sábado, 23 de outubro de 2010

Os Imortais, de António-Pedro Vasconcelos (2003)

António-Pedro Vasconcelos tem sido um dos realizadores portugueses que mais tem investido num cinema dito comercial e o que tem alcançado melhores resultados, do ponto de vista da qualidade. Em 2003 apresentou «Os Imortais», um filme passado nos anos 1980 sobre um grupo de antigos comandos que estiveram na Guerra Colonial e se juntam para fazer um assalto. Mas o plano corre mal quando um deles, Roberto Alua (Joaquim de Almeida), que tem de levar uma mulher ao encontro, se cruza com a misteriosa Madeleine (Emmanuelle Seigner) e resolve levá-la.

À medida que a história se desenrola ficamos a saber que esta francesa é casada com um 'empresário' com ligações perigosas ligadas a África, inclusive com um dos Imortais, assim se chama o grupo. Em paralelo o investigador da Polícia Judiciária Malarranha (Nicolau Breyner) prestes a reformar-se resolve investigar fora do horário de trabalho uma agressão levada a cabo por Roberto Alua e acaba por descobrir o plano do assalto.

«Os Imortais» é um retrato da geração que foi para a Guerra Colonial e a sua inadaptação ao regresso, pois como uma das personagens diz, na guerra têm liberdade e na sociedade não a conseguem alcançar. Não sendo um grande filme, é das melhores obras que tem surgido no panorama nacional nos últimos anos. Pena o final ser um pouco fraco demais, a cena em que a filha de Malarranha fala com o único Imortal que resta, bem podia ter ficado na sala de montagem.

Esse é um dos exemplos de um argumento que podia ser melhor, pois tem algumas falhas, mas as interpretações, com excepção talvez da de Emmanuelle Seigner que parece um pouco metida a martelo e não parece estar muito à vontade no papel, estão bem conseguidas e acabam por salvar a honra do convento. Mesmo o Roberto Alua de Joaquim de Almeida, actor que não é dos meus preferidos, está bem interpretado. Destaque ainda para Nicolau Breyner, que também tem um papel ao seu melhor estilo, e para uma surpresa. Trata-se da prestação de Rui Unas, mais conhecido pela sua carreira de apresentador de televisão, estreou-se neste filme em cinema e é uma estreia em grande, sem falhas, e quiçá o que melhor fica no retrato, sem desprimor pelo restante elenco.

Nota: 3/5

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

Bird - O Fim do Sonho, de Clint Eastwood (1988)

«Bird - O Fim do Sonho» não é só um grande filme sobre a vida de Charlie Parker, um dos mitos do jazz que teve uma vida trágica que terminou aos 34 anos. É também a longa que cimenta a carreira de Clint Eastwood como realizador, que a partir daí tem um currículo cheio de grandes obras, algo que não se podia dizer do período anterior, e o filme que dá a oportunidade a Forest Whitaker para provar que é um grande actor.

Um filme obrigatório para os fãs de Eastwood realizador e para os amantes do jazz, que acompanham em cerca de duas horas e meia a vida de um dos maiores saxofonistas do género que tocou ao lado de outros gigantes, com destaque para Dizzy Gillespie, cujo papel na vida de Charlie Parker fica bem patente em «Bird». A interpretação da genialidade do saxofonista, assim como os problemas com a droga e álcool que o perturbam está magistralmente interpretada por Whitaker, na altura da estreia um quase desconhecido, apesar das aparições em «Bom Dia Vietname», de Barry Levinson, «Platoon», de Oliver Stone, ou «A Cor do Dinheiro», de Martin Scorcese.

Na própria cinematografia de Eastwood «Bird» acaba por ser um filme de certa forma atípico. Surgem alguns aspectos oníricos, a história não é contada sequencialmente, mas em flashbacks, alguns derivados de sonhos, que não são comuns na sua obra. Talvez a opção por estes ambientes oníricos tenha algo a ver com a música de Charlie Parker, um pouco dada ao improviso.

