Hellman (1964)

Ainda ontem me desfiz em elogios a Monte Hellman e hoje tive de engolir um sapo ao ver este «Flight To Fury». Com argumento de Jack Nicholson, que também é um dos actores principais, «Flight To Fury» é um série B passado nas Filipinas, onde se passa a acção. E quando digo série B, se calhar deveria optar pelo C ou mesmo D, mas fiquemos pelos cânones.

No fundo este é um filme em que todos andam à procura do mesmo e o mesmo são diamantes que foram entregues a uma das personagens, por sinal amiga da outra personagem principal, um jogador em maré de azar que está de passagem por Manila na altura errada e tem de fugir quando se vê a braços com uma mulher assassinada num quarto de hotel.

Com excepção da interpretação de Jack Nicholson, na altura com apenas 27 anos mas já dava mostras de um futuro promissor, pouco escapa deste «Flight To Fury». Os maus não têm pinta, apenas têm a mania que têm pinta, há um japonês que só morre depois de três tiros em cheio mas ainda com tempo de matar uns quantos guerrilheiros à catanada. Enfim, um bocado de chunga a mais.

E o argumento, apesar de ser assinado por um nome que muito me agrada, também não escapa. Há pormenores engraçados, mas não passam disso mesmo. Amanhã é dia de western da dupla Nicholson/Hellman. A ver o que sai dali.

Nota: 2/5

Site do filme no IMDB