segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Rede Social, de David Fincher (2010)

Se «Inside Job», ao analisar um tema como a crise financeira que vivemos, é um filme bastante actual, «A Rede Social» também o é. Não necessariamente por focar um tema específico mas um fenómeno dos dias de hoje que literalmente liga toda a gente: o Facebook. Mas além de ser um filme sobre a rede social onde toda a gente está, contada através dos dois processos que foram impostos a Mark Zuckerberg pelo seu ex-melhor amigo e por três colegas de universidade que alegam que o site foi ideia deles, esta é também a história do seu criador.

Sem recorrer a actores conhecidos, o nome mais sonante no elenco talvez seja Justin Timberlake, «A Rede Social» é um filme que se vê bem, mas deixará os adeptos de David Fincher algo desiludidos. Não há nenhuma interpretação que marque, nem mesmo a de Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg. E este papel tinha tudo para ser bom, pois a personagem até é complexa. Não se trata de alguém normal que cria um site assim do dia para o outro. A personagem de Mark Zuckerberg (nunca saberemos se é como o filme o retrata, pois este é baseado numa biografia não autorizada do criador do Facebook) vista por David Fincher e Aaron Sorkin, o argumentista, é um génio bastante fechado, com problemas em relacionar-se com os outros que o levam a fazer as coisas à sua maneira e sem se preocupar com o que acontece à sua volta.

O excelente final, que acaba um pouco como tudo começou, é disso exemplo. (Spoiler a caminho) Mesmo depois de ter feito o que fez à ex-namorada logo no início do filme, e que no fundo foi a génese do Facebook, uma espécie de vingança contra as raparigas que não lhe ligavam nenhuma e contra os grupos de Harvard que não lhe abriam as portas, Mark Zuckerberg acaba por enviar-lhe um pedido de amizade. No fundo Mark só queria estar no centro das atenções. E consegue-o, pelas melhores ou pelas piores razões. A música «Baby You're a Rich Man», dos Beatles, é a cereja no topo do bolo no final de «A Rede Social».

E já que falamos em música, não posso deixar de referir a excelente banda sonora do filme, que esteve a cargo de Trent Reznor e Atticus Ross que se adequa perfeitamente ao ritmo e à montagem do filme, sem qualquer falha. Nota-se a presença do homem forte dos Nine Inch Nails a criar um ambiente que assenta como uma luva ao que se vai passando.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

domingo, 14 de novembro de 2010

Palmarés do Estoril Film Festival 2010

Foram anunciados há pouco os vencedores do Estoril Film Festival 2010. O realizador sérvio Nikolai Lezaic venceu o prémio de melhor filme na edição deste ano do festival, com «Tilva Rosh», a história de dois rapazes adolescentes cuja relação se altera durante umas férias de Verão do fim do Secundário com a chegada de uma amiga que vem de França.

O palmarés completo é o seguinte:

Melhor Filme
«Tilva Rosh» (Sérvia), de Nikolai Lezaic

Prémio Especial do Júri João Benárd da Costa
Isabelle Huppert, pela sua interpretação em «Copacabana» (França)

Prémio Montblanc Melhor Argumento
«Reverse Motion» (Rússia), argumento de Andrey Stempkovsky ,Anush Vardanyan, Givi Shavgulidze

Menção Honrosa
Zaur Bolotayev, pela Direcção de Fotografia de «Reverse Motion» (Rússia)

Prémio Cineuropa
«Tilva Rosh» (Sérvia)

Menção Especial
«Song of Tomorrow» (Suécia), realização de Jonas Holmstrom e Jonas Bergergard

Prémio Meo Melhor Curta-Metragem: Ex-aequo
«Sredni Vashtar», realização de Alana Osbourne, Institut National Supérieur des Arts du Spectacle (Bélgica)

«Sing Me Too Sleep», realização de Mgnus Arnesen, The Polish National Film Television e Theatre School (Polónia)

