quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um ano a projectar

Faz hoje um ano que me iniciei nesta aventura chamada «A Última Sessão». Ao longo destes 12 meses andei um bocado a apalpar terreno, pois ter tempo para alimentar um blogue não é fácil e dou os parabéns a todos os bloggers que o conseguem fazer com regularidade. Não foram 12 meses seguidos, como inicialmente previsto, pois durante cerca de cinco meses estive afastado. Mas a minha paixão pela escrita e pelo Cinema levou-me a continuar a manter este espaço que também é vosso, de quem por aqui passa.

É também por vocês que aqui estou e é isso que me dá alento para continuar. Esta semana, curiosamente quando faço um ano na blogosfera, recebi uma nomeação para Melhor Novo Blogue de Cinema/TV 2010 dos TCN Blog Awards. É mais uma razão para não deixar cair este projecto. Para os próximos tempos vou tentar abrir um bocado mais «A Última Sessão» aos seus leitores. Podem fazer sugestões ou apresentar ideias do que gostariam de ver aqui. O meu objectivo é tornar o blogue mais interactivo com os seus leitores, e não ter apenas criticas, mas outros conteúdos. Espero poder contar convosco.

A primeira iniciativa vai estar relacionada com a secção «Banda Sonora». A partir da próxima semana quem quiser pode sugerir a banda sonora da semana e ficará lá, com a menção de quem a propôs. Pode ser ou não relacionada com cinema. Quem também quiser pode acrescentar um texto com a razão pela qual escolheu aquela música, que será incluído no respectivo post. As sugestões podem ser enviadas para o endereço oprojeccionista@gmail.com. Para breve conto ainda abrir uma conta do blogue no Facebook, onde espero que sirva de plataforma para levar «A Última Sessão» a mais gente.

E para não tornar este post demasiado longo, resta-me agradecer a todos os que por aqui passaram nos últimos 12 meses, comentaram e deram forças para continuar. Um muito obrigado a todos e continuem a assistir a estas projecções.

Cumprimentos,

O Projeccionista

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dave - Presidente Por Um Dia, de Ivan Reitman (1993)

Nos últimos anos Jason Reitman tem-se imposto como um dos melhores realizadores da nova fornada de Hollywood. Mas já antes o seu pai, Ivan Reitman, tinha dado cartas, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, período durante o qual foi responsável por um conjunto de comédias que alcançaram algum sucesso.

Em 1993 realiza «Dave - Presidente Por Um Dia», com Kevin Kline e Sigourney Weaver. Neste filme singular sobre os meandros da política norte-americana, Kevin Kline interpreta duas personagens, o presidente dos EUA Bill Mitchell e um sósia do Chefe de Estado David Kovic. Mas é a personagem de Dave que está no centro do filme, como se nota logo no próprio título. Dave é o dono de uma empresa de trabalho temporário que devido às suas semelhanças com o presidente dos EUA é chamado a substituí-lo durante uma noite, para que o inquilino da Casa Branca tenha uma noite de sexo com a sua secretária (a então ainda desconhecida Laura Linney). Só que esta noite acaba mal e Bill Mitchell acaba por ter um enfarte. Dave é uma vez mais chamado, desta vez para tomar o lugar do presidente durante mais algum tempo, até à sua recuperação.

Se até aqui já tínhamos visto um cheirinho de como se faz política, com as falsas aparências do Chefe de Estado norte-americano, a chegada de Dave à Casa Branca os bastidores do cargo acaba por ser um excelente exercício sobre o tema, o que resulta do argumento de Gary Ross, que lhe valeu uma nomeação para Óscar de Melhor Argumento Original nesse ano. Dave não é a marioneta que o seu conselheiro (Frank Langella, que tem aqui uma boa prestação) quer que seja e acaba por mudar as regras do jogo, revelando os podres da política. E a sua experiência naqueles dias acaba por ser fundamental para o desfecho do filme, que não vou aqui revelar.