E apesar de ser um confesso adepto de jazz, de já antes de 1988 ter realizado filmes com a música como campo de fundo («A Última Canção») e mesmo sendo autor de algumas das bandas sonoras dos seus filmes, Clint Eastwood só iria voltar a filmar um filme sobre música em 2003, quando participou no projecto para televisão «The Blues», onde assinou o documentário «Piano Blues». Com «Bird» deu-nos uma boa oportunidade para conhecermos um capítulo da história do jazz, que infelizmente não é dos mais felizes, tirando a excelente música do saxofonista.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 16 de outubro de 2010

Arrependimentos, de Cédric Kahn (2009)

O regresso de Mathieu (Yvan Attal) à sua terra natal para assistir aos últimos dias da mãe, que está hospitalizada, leva-o a recordar fantasmas passados. Depois de ver uma antiga namorada de infância (Valeria Bruni Tedeschi) que abandonou no passado, os dois voltam a relacionar-se.

E é sobre esta paixão avassaladora que incide o décimo filme de Cédric Kahn. O amor de Mathieu e Maya, que se reencontram muitos anos depois do último encontro, onde ela chegou duas horas atrasada e ele acabou por desaparecer sem deixar rasto. Apesar de ambos terem terminado tudo na altura, o certo é que a chama entre os dois não desapareceu, como se vê no primeiro encontro do par. A partir daí ambos entram numa espiral que não conseguem controlar, por muito que queiram, pois o amor não morreu.

Com uma boa interpretação por parte da dupla protagonista, falta a este «Arrependimentos» um argumento um pouco mais forte. A presença das personagens secundárias quase não se faz notar, mesmo tendo em conta que se trata de um filme muito centrado no par Mathieu e Maya. Faltava a Cédric Khan, que também é responsável pelo argumento, dar um pouco mais de espaço a outras personagens sobretudo à esposa de Mathieu e ao companheiro de Maya. A primeira reage de forma algo estranha em algumas situações, questionando pouco os actos de Mathieu. No caso do namorado de Maya, não se percebe como é que numa das cenas ele se lembra de tentar matar Mathieu com uma serra eléctrica, quando antes aparentava ter um comportamento mais pacífico.

Por outro lado a banda sonora, a cargo de Philip Glass, está muito boa, pois consegue criar o ambiente perfeito para a narrativa, sobretudo nas cenas de ligação em que as personagens vão de carro para os encontros.

Nota: 3/5

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Banda Sonora: The Strokes, You Only Live Once

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Em Cartaz: Semana 14/10/2010

O Pai das Minhas Filhas, de Mia Hansen-Love
Arrependimentos, de Cédric Kahn
A Cidade, de Ben Affleck
Shoot Me, de André Badalo
Universo Paralelo, de Christian Alvart
O Último Exorcismo, de Daniel Stamm

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

American Splendor, de Shari Springer Berman e Robert Pulcini (2003)

«American Splendor» é um daqueles filmes fantásticos que surgem do nada e são difíceis de classificar. Quando parece ser uma ficção sobre a vida de Harvey Pekar, um norte-americano que um belo dia se lembrou de contar o seu dia a dia numa banda desenhada underground, logo vemos o próprio Pekar a ser entrevistado pela dupla de realizadores Shari Springer Berman e Robert Pulcini, como se se tratasse de um documentário sobre a sua vida.

«American Splendor» é assim uma mistura dos dois géneros e é um excelente filme sobre uma pessoa singular, com gostos peculiares e uma vida tão banal como a de nós todos. A banalidade deste arquivista é que o levou precisamente a deixar algo ao resto do mundo: a banda desenhada sobre o quotidiano, o trabalho no hospital, a convivência com um cancro ou o relacionamento com os amigos e o amor. Paul Giamatti brilha num papel feito à sua medida e que lhe assenta como uma luva.