Menção Especial
«Le Dernier Instant», de Bouchra Moutaharik

Prémio L'óreal Jovem Talento
Joana de Verona

Prémio Concurso Curtas-Metragens Canon
ETIC

Prémios Especiais

John Malkovich

Marisa Paredes

Alberto Garcia-Alix

Baltasar Gárzon

Giya Kancheli

Vencedores do Cinanima 2010

Já são conhecidos os vencedores da edição deste ano do Cinanima, um dos maiores festivais portugueses dedicado ao cinema de animação. A curta metragem «Big Bang Big Boom», do italiano Blu, levou para casa o Grande Prémio Cinanima 2010 e «Piercing 1», de Liu Jian (China) conquistou o Prémio Para Melhor Longa Metragem. Os restantes prémios foram:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL:

Prémio Especial do Júri
«In Scale», de Marina Moshkova (Rússia)

Prémio Para Melhor Curta Metragem
«Teclopolis», de Javier Mrad (Argentina)

Menção Especial
«Sleep», de Claudius Gentinetta e Frank Braun (Suíça)

Prémio para Melhor Média Metragem
«Divers In the Rain», de Olga e Prit Parn (Estónia)

Prémio do Público
«Vicenta», de Sam (Espanha)

Prémio Melhor Filme Fim de Estudos e/ou Filme de Escola
«Stanley Pickle», de Vicky Mather (Reino Unido)

Prémio para Melhor Filme Publicidade e Informação
«Harmonix ‘The Beatles: Rock Band’ Intro Cinematic», de Pete Candeland (Reino Unido)

Menção Especial
«Going West», de Martin Andersen e Line Lunneman Andersen (Reino Unido)

Prémio José Abel
«Pivot», de André Bergs (Holanda)

Prémio Melhor Banda Sonora Original
«Graduation Film», de Idan Vardi (Israel)

Prémio RTP2: Onda Curta
«The Lost Thing», de Andrew Runeman e Shann Tan (Autrália)
«Lipsett Diaries», de Theodore Ushev (Canadá)
«In Scale», de Marina Moshkova (Rússia)
«Bridge Chronicles», de Hefang Wei (França)
«Teclopolis», de Javier Mrad (Argentina)
«I’m Going To Disneyland», de Antoine Blandin (França )
«Specky Four Eyes», de Jean-Claude Rozec (França)

COMPETIÇÃO NACIONAL:

Prémio Jovem Cineasta Português < 18 Anos

«Vai Tudo de Cana», de Crianças das Oficinas do Anilupa (Portugal)

Menção Honrosa
«O Lagarteiro», de Grupo de Crianças do Bairro do Lagarteiro (Portugal)

Prémio Jovem Cineasta Português > 18 Anos
«Akirema», de Vitor Carneiro e Jonas De Andrade (Portugal)

Prémio António Gaio
«Viagem a Cabo Verde», de José Miguel Ribeiro (Portugal)

Menção Honrosa
«Os Olhos Do Farol», de Pedro Serrazina (Portugal)
«Raio Xyz», de Joana Toste (Portugal)

No próximo domingo dia 21 de Novembro às 21h30 vai ser projectada no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, uma selecção com alguns dos vencedores do festival, como tem acontecido nos últimos anos. A entrada é gratuita.

sábado, 13 de novembro de 2010

Inside Job - A Verdade da Crise, de Charles Ferguson (2010)

Se não soubesse que estava a ver um documentário quando entrei na sessão de «Inside Job - A Verdade da Crise», durante o visionamento comecei a pensar se não seria antes um filme de terror. Depois de se estrear com um documentário sobre a guerra no Iraque no segundo documentário o realizador norte-americano Charles Ferguson volta a abordar uma questão dos tempos actuais: a crise dos mercados que rebentou em 2008 e que ainda hoje não se sabe bem qual a sua dimensão ou o que pode ainda acontecer. Basta pensarmos no que se está a passar todos os dias com Portugal e outros países europeus que os mercados apelidam, curiosamente, de PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha).

Sem recorrer à ironia guerrilheira de Michael Moore, que também assinou no ano passado uma história de amor ao capitalismo onde foca este tema, Charles Ferguson consegue explicar como é que os mercados chegaram ao ponto em que chegaram, devido à falta de regulamentação, que permitiu criar formas de as instituições financeiras lucrarem com produtos que sabiam que iam prejudicar as pessoas que lhes confiavam as suas poupanças. E o mais chocante é que a maioria dos envolvidos saiu impune e conseguiu ganhar milhões com os esquemas. Os exemplos são muitos e para piorar alguns continuam a ocupar cargos de responsabilidade em áreas que não deveriam.