Não sendo um exemplo típico das comédias de Ivan Reitman, «Dave - Presidente Por Um Dia», que foi realizado entre «Um Polícia no Jardim-Escola» e «Júnior», é um filme sério com alguns tons cómicos, que nos faz pensar um pouco mais na questão da liderança nos dias de hoje. É óbvio que uma pessoa como Dave e as suas ideias nunca chegaria à Casa Branca, pois haveria sempre alguém para lhe cortar as pernas, como acontece no filme. Mas talvez fosse uma alternativa bem melhor do que Bill Mitchell, que pode ser confundido por muitos governantes que por aí andam.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Não Se Fala Noutra Coisa, de John Ford (1935)

John Ford é mais conhecido pelos seus westerns, mas a carreira daquele que é um dos maiores realizadores dos EUA, composta por 146 filmes segundo o IMDB (quem viu o muito recomendável documentário «Directed By», de Peter Bogdanovich, sabe como Ford filmou dezenas de filmes no período mudo), passou por outros géneros. Inclusive comédias, como é o caso de «Não Se Fala Noutra Coisa», que consiste numa paródia (género que afinal não é moda dos dias de hoje) aos filmes de gangsters.

Arthur Ferguson Jones (Edward G. Robinson) é um simples empregado de escritório cumpridor, que chega sempre a horas ao emprego. Até que um dia se atrasa, logo no dia em que o patrão tinha decidido aumentar o seu único funcionário que nunca se tinha atrasado e despedir o primeiro que chegasse fora de horas. Azar dos azares, é precisamente Arthur o feliz contemplado com as duas e o seu chefe não sabe o que fazer. Mais tarde é confundido com 'Killer' Mannion (Edward G. Robinson), um bandido que tinha fugido da prisão. A partir daqui é sempre a descer e não há equivoco que não aconteça a Arthur.

Num estilo muito diferente do que normalmente associamos à cinematografia de John Ford, esta não é contudo uma obra menor na sua carreira. Antes pelo contrário, safa-se bastante bem e consegue arrancar umas boas gargalhadas com os azares de Arthur, que tão depressa escapa de boa, como já está metida noutra desventura. Edward G. Robinson tem uma interpretação excelente, ao protagonizar os dois papéis, e está bem secundado com diversas personagens que dão respostas no momento certo. Desde o delator que está sempre à procura do sítio onde pode levantar a recompensa ao chefe de Arthur que está constantemente a relembrar-lhe que tem trabalho pendente. «Não Se Fala Noutra Coisa» é uma boa oportunidade para ver uma obra de John Ford diferente do habitual.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ondine, de Neil Jordan (2009)

(Crítica com spoilers)

Há filmes que nos levam para territórios do fantástico e «Ondine», a mais recente longa metragem de Neil Jordan a chegar às salas portuguesas, é um deles. Apesar de não ser bem um filme fantástico, como nos apercebemos com o desenrolar do filme. Com uma belíssima fotografia em tons esverdeados, quase parece que estamos na ilha esmeralda que é a Irlanda, «Ondine» é a história de um pescador ex-alcoólico, Syracuse (Colin Farrell), que numa das suas noites no mar apanha uma rapariga (Alicja Bachleda) nas redes de pesca.

A estranha rapariga é então confundida por uma criatura da mitologia britânica, as mulheres foca Selkies, e para a filha de Syracuse tudo leva a crer que Ondine é mesmo uma dessas criaturas que veio ajudar o pai. Esta personagem da criança (Alison Barry) faz deste «Ondine» um belo filme infantil, apesar de alguns dos temas abordados não o serem tão acessíveis para os mais novos.