Em 2003 o filme foi uma das sensações do cinema independente e ainda hoje continua a ser uma obra peculiar que se vê muito bem. A mistura entre ficção e realidade, as imagens de cartoon e as imagens reais estão muito bem conseguidas e rever este «American Splendor» poucos meses depois da morte de Harvey Pekar, que faleceu no passado mês de Julho, é uma justa homenagem à sua vida cheia de incidentes tragicómicos, alguns dos quais são recuperados no filme. Um óptimo filme para ver nestes dias de chuva que começam a chegar.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

domingo, 10 de outubro de 2010

Uma Família Moderna, de Ferzan Ozpetek (2010)

A revolução está prestes a chegar à família Cantone. Tommaso (Riccardo Scamarcio), o filho mais novo que foi estudar para Roma, tem uma revelação para fazer no dia em que regressa a casa para assinar um contrato que lhe dará o controlo do negócio da família, uma fábrica de massas: é homossexual. O que podia dar um dramalhão sobre a forma como a homossexualidade ainda é vista no seio de meios conservadores (não só a família, mas também a cidade onde decorre a acção é uma localidade pequena onde tudo se sabe) acaba por se tornar uma comédia quando o irmão mais velho de Tommaso, Antonio (Alessandro Preziosi), se antecipa e resolve ser ele a sair do armário.

Um autêntico terramoto cai sobre toda a gente. O patriarca expulsa o filho mais velho, que seria o herdeiro natural na fábrica, e tem um enfarte e Tommaso não sabe o que fazer, pois acaba por não conseguir revelar ao pai que também é gay com medo que algo de pior lhe aconteça e fica a controlar a empresa com a ajuda da bela Alba (Nicole Grimaudo). Esta, não sabendo das preferências de Tommaso também acaba por se apaixonar por ele.

«Uma Família Moderna» é uma boa comédia vinda de Itália, a espaços fazendo lembrar as clássicas comédias italianas que deixaram saudades em quem gosta de dar umas boas gargalhadas com equívocos. Um dos bons exemplos é a chegada à pequena cidade dos amigos gays de Tommaso, onde também se encontra o seu namorado, e toda a gente pensa que são heterossexuais. E eles bem se esforçam por parecê-lo, mas acabam sempre por se descair. O pai Vincenzo (Ennio Fantastichini), que não acredita que o filho o tenha enganado e continua o filme todo a pensar que Tommaso também gosta de mulheres como ele, é outro dos papéis que ficam deste filme.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

sábado, 9 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Caça-Fantasmas regressam em 2012?

Quem não se lembra dos caça-fantasmas? Nos anos 1980 foram das personagens mais populares do cinema, com uma das bandas sonoras que ficou no ouvido de todos os fãs, e podem estar de regresso às salas de cinema em 2012, de acordo com as previsões da Sony. Para já Dan Aykroyd, um dos actores que participou nos dois filmes, veio admitir à Variety que vai ser um dos responsáveis pelo argumento de um terceiro filme da saga, com a ajuda de Harold Ramis, outro dos protagonistas. O actor não divulgou muitos pormenores sobre o enredo, mas adiantou que vai girar à volta da sucessão dos Caça-Fantasmas, ou seja, espera-se o aparecimento de uma nova geração de caçadores de fantasmas nas ruas de Nova Iorque.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Embargo, de António Ferreira (2010)

Oito anos depois de «Esquece Tudo o que te Disse» António Ferreira regressou às longas metragens com «Embargo». Baseado num conto de José Saramago, o filme segue as desventuras de Nuno (Filipe Costa), o inventor de um digitalizador de pés com o qual acredita irá revolucionar a indústria do calçado e fazer fortuna. Mas um embargo petrolífero e vários azares pelo caminho acabam por deitar por terra as suas ambições e tudo à sua volta se começa a desmoronar, incluindo o emprego numa roulotte de bifanas e a compaixão da família, que começa a ficar farto das suas utopias.

«Embargo» já foi comparado ao universo dos irmãos Coen e a espaços consegue sê-lo, sobretudo no que diz respeito à má sorte que persegue Nuno, a quem tudo parece acontecer, e às grandes personagens secundárias que vão surgindo a espaços, como o maneta que ninguém reparou que é maneta. Mas faltava um pouco mais de espessura ao argumento de Tiago Sousa, para fazer de «Embargo» um dos melhores filmes portugueses deste ano.