Um dos grandes trunfos deste «Inside Job - A Verdade da Crise» é que conseguiu entrevistar alguns dos envolvidos e pessoas que apresentaram sinais a quem de direito para o que aí vinha, mas ao que tudo indica ninguém tinha interesse em ouvi-los. Mas compreende-se porque foram poucos os responsáveis que aceitaram falar, pois os que aparecem por vezes não sabiam o que responder ou afastavam-se da questão. Houve até um que às tantas diz ao realizador que o seu tempo está a terminar.

«Inside Job - A Verdade da Crise» foi feito como um alerta para explicar como é que tudo isto aconteceu e é um bom filme para que as pessoas conheçam melhor uma questão tão complexa. Nota-se uma certa tendência do realizador para apontar o dedo aos 'maus', se assim se pode dizer, mas Charles Ferguson não deixa de referir que pouco mudou com a chegada de Obama à Casa Branca, pois na sua equipa económica continuam pessoas que estiveram ligadas a instituições envolvidas nos problemas. Nem os republicanos nem os democratas esca

Mesmo quem não percebe muito de mercados financeiros, como é o meu caso, consegue ficar com uma pequena ideia sobre o que se passou. Ficam várias questões no ar, sobretudo como é que todos os envolvidos escaparam impunes e praticamente voltaram ao ponto de partida. Se calhar quando surgir a próxima crise vamos estar aqui a analisar um outro documentário.

Uma pequena nota. Optei por ir ver este filme para evitar uma sessão tão cheia, como é normal ao fim-de-semana. Mas fiquei surpreendido por estar numa sala bem composta o que pode significar duas coisas: ou temos público para ver bons documentário no cinema, sem ser em festivais, ou as pessoas gostam de saber mais sobre temas que nos dizem respeito. Independentemente da razão, se calhar apenas chegou às salas porque foi narrado por Matt Damon, dou os parabéns a quem se lembrou de distribuir «Inside Job - A Verdade da Crise».

Nota: 4/5 (Para quem se interessar sobre esta questão, recomendo também um excelente documentário, que passou na edição de 2009 do Indie Lisboa onde conquistou o prémio do público: «Encirclement», do canadiano Richard Brouillette. É um filme um pouco mais complexo, mas é uma excelente fonte sobre estes temas)

Site oficial do filme

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Última Sessão no Facebook muda de perfil

Fruto da minha azelhice consegui apagar a conta anterior do blogue no Facebook. O problema já está resolvido, quem quiser voltar a ser amigo de «A Última Sessão» pode fazê-lo aqui ou clicando no ícone ali ao lado. A todos os que já se tinham registado no perfil anterior, as minhas desculpas.

Dino De Laurentiis (1919-2010)

O produtor italiano Dino De Laurentiis, pertencente a uma das maiores famílias ligadas à Sétima Arte e nome sonante dessa mesma dinastia, faleceu ontem à noite em Los Angeles. Com um currículo de participações em mais de 500 filmes, incluindo como actor, e 38 nomeações para os Óscares, Dino De Laurentiis estreou-se na produção em 1939 com «Troppo tardi t'ho conosciuta», de Emanuele Caracciolo.

No início da década de 1950 funda, com a ajuda de Carlo Ponti, outro grande nome do cinema mundial recentemente falecido, a produtora Ponti-De Laurentiis que terá vida curta, pois encerra em 1957. Mais tarde vende ao Governo italiano o estúdio Dinocittà (curioso nome que é uma mistura entre o seu nome próprio e o dos populares estúdios Cinecittà). É por esta altura que parte para os EUA onde começa a trabalhar na marca Embassy Pictures e funda em 1985 o De Laurentiis Entertainment Group, onde também não permanece muito tempo.

Durante a sua longa carreira foi um dos responsáveis por obras como «Duna», de David Lynch, «A Estrada» e «Noites de Cabíria», de Federico Fellini, «Arroz Amargo», de Giuseppe De Santis, «Europa '51», de Roberto Rossellini, «O Ouro de Nápoles», de Vittorio De Sica, «Dia de Férias», de Dino Risi, «O Estrangeiro», de Luchino Visconti, «Barbarella», de Roger Vadim, «King Kong», de John Guillermin, entre muitos outros.