Neil Jordan consegue assinar uma obra simples e simpática, que na minha opinião apenas falha na última parte, quando o final do filme avança demasiado rápido e tudo acaba por se precipitar um pouco. Mas vale a pena ver o regresso do realizador ao fantástico mais puro, algo que já quase não se via desde «A Companhia dos Lobos», em 1984, ou «Entrevista com o Vampiro», de 1994. E Colin Farrell parece estar em estado de graça, depois de umas escolhas menos felizes, desde «Em Brugges» que o actor tem vindo a alcançar boas interpretações. Syracuse é mais uma.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Cidade, de Ben Affleck (2010)

Ben Affleck é talvez dos maiores canastrões do cinema actual. Mas a sua passagem para trás das câmaras em «Vista Pela Última Vez...» em 2007 deu-nos uma outra faceta do actor, que já tinha dado cartas na escrita de argumentos logo na estreia com «O Bom Rebelde» de Gus van Sant, com a ajuda de Matt Damon. Desta vez com «A Cidade» Ben Affleck resolveu realizar e interpretar a personagem principal. E é este segundo pequeno pormenor que acaba por ser um dos pontos negativos do filme.

Passado em Boston, tal como «Vista Pela Última Vez...», este filme conta a história de Douglas MacRay, o 'arquitecto' de um gangue de assaltantes de bancos e carrinhas de valores que quer mudar de vida, depois de um dos assaltos não correr de acordo com o planeado. Tudo estava a correr bem até o grupo se lembrar de fazer uma refém (Rebecca Hall), por quem Douglas acaba por se apaixonar quando não devia. Esta paixão é mais uma razão para Douglas deixar a 'má vida' mas tudo se complica porque ninguém do seu grupo o quer ajudar, a não ser se for para participar em mais um assalto. Ao mesmo tempo o gangue tem um agente do FBI (Jon Hamm) à perna que não lhes dá tréguas.

Bem filmado, sobretudo nas cenas dos assaltos e nas perseguições de automóveis (atrevo-me a dizer que há algum tempo que não via tão boas perseguições no cinema), «A Cidade» acaba por perder muito por ter Ben Affleck no papel principal, pois o actor quase não muda de registo. O mesmo sucede com Jon Hamm que não parece ter sido a escolha mais acertada para o agente do FBI. Salvam-se Rebecca Hall e Jeremy Renner, que interpreta o melhor amigo de Douglas e seu parceiro nos assaltos, James Coughlin. Esperemos que da próxima vez que Affleck se decida a realizar, opte por apenas ficar atrás das câmaras, pois já deu provas de que poderá vir a ser um bom realizador.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

A Última Sessão nomeado para Melhor Novo Blogue nos TCN Blog Awards 2010

Foi com surpresa que descobri que «A Última Sessão» está nomeado para os TCN Blog Awards 2010 na categoria Melhor Novo Blogue de Cinema/TV 2010. A iniciativa é promovida pelo blogue Cinema Notebook, de Miguel Reis (editor da revista Take Cinema Magazine), desde de 2006 e este ano sofreu algumas novidades, nomeadamente uma parceria com a própria Take. Mais pormenores sobre os prémios neste link. Vale a pena passar por lá, nem que seja para conhecerem novos blogues sobre cinema.

Para mim foi uma excelente notícia, mesmo não acreditando que ganharei, pois a nomeação surge na semana em que este blogue está prestes a celebrar o seu primeiro aniversário (4 de Novembro). Agradeço a todos os que por aqui passam, pois este cantinho também é vosso.

domingo, 31 de outubro de 2010

O Matador, de Richard Shepard (2005)

Há filmes que vemos sem grandes expectativas e acabam por ser boas surpresas. «O Matador» é um desses casos. Não sendo um grande filme, antes uma obra razoável, nada de especial mas que conta com uma boa prestação de Pierce Brosnan, a qual lhe valeu uma nomeação para os Globos de Ouro. Realizado em 2005, dois anos depois de deixar de ser James Bond e ainda na ressaca do espião mais conhecido de Sua Majestade, o actor irlandês interpreta Julian Noble, um assassino por contrato longe dos seus melhores dias e que começa a falhar as suas missões.