Mas também quase pode ser comparado a um western alternativo à portuguesa, sem índios nem cowboys. Não só por alguns cenários que quase se assemelham a paisagens desérticas, neste aspecto a fotografia do filme dá uma boa ajuda a criar esta imagem, como a própria banda sonora se assemelha a algumas músicas que nos remetem para aquele imaginário. Sem ser um filme tão bom como o anterior «Esquece Tudo o que te Disse», o novo filme de António Ferreira prova que é um dos realizadores mais originais que tem aparecido por cá. Só faltou um bocadinho 'assim' para ser um filme melhor.

Nota: 3/5

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Em Cartaz: Semana 07/10/2010

Vai Com o Vento, de Ivo M. Ferreira
O Estrangeiro, de Ivo M. Ferreira
A Lenda dos Guardiões, de Zack Snyder
MacGruber - Licença Para Estragar, de Jorma Taccone
Uma Família Moderna, de Ferzan Ozpetek
[Rec] 2, de Jaume Balagueró e Paco Plaza
Sempre Que Te Vejo, de Burr Steers
Só Eles!, de Scott Hicks

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (1950)

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, filmes como «Crepúsculo dos Deuses» são indescritíveis e são quase obrigatórios para quem gosta de Cinema com C maiúsculo. Realizado por Billy Wilder em 1950 é uma das obras de arte do cinema norte-americano que se debruçam sobre a própria história de Hollywood, nomeadamente abordando os efeitos da transição do período mudo para o sonoro.

O papel principal cabe inteiramente a Gloria Swanson que interpreta Norma Desmond, uma antiga estrela de filmes mudos que prepara o seu regresso, com a ajuda de um jovem argumentista (William Holden) a braços com várias dívidas. E é precisamente Joe Gillis que narra o filme, apresentando um mundo que antes foi feito de sucesso e agora apenas vive do passado. É um retrato brutal da fama e dos efeitos que provoca em quem deixa de estar no topo do mundo. Até outras estrelas do mudo aparecem por breves instantes, num jogo de bridge. E estamos a falar de grandes nomes do cinema, como Buster Keaton ou Hedda Hopper, que são tratadas como figuras de cera pelo jovem argumentista, o que prova a imagem que este mundo em decadência acabou por ter depois do enorme sucesso alcançado no arranque do cinema.

Gloria Swanson tem uma interpretação excelente, ao retratar a louca vedeta em que Norma se tornou. Não conhecendo a verdadeira história da actriz, quase se poderia dizer que estava a interpretar-se a si própria. A última cena, quando desce as escadas em frente às câmaras que pensa serem do seu filme é um dos melhores e mais fortes momentos do filme. No campo da interpretação destaque ainda para um outro papel, o do mordomo Max, que mais não é do que Erich von Stroheim, um dos maiores realizadores do cinema mudo e em simultâneo um actor que participou em mais de 70 filmes. «Crepúsculo dos Deuses» é um grande filme, de um grande realizador.

Nota: 5/5

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Tony Gilroy realiza próximo Bourne

O próximo capítulo da saga de Jason Bourne, o quarto da série, vai ser realizado por Tony Gilroy. O autor dos três primeiros argumentos do franchise e realizador de «Michael Clayton» substitui Paul Greengrass, que se afastou de «The Bourne Legacy», o nome da nova aventura, no início do ano. Este afastamento inesperado de Greengrass chegou mesmo a colocar o projecto em causa, pois na altura o protagonista Matt Damon chegou a afirmar à revista Empire que não sabia se ia entrar no filme sem a presença daquele realizador.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Beach Boys inspiram musical