A última vez que produziu foi em 2007, quando produziu «Virgin Territory», de David Leland, «A Última Legião», de Doug Lefler, e «Hannibal Rising», de Peter Webber. Ganhou três Óscares, incluindo o Irving G. Thalberg Memorial Award.

Em Cartaz: Semana 11/11/2010

Dos Homens e dos Deuses, de Xavier Beauvois
O Rei da Evasão, de Alain Guiraudie
Jackass 3D, de Jeff Tremaine
Inside Job - A Verdade da Crise, de Charles Ferguson
RED - Perigosos, de Robert Schwentke

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

10 anos da maior provocação do cinema português

Como o i muito bem recorda na sua edição de hoje (num artigo que não consigo encontrar on-line) estão a chegar os 10 anos da estreia de «Branca de Neve», o célebre filme negro de João César Monteiro, que provocou uma enorme polémica na altura, sobretudo depois do cineasta ter dito «quero que o público português se f...». Não vou recordar aqui esse momento, mas aproveito para recordar uma entrevista que João César Monteiro filmou na altura, e que foi projectada na estreia de «Branca de Neve».










Cinema espanhol e da América Latina no São Jorge

O Cinema São Jorge, em Lisboa, vai receber este mês um ciclo de cinema dedicado ao cinema espanhol e outro sobre o cinema da América Latina. O primeiro é o III Ciclo de Cinema Espanhol «Contrastes: Entonces y Ahora», uma vez mais organizado pela Embaixada de Espanha, e arranca já amanhã. Com esta iniciativa a representação diplomática espanhola em Lisboa pretende mostrar a realidade espanhola dos anos 1940 e 1950 e da época actual através de obras cinematográficas.

Na primeira secção os filmes a apresentar são «Bienvenido Mr. Marshall!» (11 de Novembro | Quinta 21h30 | Sala 1), de Luis García Berlanga, «El Espíritu de la Colmena» (12 de Novembro | Sexta 21h30 | Sala 3), de Víctor Erice, e «Calle Mayor» (13 de Novembro | Sábado 16h00 | Sala 3), de Juan Antonio Bardem. Para o período contemporâneo as propostas são cinco: «La Ardilla Roja» (13 de Novembro | Sábado 19h00 | Sala 3), «Lucía y el Sexo» (13 de Novembro | Sábado 21h30 | Sala 3) e «Tierra» (14 de Novembro | Domingo 16h00 | Sala 3) de Julio Medem, «Mar a Dentro» (14 de Novembro | Domingo 19h00 | Sala 3), de Alejandro Amenábar, e «Tapas» (14 de Novembro | Domingo 21h30 | Sala 3), de Juan Cruz e José Corbacho. A entrada é livre.

Já a Mostra de Cinema da América Latina 2010 é uma iniciativa da Casa da América Latina e vai apresentar filmes recentes do Chile, México, Argentina e Colômbia. O ciclo começa no dia 25 às 21h30 na Sala 1 do São Jorge com «Navidad» (Chile, 2009), de Sebastián Lelio. Até ao dia 28 vão poder ainda ser vistos «Espiral» (26 de Novembro | Sexta 19h30 | Sala 3), de Jorge Pérez Solano (México, 2009), «Detras del sol, más cielo» (26 de Novembro | Sexta 21h30 | Sala 3), de Gastón Gularte (Argentina, 2008), «Iluminados por el fuego» (27 de Novembro | Sábado 16h00 | Sala 3), de Tristán Bauer (Argentina, 2005), «La Nana» (27 de Novembro | Sábado 19h30 | Sala 3), de Sebastián Silva (Chile, 2009), «El Estudiante» (27 de Novembro | Sábado 21h30 | Sala 3), de Roberto Girault (México, 2009), «Nietos - Identidad y Memoria» (28 de Novembro | Domingo 16h30 | Sala 3), de Benjamín Ávila (Argentina, 2004) e «El Vuelco del Cangrejo» (28 de Novembro | Domingo 18h00 | Sala 3), de Oscar Ruiz Navia (Colombia, 2009).

No Sábado, dia 27, está prevista uma conversa com alguns realizadores sobre o tema «O Cinema na Europa e na América Latina». As sessões deste ciclo custam 3,5 euros (preço normal), 3 euros (para menores de 25 anos) e 2,5 euros (associados da Casa da América Latina).

Hitchcock versão Wiki

Na minha pesquisa por informação sobre «O Ringue», de Alfred Hitchcock, deparei-me por acaso com um site curioso. De seu nome Alfred Hitchcock Wiki, esta página é uma espécie de Wikipedia, dedicada ao mestre do suspense. Com a mesma filosofia da popular enciclopédia on-line, aqui encontra-se tudo sobre a vida e obra de Alfred Hitchcock. Uma boa fonte para quem quer conhecer os seus filmes, alguns actores que trabalharam com o realizador, artigos históricos, imagens, etc. Vale a pena visitar, o link é este.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Ringue, de Alfred Hitchcock (1927)

A carreira de Alfred Hitchcock, tal como a maioria dos cineastas, fez-se em fases distintas. A primeira, ainda no período mudo, foi em Inglaterra onde permaneceu até final dos anos 1930, antes de partir para Hollywood. «O Ringue» é uma das suas primeiras obras e aborda uma história de amor com o boxe como pano de fundo. Em «O Ringue» o lutador de boxe de feira 'One-Round' Jack Sander (Carl Brisson), que está noivo da menina da bilheteira (Lillian Hall-Davis), vê o seu destino mudar quando se cruza com um lutador profissional (Ian Hunter). Este ganha o desafio e 'rouba-lhe' a amada, não sem antes convidar Jack para ser seu companheiro de treino.

O que vemos durante o filme é a ascensão de 'One-Round' Jack Sander nos ringues profissionais até chegar à luta pelo título principal, justamente contra o duplo rival. Este ainda não é o Hitchcock que ficará para a história como o mestre do suspense, mas é um filme que nos mostra algumas provas do futuro génio do realizador de «Psico». As cenas dos combates estão bem filmadas, podendo mesmo rivalizar com alguns filmes de boxe posteriores, género que até aos anos 1980 teve sempre bons filmes.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

Nomeados aos Prémios Europeus do Cinema 2010

Foram anunciados os nomeados para a edição deste ano dos Prémios Europeus do Cinema, que serão entregues no próximo dia 4 de Dezembro em Tallin, na Estónia. «Escritor Fantasma», de Roman Polanski, e «Líbano», de Samuel Maoz, com 7 e 5 nomeações respectivamente, são os filmes mais representados na lista, que tirando estes dois filmes está bastante equilibrada, com diversos filmes com uma só nomeação.

A lista completa dos nomeados é:

Melhor Filme Europeu 2010

BAL (Honey), de Semih Kaplanoğlu (Turquia)
DES HOMMES ET DES DIEUX (Dos Homens e dos Deuses, estreia prevista para 11 de Novembro), de Xavier Beauvois (França)
THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma), de Roman Polanski (França/Alemanha/Reino Unido)
LEBANON (Líbano), de Samuel Maoz (Israel/Alemanha/França)
EL SECRETO DE SUS OJOS, de Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos) (Espanha/Argentina)
SOUL KITCHEN, de Fatih Akin (Alemanha)

Melhor Realizador Europeu 2010

Olivier Assayas por CARLOS
Semih Kaplanoğlu por BAL (Honey)
Samuel Maoz por LEBANON (Líbano)
Roman Polanski por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
Paolo Virzi por LA PRIMA COSA BELLA (The First Beautiful Thing)

Melhor Actriz Europeia 2010

Zrinka Cvitešić em NA PUTU (On the Path)
Sibel Kekilli em DIE FREMDE (When We Leave)
Lesley Manville em ANOTHER YEAR
Sylvie Testud em LOURDES
Lotte Verbeek em NOTHING PERSONAL

Melhor Actor Europeu 2010

Jakob Cedergren em SUBMARINO
Elio Germano em LA NOSTRA VITA (Our Life)
Ewan McGregor em THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
George Pistereanu em EU CAND VREAU SA FLUIER, FLUIER (If I Want to Whistle,
I Whistle)
Luis Tosar em CELDA 211 (Cela 211, estreia prevista para 2 de Dezembro)