Nessa altura, quando está no bar a afogar as mágoas, cruza-se na Cidade do México com um empresário azarado (Greg Kinnear) que está na capital mexicana para fechar um negócio que irá mudar a sua carreira para melhor. É esta dupla que toma conta do filme, apesar de «O Matador» se centrar sobretudo na personagem de Pierce Brosnan. Como referi antes, não é um grande filme, mas a interpretação de Brosnan está muito boa e acaba por valer a pena a hora e meia de duração do filme.

Realizado por Richard Shepard, que tem uma carreira de certa forma irregular iniciada em 1990, mas que passou na maior parte pelo circuito de vídeo ou por séries de televisão. «O Matador» talvez seja mesmo a sua obra mais conhecida. Destaque ainda para uma montagem bem feita, sem grandes sobressaltos, o que poderia acontecer dado a 'profissão' de Julian Noble. Mesmo nas suas constantes viagens, o realizador optou por um método bastante eficaz de apresentar o essencial sem se perder em pormenores desnecessário.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

Banda Sonora: The Who, My Generation

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Formiga Z, de Eric Darnell e Tim Johnson (1998)

Com «Formiga Z» a Dreamworks estreou-se em 1998 no campo da animação. E a estreia fica marcada pela presença de um enorme elenco de nomes conhecidos para dar voz às personagens. De Woody Allen na neurótica formiga Z, a personagem principal, a Sylvester Stallone (o melhor amigo de Z, Weaver), passando por Gene Hackman (General Mandible), Anne Banncroft (Queen), Danny Glover (Barbatus), Sharon Stone (Princess Bala) ou Christopher Walken (Colonel Cutter).

Z é a formiga protagonista do filme. Pertencente à classe operária, Z apaixona-se pela Princesa Bala quando esta foge da sua vida de realeza para se divertir num bar. Este encontro de uma noite só acaba por levar a formiga Z a fazer tudo por tudo para voltar a ver a sua paixão. E para tal pede ajuda ao seu amigo Weaver, uma formiga soldado, para trocar de posto por um dia para poder rever Bala. Só que precisamente nesse dia em que Z entra para o exército, o vilão General Mandible resolve partir para a guerra contra as térmitas. Nessa batalha Z acaba por ser a única formiga que sobrevive e começam os equívocos que acabam por levar a um rapto forçado e a uma revolução no mundo da colónia.

«Formiga Z» é mais um exemplo do filme de animação para crianças que tenta piscar o olho a um público mais adulto. De início até consegue, pois a escolha de Woody Allen para dar voz à formiga protagonista com os seus dilemas existenciais, que às tantas parecem mesmo tirados de um filme do nova-iorquino, assenta bem. Mas aos poucos o argumento perde um pouco a chama e acaba por se tornar um pouco confuso e em algumas partes parece que alguém tirou algumas cenas que dariam alguma coerência à história. E a revolução das formigas é demasiado instantânea, se assim se pode dizer, para convencer.

O resultado é um filme fraco, que poderia ter aproveitado melhor o elenco e as vozes que reuniu para arranjar um argumento mais forte. A própria animação digital ainda não estava muito desenvolvida, mas se nos lembrarmos que dois anos antes, em 1996, a Pixar já tinha feito maravilhas com o primeiro «Toy Story», esta espécie de resposta por parte da Dreamworks tinha 'obrigação' de tentar fazer melhor.

Nota: 2/5

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Em Cartaz: Semana 28/10/2010

O Último Verão da Boyita, de Julia Solomonoff
Ondine, de Neil Jordan
Actividade Paranormal 2, de Tod Williams
É a Vida, de Greg Berlanti
Quero Ser uma Estrela, de José Carlos de Oliveira
The Big 4, de Nick Wickham

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

«Thiller» de Michael Jackson chega ao grande ecrã

Por estes dias soube-se que Michael Jackson é a celebridade morta que mais dinheiro faz. Talvez por isso não seja de estranhar uma notícia publicada pelo site Deadline que refere que está prestes a ser produzido um filme baseado no vídeo de «Thriller», filmado nos anos 1980 para o Rei da Pop por John Landis e que continua a ser um marco na área dos videoclips.