De vez em quando surgem novos projectos de musicais baseados na música de grandes bandas. Os mais recentes foram que alcançaram algum sucesso foram «Mamma Mia», com música dos Abba, ou «Across The Universe», com canções dos Beatles. Um dos próximos vai ser dedicado aos Beach Boys, a banda norte-americana dos anos 1960 que alavancou o chamado surf rock, com êxitos como «Barbara Ann», «Help Me Rhonda» ou «Surfin' USA». O filme vai ser produzido pela Fox 2000 e tal como nos exemplos anteriores, a música será pretexto para ligar a acção do argumento. Na produção vão também estar John Samos, Craig Zadan e Neil Meron, que já produziram uma série de TV sobre a carreira dos Beach Boys. Caso se estreie em 2011, o filme coincidirá com os 50 anos da banda. Para os fãs da banda, aí fica uma recordação: «Wouldn't It Be Nice».

domingo, 3 de outubro de 2010

The Majestic, de Frank Darabont (2001)

«The Majestic» é daqueles filmes que ajudam a provar que Jim Carrey é um grande actor em papéis dramáticos. A terceira obra de Frank Darabont, que se estreou com o magnífico «Os Condenados de Shawshank» em 1994, relata um período negro da história dos EUA que acabou por afectar Hollywood: a perseguição aos comunistas liderada pelo senador McCarthy, episódio que ficou conhecido como a caça às bruxas.

A acção de «The Majestic» tem lugar em 1951 e centra-se em Peter Appleton (Jim Carrey), um argumentista novato à procura do sonho dourado que se vê envolvido na conspiração. Mas no dia em que descobre, quando tinha em marcha um novo projecto, e depois de uma noite de copos o argumentista tem um acidente de automóvel que lhe causa amnésia. Quando acorda está numa pequena cidade, que perdeu dezenas de jovens na II Guerra Mundial, onde é confundido com um deles. O regresso quase milagroso faz com que Peter seja recebido e acolhido de braços abertos pela comunidade.

Além de ser um filme que dramatiza um episódio histórico que deixou sequelas e acabou mesmo por destruir carreiras em Hollywood, «The Majestic» é uma bela homenagem ao Cinema. A começar pelo título do filme, que é o nome da sala de cinema da cidade que acolhe o argumentista perdido, e passando pela reconstituição das salas míticas de Los Angeles e dos próprios cartazes de alguns clássicos que por lá se encontram. E é delicioso o segmento do filme de acção que é o primeiro argumento de Peter Appleton, com o sugestivo título de «Sand Pirates of the Sahara». Este segmento é em si uma homenagem dentro da homenagem: conta com a participação de Bruce Campbel, actor conhecido por ter entrado na série Evil Dead de Sam Raimi, e tem uma peça utilizada em «Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida».

E os pormenores podiam continuar, pois as referências são mais que muitas. Um bom filme a descobrir, cujo único problema é estar excessivamente centrado na personagem de Jim Carrey, não deixando grande espaço ao restante elenco.

Nota: 4/5

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Lola, de Brillante Mendoza (2009)

Não é muito comum ver um filme das Filipinas chegar ao circuito comercial, daí causar alguma estranheza ver «Lola», de Brillante Mendoza, no grande ecrã. Tal como várias cinematografias asiáticas, não se trata de um filme fácil de apreender para quem não conhece a cultura local. Em «Lola» ficamos a conhecer a história de duas idosas cujo destino se cruza por uma tragédia. Uma é avó de um homem que foi esfaqueado durante o assalto e a outra é avó do autor do crime.

Filmado sempre com a câmara na mão, Brillante Mendoza leva-nos a percorrer as ruas de Manila com estas duas anciãs para cumprirem a sua, se assim se pode chamar, 'missão'. No caso da avó do falecido, vemo-la a tratar dos procedimentos do funeral, enquanto a outra idosa passa os dias a tratar da família e a visitar o seu neto na prisão. Em comum às duas histórias está o facto de ambas precisarem dinheiro, no segundo caso para arranjar um advogado ou chegar a acordo com a avó da vítima, para que o processo não avance em tribunal.

Sem recorrer a imagens muito fortes, o realizador de «Lola» acaba por aproveitar este drama para fazer também um retrato de uma sociedade, em grande parte empobrecida, de uma forma poética, algo que é comum ver em filmes desta região geográfica. Não ficamos fascinados com estas imagens, como numa das cenas em que dois realizadores que estão num comboio falam de belos planos sobre a miséria que os rodeia, mas entramos naquele cenário e acompanhamos o percurso das duas idosas, num mundo onde têm de sobreviver, custe o que custar.