Melhor Argumentista Europeu 2010

Jorge Guerricaechevarría e Daniel Monzón por CELDA 211 (Cela 211)
Robert Harris e Roman Polanski por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
Samuel Maoz por LEBANON (Líbano)
Radu Mihaileanu por LE CONCERT (O Concerto, estreia prevista para 25 de Novembro)

Carlo Di Palma European Cinematographer Award 2010

Giora Bejach por LEBANON (Líbano)
Caroline Champetier por DES HOMMES ET DES DIEUX (Dos Homens e dos Deuses)
Pavel Kostomarov por Как я провел этим летом (How I Ended this Summer)
Barış Özbiçer por BAL (Honey)

Melhor Editor Europeu 2010

Luc Barnier e Marion Monnier por CARLOS
Arik Lahav-Leibovich por LEBANON (Líbano)
Hervé de Luze por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)

European Production Designer 2010

Paola Bizzarri e Luis Ramirez por IO, DON GIOVANNI (I, Don Giovanni)
Albrecht Konrad por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
Markku Pätilä & Jaagup Roomet for PÜHA TÕNU KIUSAMINE (The Temptation
of St. Tony)

Melhor Compositor Europeu 2010

Ales Brezina por KAWASAKIHO RŮŽE (Kawasaki’s Rose)
Pasquale Catalano por MINE VAGANTI (Loose Cannons)
Alexandre Desplat por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
Gary Yershon por ANOTHER YEAR

Prémio do Público, escolhido pelos espectadores europeus

AGORA (Ágora), de Alejandro Amenábar (Espanha)
BAARìA, de Giuseppe Tornatore (Itália)
AN EDUCATION (Uma Outra Educação), de Lone Scherfig (Reino Unido)
FLICKAN SOM LEKTE MED ELDEN (Millenium 2: A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo), de Daniel Alfredson (Suécia/Dinamarca/Alemanha)
THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma), de Roman Polanski (França/Alemanha/Reino Unido)
KICK-ASS, de Matthew Vaughn (Reino Unido)
MINE VAGANTI (Uma Família Moderna), de Ferzan Ozpetek (Itália)
MR. NOBODY, de Jaco Van Dormael (Bélgica)
LE PETIT NICHOLAS (O Menino Niculau), de Laurent Tirard
SOUL KITCHEN, de Fatih Akin (Alemanha)

Mais informações sobre todos os filmes a concurso neste link.

Voltar, de Pedro Almodóvar (2006)

O cinema de Pedro Almodóvar nunca fez parte das minhas preferências, pois o realizador espanhol tem filmes que gostei bastante e outros que não gostei nada. Não há meio termo. «Voltar» entra na primeira categoria e prova que Almodóvar quando quer é um óptimo contador de histórias. Neste filme, o penúltimo da sua carreira, acompanhamos o regresso do fantasma de Irene (Carmen Maura), mãe de Raimunda (Penélope Cruz) e Sole (Lola Dueñas), para resolver alguns assuntos do passado que ficaram por esclarecer, envolvendo a primeira.

É um filme de e sobre mulheres, se formos a ver bem as únicas personagens masculinas do filme ou participam pouco ou estão ausentes, como é o caso do pai das duas irmãs, e as suas relações entre si e com o passado. Ou seja, é um universo bem conhecido na obra de Almodóvar. Ao mesmo tempo «Voltar» acaba por ser um retrato do Interior, com as suas superstições e a maneira das populações da aldeia conviverem. Talvez aqui se note um pouco uma pequena crítica a este tipo de comunidades, de onde o próprio realizador é originário.

O elenco, que reúne diversas actrizes que participaram em várias obras de Almodóvar, consegue estar à altura da história, que não é nada do outro mundo, mas acaba por ser um belo drama, com uns pozinhos de comédia que resultam da forma como as personagens reagem a situações que vão surgindo, nem sempre fáceis de lidar. Não é de estranhar que no Festival de Cannes de 2006 o prémio de Melhor Actriz tenha ido para este colectivo.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

sábado, 6 de novembro de 2010

I Am Sam - A Força do Amor, de Jessie Nelson (2001)

Com «I Am Sam - A Força do Amor» Sean Penn tem aquilo a que se pode chamar a lotaria para chegar aos Óscares: o papel de um autista que tem de lutar nos tribunais pela tutela da filha, que lhe foi parar aos braços depois da mãe, uma sem abrigo, fugir de Sam. A interpretação de Sean Penn está irrepreensível, sem nada a apontar, mas o filme acaba por cair nos clichés deste tipo de fitas, sempre a puxar pela lágrima, fazendo o espectador ter pena de Sam. Valeu-lhe a nomeação para os galardões, mas quem levou a estatueta para casa foi Denzel Washington, por «Dia de Treino».

Ao lado de Sean Penn na segunda obra de Jessie Nelson, que desde este filme não voltou a realizar, encontramos Michelle Pfeiffer (a advogada Rita Williams) e Dakota Fanning (a filha de Sam, Lucy), ambas bastante bem. O grande problema em «I Am Sam», que não deixa de ser um bom drama familiar, é o pouco espaço que as restantes personagens têm. Por exemplo, a advogada de Michelle Pfeiffer tem diversos problemas, sobretudo com o marido, que são mal explorados. E Laura Dern, que interpreta a mãe adoptiva de Lucy está quase ridícula, mais valia não ter participado. O próprio fim é ambíguo, pois de facto não ficamos a saber quem fica com Lucy. Ao menos tem um plano muito belo: Sam com a filha ao colo perseguido por uma legião de miúdos.

Por fim, a assinalar a banda sonora, que na altura em que filme saiu foi bastante falada. Ao longo de «I Am Sam» vamos ouvindo diversas covers dos Beatles cantadas por diversos artistas. Estas músicas surgem devido ao amor que Sam tem pelos Fab Four e o resultado, apesar de original, nem sempre alcança os melhores resultados. Se Jessie Nelson quisesse arriscar um bocadinho mais, poderia ter aqui um grande filme.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, de Tim Burton (1999)

Tim Burton é daqueles realizadores que consegue, nos dias de hoje, ter uma imagem que nos faz reconhecer os seus filmes à distância. Ambientes negros, cenários góticos e personagens inadaptadas são as principais características das suas obras, que acabaram por lhe dar uma enorme legião de fãs. «A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça» faz parte da sua filmografia mais negra. É também mais uma das suas colaborações com Johnny Depp, a terceira, actor que faz parte de um grupo que normalmente integra os filmes de Tim Burton e a par de Helena Bonham Carter, esposa do realizador, é um dos actores mais presentes neste universo bastante peculiar.

Passado no final do século XVIII (é curioso vermos as personagens falarem da chegada do novo século da mesma forma que em 1999, o ano deste filme, se aguardava com um misto de surpresa e euforia a chegada do ano 2000), «A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça» leva o polícia Ichabod Crane (Johnny Depp) à localidade de Sleepy Hollow, onde tem de investigar uma série de homicídios levados a cabo por um cavaleiro sem cabeça (Christopher Walken), que dá nome à lenda. De início céptico, devido à sua fé na ciência, Ichabod acaba por se aperceber que a estranha personagem existe de facto e fica enredado numa conspiração que envolve grande parte da população de Sleepy Hollow e uma boa dose de bruxaria.

Com um argumento destes, baseado num livro de Washington Irving, Tim Burton sente-se em casa e consegue fazer uma bela obra, que mistura tons de suspense e alguns pozinhos de terror, muito ao estilo do realizador. A banda sonora do seu cúmplice Danny Elfman também ajuda a criar um ambiente de certa forma sombrio e vai muito ao encontro do que se pretende num filme destes. Johnny Depp, uma vez mais, interpreta uma daquelas personagens que aparentemente só ele consegue interpretar nos filmes de Burton, com os seus tiques específicos que veremos mais tarde aprofundados em filmes como «Charlie e a Fábrica de Chocolate» ou «Alice no País das Maravilhas».

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

A Última Sessão no Facebook

A partir de hoje o blogue «A Última Sessão» passou a estar também presente no Facebook. São todos bem vindos a passar por lá e a partilhar o site. O perfil pretende ser um complemento ao próprio blogue e vai contar sobretudo com vídeos e imagens de filmes, estreias, etc., assim como os posts de «A Última Sessão».

O link é este.

Domingo Negro, de John Frankenheimer (1977)

Quem gosta de filmes de espionagem e conspirações a sério deve ter saudades de alguns filmes feitos na década de 1970. Dentro deste género John Frankenheimer realizou em 1977 «Domingo Negro», baseado no livro homónimo de Thomas Harris, escritor que mais tarde iria criar o célebre Hannibal Lecter em «O Dragão Vermelho». Curiosamente, Harris apenas tem no currículo este «Domingo Negro» e quatro livros relacionados com o canibal mais conhecido da Sétima Arte: «Silêncio dos Inocentes», «Hannibal» e «Hannibal - O Início», todos levados ao grande ecrã, com melhor ou pior resultado.

Mas este «Domingo Sangrento» nada tem a ver com serial killers, pelo menos no sentido mais tradicional. Aqui a história é a do agente israelita Kabakov (Robert Shaw) que persegue Dahlia (Marthe Keller), uma mulher que pertence ao grupo terrorista Setembro Negro e que está a preparar um ataque durante a final do Superbowl com a ajuda de Lander (Bruce Dern), um veterano do Vietname com problemas psicológicos que é piloto de um dirigível utilizado para filmar o evento.

Apesar dos efeitos especiais que hoje nos parecem demasiado rudimentares (não nos podemos esquecer que se trata de uma fita de 1977) este filme de Frankenheimer tem todos os ingredientes dos filmes de espionagem tão comuns à época: perseguições, as relações de bastidores entre os diversos governos com agentes e personagens que nunca dão a cara e tensão latente em algumas cenas. A sequência final é um desses exemplos, quando Kabakov num helicóptero tenta evitar a tragédia. A partitura de John Williams ajuda bastante a criar este ambiente.

No capítulo da interpretação, o grande destaque vai para Bruce Dern (pai de Laura Dern, uma das actrizes fetiche de David Lynch), no papel do piloto norte-americano que acaba por ter um papel fulcral na conspiração. Ver este «Domingo Negro» faz-nos sentir saudades da década de 1970 e dos seus filmes de acção, tanto na vertente de espionagem como na vertente policial. O trailer, que se pode ver abaixo, é delicioso.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz (2010)

Muitos defendem que há livros que não podem ser transpostos para o grande ecrã com bons resultados. E há diversos casos em que isso acontece. Mas também há vários realizadores que já provaram que isso não é verdade e fazem grandes filmes. O chileno Raúl Ruiz passou a entrar neste último grupo com «Mistérios de Lisboa», baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco, um folhetim típico do popular escritor português do século XIX.

O excesso de sub-enredos que se afastam da história principal, a história do jovem João/Pedro da Silva, acaba por tornar «Mistérios de Lisboa» uma autêntica árvore de onde saem os ramos dedicados às personagens, que se iniciam no período anterior às invasões napoleónicas e acabam mais de 50 anos depois deste episódio histórico. O trabalho de Raúl Ruiz era pois épico e consegue cumprir a missão que se propôs, com uma óptima reconstituição histórica, recorrendo a um elenco maioritariamente português, com caras mais conhecidas por participarem em telenovelas. Mas neste registo completamente diferente das novelas, actores como Maria João Bastos, Ricardo Pereira ou Adriano Luz, que poderiam afastar alguns cinéfilos mais 'conservadores', estão todos muito bem, com excelentes interpretações.

Apesar de ter quase 4 horas e meia, o que também poderá afastar muita gente do filme, estas passam, não se pode dizer a correr, mas sem que nos ocorra o tempo a passar. O realizador chileno conseguiu fazer estes «Mistérios de Lisboa» uma obra que se vê bem, que apesar dos constantes flashbacks que são utilizados para contar as várias estórias dos personagens, não se perde e não deixa o espectador à deriva.

Para quem gosta de filmes históricos e da obra de Camilo Castelo Branco, «Mistérios de Lisboa» é um excelente filme. Quem não gosta deste tipo de temas, não vale a pena arriscar as quase cinco horas no cinema. Sempre pode esperar pela estreia da versão para televisão, prevista para o próximo ano, com seis episódios de uma hora cada. É mais tempo, claro, mas sempre se pode ver de outra forma, e talvez até seja a melhor maneira de honrar o espírito de folhetim da obra original.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Em Cartaz: Semana 04/11/2010

A Rede Social, de David Fincher
O Demónio, de John Erick Dowdle e Drew Dowdle
Oh Não! Outra Vez Tu?, de Andy Fickman
Piranha 3D, de Alexandre Aja