Na cadeira de realizador estará Kenny Ortega, que foi o responsável por «This Is It», o documentário com imagens dos ensaios daqueles que seriam os últimos concertos de Michael Jackson. O argumento, que vai centrar-se na personagem que no videoclip era interpretada por Vincent Price, vai ficar a cargo de Jeremy Garelick («A Ressaca»).



Abbas Kiarostami no Estoril

O realizador iraniano Abbas Kiarostami vai estar no Estoril Film Festival, tornando-se o mais recente nome anunciado para o festival que se realiza entre os dias 5 e 14 de Novembro. Além de Kiarostami, já está confirmada a presença de Vicente Molina Foix, Stephen Frears, Otar Iosseliani, Elia Suleiman, Anton Corbijn, Mathieu Amalric, Andrei Ujica e Douglas Gordon.

Entretanto também já foi divulgada a lista dos filmes na secção competitiva e dos filmes fora de competição no Estoril Film Festival:

FILMES EM COMPETIÇÃO

«Copacabana», de Marc Fitoussi
«A Espada e a Rosa», de João Nicolau
«In the Shadow», de Thomas Arslan
«Aurora», de Cristi Puiu
«Autobiography of Nicolae Ceasescu», de Andrei Ujica
«Dad», de Vlado Skafar
«La Vida Sublime», de Daniel Villamediana
«Songs of Tomorrow», de Jonas Holmstrom e Jonas Bergergard
«Reverse Motion», de Andrei Stempkovsky
«Io Sono Tony Scott», de Franco Maresco
«Tilva Ros», de Nikola Lezaic
«Poursuite», de Marina Deak

FILMES FORA DE COMPETIÇÃO

«I`m Still Here», de Casey Affleck
«The American», de Anton Corbijn
«Scott Pilgrim vs. The World», de Edgar Wright
«Machete», de Robert Rodriguez
«You Will Meet a Tall Dark Stranger», de Woody Allen
«Copie Conforme», de Abbas Kiarostami
«Tournée», de Mathieu Amalric
«Yves Saint Laurent - Pierre Bergé, L`Amour Fou», de Pierre Thoretton
«Caterpillar», de Koji Wakamatsu
«Bal», de Semih Kaplanoglu
«Chantrapas», de Otar Iosseliani
«Poetry», de Chang-dong Lee
«Road to Nowhere», de Monte Hellman
«The Kids are All Right», de Lisa Cholodenko
«Trash Humpers», de Harmony Korine
«Winter`s Bone», de Debra Granik
«Au Fond Du Bois», de Benoit Jacquot

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Siza Vieira apresenta «Tempos Modernos» de Chaplin

Álvaro Siza Vieira estar presente na próxima sexta-feira, dia 29 de Outubro, no auditório da Casa de Camilo Castelo Branco, em S. Miguel de Seide, Famalicão, para apresentar uma sessão de «Tempos Modernos». O arquitecto português, autor do projecto do auditório onde será exibido o clássico de Charlie Chaplin, é o convidado deste mês da iniciativa «Um Livro, Um Filme», iniciativa mensal da Casa-Museu de Camilo, que reúne naquele espaço uma figura pública para falar sobre cinema. A entrada é gratuita.

Cinema mudo português em Pombal

A Câmara Municipal de Pombal vai organizar, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, um ciclo de cinema mudo português. Intitulado «Singularidades», o ciclo decorre entre 29 e 31 de Outubro no Auditório Municipal de Pombal (edifício da Biblioteca Municipal) e no Teatro-Cine de Pombal. A entrada é gratuita, mas os interessados devem reservar os convites através do número de telefone 236 210 540, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.