Nota: 4/5

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sábado, 2 de outubro de 2010

Banda Sonora: U2, Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me

O Último Vampiro, de Michael e Peter Spierig (2009)

Antes de passar a noite no Motel X tive oportunidade de ver outro filme de terror, mas com uma pitada de ficção científica: «O Último Vampiro», uma das estreias desta semana, realizada e escrita pelos irmãos Spierig. Ao contrário de «F» este não tem nada a ver com os dias de hoje ou com realismo, pois o argumento tem lugar num futuro próximo (2019) onde os vampiros representam a maioria da população mundial e a procura por sangue humano, ou um substituto, é a missão de Edward Dalton (Ethan Hawke), um cientista que trabalha para uma grande empresa dominada por Charles Bromley (Sam Neill).

A missão ganha carácter urgente quando o stock de sangue começa a esgotar-se e os vampiros se começam a tornar canibais, o que resulta em mutações e consequente morte. O que podia ser um bom filme de acção em torno do filão do momento, os vampiros, com pelo menos três bons actores (além de Hawke e Neill, o elenco conta com William Defoe no papel de um vampiro que consegue voltar a ser humano e com uma paixão por grandes carros) perde-se um pouco precisamente pois não se consegue decidir se é um filme de acção ou um filme de terror ou ainda um filme de ficção científica. Podia até servir para, comparando com a possível escassez de petróleo nos próximos tempos ou a excessiva dependência do ouro negro por parte da Humanidade, servir de alerta. Mas nem isso consegue. Acho que nem quem gosta de filmes de vampiros (e esta semana estreou outro, mais a brincar) irá gostar de «O Último Vampiro».

Com tantos filmes bons que vão directos para o vídeo, e «F» (ver crítica anterior) se calhar nem sequer vai ter direito a isso, a continua a fazer-me confusão como é que alguns filmes chegam às salas.

Nota: 2/5

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F, de Johannes Roberts (2010)

Não sou grande habitué do Motel X, até porque os filmes de terror não são o meu género favorito, salvo algumas excepções. Mas geralmente todos os anos tento ir a uma sessão deste festival de cinema. Desta vez calhou ir ver «F», do britânico Johannes Roberts, e tive a possibilidade de assistir a um grande filme.

«F» é a história de um professor que é agredido por um aluno em plena aula, depois de lhe ter dado uma má nota e ter feito um comentário trocista sobre o teste. Alguns meses depois e um processo em tribunal perdido, porque os pais consideraram que o professor é que foi responsável pela agressão, o professor Robert Anderson (David Schofield) está a atravessar um mau momento: afastou-se família, os colegas de escola não o ajudaram muito a recuperar e está agarrado à garrafa de whisky.

Numa noite em que toda a gente se lembrou de ficar na escola, um gangue de encapuçados, cuja identidade nunca chegamos a conhecer, entra na escola e vai eliminando todos um a um. Neste ponto o professor só quer procurar a filha, que também estava dentro do estabelecimento porque o pai a tinha colocado de castigo.

Em linhas gerais, é disto que trata «F» e o resultado é muito bom. Johannes Roberts consegue a espaços lembrar alguns filmes de John Carpenter, o próprio realizador assumiu, num vídeo de apresentação que passou antes da projecção, que a obra do mestre foi uma inspiração, nomeadamente o saudoso «Assalto à 13ª Esquadra». Recorrendo pouco a imagens demasiado violentas, com excepção de um ou outro caso mais exagerado, «F» causa algum desconforto e prega-nos vários sustos. Não só porque estamos perante um filme bastante realista, como os atacantes se mexem nas sombras e nunca chegamos a saber quem são ou o que os move. E Johannes Roberts marca pontos ao deixar esse ponto no ar. Se todos os filmes de terror fossem assim, tinham ganho mais um fã.

Nota: 4/5

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