Programa
Dia 29 - 6.ª feira, 21h30, Auditório Municipal de Pombal
A Dança dos Paroxismos, de Jorge Brum do Canto, 1929 - 39’
Os Lobos, de Rino Lupo, 1923 - 83’

Dia 30 - Sábado, 21h30, Teatro-Cine de Pombal
Maria do Mar, de Leitão de Barros, 1930 - 104’
Com acompanhamento musical ao vivo por Bernardo Sasseti e Orquestra das Beiras (no âmbito da Programação CULTREDE - Arte para Todos)

Dia 31 - Domingo, 21h30, Auditório Municipal de Pombal
Douro, Faina Fluvial, de Manoel de Oliveira, 1931 - 19’
Lisboa, Crónica Anedótica, de Leitão de Barros, 1930 - 125’

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sugestão para o serão



Lost in Translation - O Amor é um Lugar Estranho, às 21h30 no canal Hollywood.

20 anos de IMDB

Não é um realizador de culto, um filme premiado ou um actor que brilha em qualquer papel mas faz parte da cultura cinematográfica. O site Internet Movie Database, IMDB para os cibernautas cinéfilos, acaba de comemorar 20 anos ao serviço dos amantes da Sétima Arte, que podem aqui desfazer praticamente qualquer dúvida sobre cinema. Criado por Col Needham a 17 de Outubro de 1990, o IMDB é visitado actualmente por cerca de 57 milhões de pessoas todos os meses, o que é obra.

Nesta autêntica enciclopédia cinematográfica é possível encontrar mais de 3,2 milhões de entradas sobre os protagonistas dentro e fora do grande ecrã e 1,5 milhões de títulos, não só de filmes, mas também de séries de televisão. A primeira versão do site, que nasceu a partir de uma base de dados com todos os filmes vistos por Cold Needham tinha apenas cerca de 23 mil entradas sobre 10 mil filmes.

Mas o que começou por ser apenas uma base de dados sobre cinema é hoje em dia mais do que isso, devido às suas características interactivas, que surgiram na Internet antes das redes sociais, e à apresentação das notícias e trailers mais recentes. Durante os 20 últimos dias antes do dia 17, desde que o site começou a comemorar oficialmente a data, foram publicados um vídeo por dia onde alguém ligado ao mundo do Cinema falava sobre o IMDB. Estes vídeos podem ser vistos aqui.

E parabéns atrasados ao IMDB!

Banda Sonora: Tumbling Dice, The Rolling Stones

Gainsbourg (Vida Heróica), de Joann Sfar (2010)

Serge Gainsbourg é um dos maiores ícones da cultura francesa e da cultura popular do século passado. Quando estamos prestes a chegar ao 20º aniversário da sua morte, que ocorreu em Março de 1991, estreou um biopic sobre a sua vida. «Gainsbourg (Vida Heróica) é precisamente esse retrato para a Sétima Arte. Assinado por Joann Sfar, autor gaulês de banda desenhada, o filme é uma adaptação de uma das suas novelas gráficas, precisamente sobre a vida do cantor francês, autor de «Je t'aime, Moi Non Plus».

Mas o que talvez tenha resultado nas pranchas de BD, na tela de cinema parece não ter os melhores resultados. Esta adaptação aborda alguns episódios da vida de Serge Gainsbourg, desde que é uma criança judia que tem de fugir dos nazis até à sua morte, onde já tinha uma certa imagem de decadência associada à sua persona. Para quem conhece a vida do cantor, o filme é uma abordagem singular à sua carreira: vemos as suas inúmeras paixões, como a diva Brigitte Bardot (que no filme é interpretada por Laetitia Casta, que parece fotocópia da original) ou Jane Birkin (Lucy Gordon), que mais tarde será mãe de Charlotte Gainsbourg, fruto desta relação; e as polémicas em que Gainsbourg se viu envolvido com as letras das suas canções, não só no caso da já referida «Je t'aime...» mas também numa versão do hino francês, «A Marselhesa», gravada na Jamaica com músicos de reggae que não foi bem recebida no seu país natal.

O problema é que este filme parece não ter sido feito para quem não conhece a carreira de Serge Gainsbourg. Não há contextualização do que se está a passar, os episódios sucedem-se, aparentemente cronologicamente pois vemos a personagem envelhecer ao longo do filme, e quem não conhecer a história fica um pouco à deriva. O que foi o meu caso, que entrei neste «Gainsbuourg (Vida Heróica) para conhecer a história do ícone. No final do filme o realizador explica numa frase que o que lhe interessa não é as verdades de Gainsbourg, mas sim as mentiras. Não parece desculpa.

Há também uma outra característica, que talvez tenha a ver com a carreira principal de Joann Sfar, que não fica bem. Trata-se da presença de um boneco, que funciona como a consciência de Serge Gainsbourg, mas que se intromete demasiadas vezes, e às tantas não sabemos se não será uma outra personalidade do próprio Serge Gainsbourg. É pena esta confusão toda, pois a interpretação de Eric Elmosnino é muito boa. Fez-me lembrar a interpretação de Marion Cottilard quando desempenhou o papel de Edith Piaff, com as devidas diferenças. Bastava que «Gainsbourg (Vida Heróica)» fosse um pouco mais terreno, para ser um bom filme sobre a vida de Serge Gainsbourg.

Nota: 2/5

Site oficial do filme

domingo, 24 de outubro de 2010

Premiados Doclisboa 2010

Termina hoje oficialmente a oitava edição do Doclisboa, o festival de cinema documental mais populares do país. Para esta semana, mais concretamente até à próxima quinta-feira, ainda estão agendadas algumas sessões na Cinemateca dedicadas à obra de dois dos homenageados, Marcel Ophuls e Joris Hivens. Ontem foram anunciados os vencedores do Doclisboa 2010:

Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa-metragem
El Sicario: Room 164, de Gianfranco Rossi

Prémio para melhor média-metragem
Les Oiseaux d’Arabie - Fragments d’une Correspondance, de David Yon

Prémio para melhor curta-metragem
On Rubik’s Road, de Laila Pakalnina

Prémio Especial do Júri
La terra habitada, de Anna Sanmartí

Prémio para SIC Notícias para melhor documentário de investigação
Cuchillo de Palo, de Renate Costa

Prémio para a melhor primeira longa-metragem transversal à Competição Internacional, Investigações e Riscos
Let Each One Go Where He May, de Ben Russell

Grande Prémio CGD para melhor longa-metragem
Li Ké Terra, de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista

Prémio CGD para melhor primeira obra
Snack Bar Aquário, de Sérgio da Costa

Prémio CPLP para melhor curta-metragem
Como as Serras Crescem, de Maria João Soares

Melhor longa ou média metragem da Competição Portuguesa
Li Ké Terra, de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista

Melhor longa-metragem da Competição Internacional
Steam of Life, de Joonas Berghäll e Mika Hotakainen

Stones In Exile, de Stephen Kijak (2010)

Em 1972 os Rolling Stones estavam com problemas fiscais no Reino Unido, depois de terem sido enganados pelo seu manager, e 'fogem' para o Sul de França. Deste exílio forçado nasce um dos maiores e mais experimentalistas álbuns da carreira da banda: «Exile on Main St.», fruto de uma temporada de excessos numa mansão alugada por Keith Richards. E desta experiência de sexo, drogas e rock 'n roll nasceu «Stones In Exile», um documentário com pouco mais de uma hora com imagens da época que nos mostram como foi feito o álbum.

O filme conta com depoimentos actuais de alguns dos intervenientes que sobreviveram àqueles dias de excesso, em que praticamente tudo era possível naquela que já era considerada a maior banda do mundo. Mas não são os excessos e as histórias do quotidiano da mansão o grande trunfo de «Stones In Exile». Para quem gosta de música este documentário é uma excelente forma de conhecer um pedaço da história da música popular do século XX e como foi feito o álbum clássico, directamente da cave da mansão de Keith Richards.

A mais neste documentário só estão alguns depoimentos de pessoas que se sentiram influenciadas pelo álbum, algo que já parece um cliché dentro deste género de filmes. Apesar de contar com depoimentos de músicos e pessoas ligadas ao cinema a falar de «Exile on Main St.», «Stones In Exile» bem se podia ficar apenas pela história da gravação do clássico LP.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB