quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Americano, de Anton Corbijn (2010)

Depois da magnífica estreia em «Control», a nova longa metragem de Anton Corbijn era bastante aguardada por estes lados. Protagonizado por George Clooney «O Americano» pouco tem a ver com o anterior filme do fotógrafo e realizador holandês, tirando o facto de se centrar numa personagem de certo modo confusa e solitária. Enquanto «Control» se debruçava sobre a vida de Ian Curtis, vocalista dos Joy Division, filmado a preto e branco, «O Americano» foi filmado a cores e conta a história de um assassino profissional que participa numa última missão ao mesmo tempo que procura descobrir quem o está a tentar matar.

Com uma bela fotografia, que capta muito bem os ambientes de neve na Suécia (no início do filme) e as paisagens montanhosas de Itália, «O Americano» peca por ter um argumento que não arrisca ir mais longe e é demasiado previsível. George Clooney tem uma interpretação em piloto automático que podia ter sido trabalhada de outra forma, pois a sua personagem é bastante complexa para se ficar pela base. Quase que se pode dizer que o filme fica agarrado a muitos clichés do género. Uma personagem solitária, que é atraiçoada e começa a desconfiar de tudo e de todos, mesmo dos que lhe são mais próximos. Apesar da história ser boa, «O Americano» merecia mais espessura. E o plano final é praticamente uma repetição do de «Control», com as devidas diferenças. Esperemos que a próxima aventura de Corbijn atrás das câmaras seja melhor.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Em Cartaz: Semana 01/12/2010

Cela 211, de Daniel Monzón
Jogo Limpo, de Doug Liman
A Tempo e Horas, de Todd Phillips
Megamind, de Tom McGrath
A Poeira do Tempo, de Theo Angelopoulos

Mais pré-nomeados aos Óscares

Depois de serem conhecidos os pré-nomeados aos Óscares para as categorias de Melhor Documentário e Melhor Filme de Animação, a Academia revelou a lista dos 10 candidatos a candidatos a Melhor Curta Metragem. A lista foi escolhida a partir de 66 curtas.

E os nomeados são:
«Ana’s Playground», de Eric D. Howell
«The Confession», de Tanel Toom
«The Crush», de Michael Creagh
«God of Love», de Luke Matheny
«Na Wewe», de Ivan Goldschmidt
«Seeds of the Fall», de Patrik Eklund
«Shoe», de Nick Kelly
«The Six Dollar Fifty Man», de Mark Albiston e Louis Sutherland
«Sma Barn, Stora Ord (Little Children, Big Words)», de Lisa James Larsson
«Wish 143», de Ian Barnes

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mario Monicelli (1915-2010)

2010 parece estar a ser um ano em que o mundo do cinema morre todo ao mesmo tempo. No final de Setembro numa semana morreram vários mitos da Sétima Arte. Esta semana são já três os nomes ligados ao Cinema que deixam este mundo. O mais recente foi Mario Monicelli, realizador italiano considerado o Pai da comédia italiana, que teve um fim trágico: suicidou-se no hospital onde se encontrava à espera da morte, pois tinha cancro na próstata já em fase terminal.

Ao longo de 95 anos Mario Monicelli realizou 66 filmes e assinou mais de uma centena de argumentos. A sua estreia nas longas metragens dá-se em 1935 com «I ragazzi della via Paal» e atinge o auge a partir de 1958 com o genial «Gangsters Falhados» (há uma versão norte-americana recente). Um ano mais tarde conquista o Leão de Ouro de Veneza com «A Grande Guerra», filme que lhe garante também uma nomeação para Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mario Monicelli regressaria à lista dos nomeados para a mesma estatueta em 1963, com o filme «I Compagni». A sua última realização foi este ano: a curta «La nuova armata Brancaleone».

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Irvin Kershner (1923–2010)

No mesmo dia que foi notícia a morte de Leslie Nielsen soube-se que também Irvin Kershner faleceu. Não fez carreira como actor, apesar de ter desempenhado papéis em cinco filmes, entre os quais «A Última Tentação de Cristo», de Martin Scorcese, mas como realizador. Na sua carreira conta com 15 longas metragens, as mais populares «O Império Contra-Ataca», o segundo capítulo da saga «Guerra das Estrelas» e para muitos o melhor da trilogia original, «Nunca Digas Nunca», um dos filmes de James Bond não oficiais, e «RoboCop 2», o seu último filme, estreado em 1990. Realizou ainda diversos episódios de séries para televisão e alguns telefilmes. Faleceu vítima de doença prolongada.

Leslie Nielsen (1926-2010)

Faleceu Leslie Nielsen, actor que ficou mais conhecido como comediante, sobretudo depois da sua aparição em filmes como «Aeroplano» ou na série «Aonde é que Pára a Polícia». Aos 84 anos o actor canadiano foi vítima de pneumonia num hospital da Florida. Com uma carreira de mais de 200 filmes, entre participações no grande e pequeno ecrã, onde começou na década de 1950 é nos anos 1980 que desponta em «Aeroplano» e na série de TV «Police Squad!», que mais tarde vai estar na origem dos três filmes da série «Aonde é que Pára a Polícia». A sua última aparição de relevo foi no quarto filme da saga «Scary Movie».

Banda Sonora: The National Express, Divine Comedy

domingo, 28 de novembro de 2010

Machete, de Robert Rodriguez e Ethan Maniquis (2010)

Filmes bons a imitar os que são maus às vezes irritam-me. «Machete», que chegou esta semana às salas de cinema, é um deles. Não que o filme seja mau, até gostei. Está muito bem feito para o objectivo que pretende ser (homenagear um género que o realizador gosta) e é bom entretenimento que não deixa os fãs do género desiludidos. Tem bons personagens, daqueles que não lembram a ninguém de tão bons que são, tiros, facadas e explosões a rodos (a cena dos intestinos no hospital é um mimo), mulheres giras e diálogos geniais. Mas espremendo o sumo daquilo, por muito bom que seja o resultado, soa a falso. Já me tinha acontecido o mesmo quando vi «À Prova de Morte», para mim o filme mais fraco de Quentin Tarantino.

O Machete (Danny Trejo) que dá nome ao filme é um ex-Federale incorruptível que se mete com quem não deve: o terrível traficante Torrez (Steven Seagal). Aqui os papéis inverteram-se, pois normalmente Seagal costuma interpretar o herói de serviço e Trejo é um secundário habituado a papéis de mau. Um dos problemas de «Machete» é que esta dupla é composta por dois maus actores, que não conseguem aproveitar boas personagens por muito que tentem. Especialmente Seagal. Aquela cena final é do mais mauzinho que tenho visto, mas uma vez mais, talvez tenha sido o objectivo de Rodriguez ter uma dupla de maus actores.

A história é o habitual neste tipo de filmes. Depois de quase ser morto às mãos de Torrez, que pelo caminho matou a família do Federale, Machete tem uma oportunidade de se vingar quando é contratado por Michael Booth (Jeff Fahey) para matar o Senador John McLaughlin (Robert DeNiro), que defende políticas anti-migração mas tem uma agenda escondida, que envolve Torrez.

Como já referi não há nada que falte a esta imitação de filme chunga, que é tão perfeito que acaba por perder a piada. Confesso que prefiro mil vezes o velhinho e original El Mariachi. «Machete» vale pelo entretenimento que garante e pelos inúmeros e bons secundários, muito bem interpretados. Não só Jeff Fahey e DeNiro, mas também o elenco feminino (de Jessica Alba a Michelle Rodriguez, passando por Lindsay Lohan) e Cheech Marin, que interpreta um padre muito original.

No fundo este é o filme que fariam os realizadores preferidos de Rodriguez e Tarantino se tivessem meios para fazer uma coisa como deve ser. Mas se calhar se o tivessem feito, hoje ninguém falava neles. Ou parafraseando o anúncio, não era a mesma coisa.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Para recordar fica o trailer que saiu com Grindhouse:

Sangue e Prata, de Raoul Walsh (1948)

Errol Flynn tornou-se popular a protagonizar heróis em filmes de aventuras. Robin Hood é apenas um dos exemplos. Não é isso que acontece em «Sangue e Prata» um western de Raoul Walsh realizado em 1948, onde interpreta Mike McComb, um capitão do exército federal que é afastado da carreira militar depois de optar por queimar um milhão de dólares que iriam parar às mãos do inimigo sulista. Este episódio leva-o a procurar outras paragens, já com uma personalidade mais obscura, e é em Silver City que resolve assentar arraiais com o objectivo de criar um casino.

Mas antes de chegar à pequena localidade, que depende fortemente das minas de prata, cruza-se com Georgia Moore (Ann Sheridan) a mulher do dono de uma das minas por quem acaba por se apaixonar. Esta paixão e as suas jogadas para conquistar tudo e todos (não só Georgia, mas também os terrenos que lhe darão cada vez mais dinheiro) acabam por nos mostrar uma personagem sem escrúpulos, a completa antítese do Errol Flynn mais popular. Foi por isso que o filme acabou por não ter grandes resultados na bilheteira, pois o público não estava habituado e não queria ver Flynn a fazer de vilão.

Além de ser um filme sobre a ambição e a busca de poder e com um vincado sentido político, «Sangue e Prata» remete também para uma história bíblica. O caso entre McComb e Georgia é uma variante da história do Rei David, que envia um general para a frente de batalha para ficar com a sua mulher. Esta é explicada por uma personagem secundária bastante importante para a história, o advogado John Plato Beck (uma excelente interpretação de Thomas Mitchell), que não deixa de atirá-la à cara de McComb sempre que pode.

(Spoiler) McComb acaba por se redimir no final do filme quando lidera a multidão de mineiros que vai expulsar os assassinos de John Plato Beck, que entretanto se tinha candidatado a senador. Esta é uma das cenas mais bem conseguidas do filme, com a enorme turba a entrar em Silver City por todos os lados, não deixando nenhuma abertura. Uma vez mais Raoul Walsh mostra aqui como consegue filmar de forma magistral multidões. Não nos podemos esquecer que nos anos 1940 ainda estávamos muito longe dos efeitos digitais de hoje, que conseguem criar uma multidão através de computador.

A banda sonora de Max Steiner também está muito boa, tanto nesta cena final referida anteriormente, como nas primeiras cenas do filme, quando são retratadas algumas batalhas da Guerra Civil americana ou mesmo na perseguição inicial que dá origem ao tal episódio da expulsão de McComb do exército.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Em Cartaz: Semana 25/11/2010

O Americano, de Anton Corbijn
22 Balas, de Richard Berry
O Concerto, de Radu Mihaileanu
Imparável, de Tony Scott
Machete, de Ethan Maniquis e Robert Rodriguez
O Mundo é Grande e a Salvação Espreita ao Virar da Esquina, de Stephan Komandarev

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tim Burton de regresso ao museu

No ano passado por esta altura o MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, recebeu a primeira grande exposição dedicada ao universo de Tim Burton. Agora o(s) mundo(s) do cineasta voltam a estar reunidos no mesmo espaço, desta vez em Toronto no Canadá. A partir da próxima sexta-feira, dia 26 de Novembro, e até 17 de Abril de 2011 a exposição vai estar patente no TIFF Bell Lightbox.

Além das mais de 700 peças em exibição, desde desenhos a esculturas, passando por maquetes e vídeos, um dos destaques da mostra vai ser uma retrospectiva à carreira de Tim Burton. Este ciclo inclui, além da projecção das 14 longas do realizador, de «A Grande Aventura de Pee Wee» a «Alice no País das Maravilhas», e de duas que produziu («James e o Pêssego Gigante» e «O Estranho Mundo de Jack», ambos de Henry Selick) 16 filmes que o influenciaram. Todas as sessões são duplas.

Este é o programa:

«Alice no País das Maravilhas» (2010) e «Desperate Living», de John Waters (1977)
«O Homem Que Ri», de Paul Leni (1928) e «Batman» (1989)
«Vinte Mil Léguas Submarinas», de Richard Fleischer (1954) e «Charlie e a Fábrica de Chocolate» (2005)
«Ed Wood» (1994) e «Bride of the Monster», de Edward D. Wood Jr. (1955)
«Marty», de Delbert Mann (1955) e «Eduardo Mãos de Tesoura» (1990)
«Gojira», de Ishiro Honda (1954) e «Marte Ataca!» (1996)
«Nosferatu», de F.W. Murnau (1922) e «O Estranho Mundo de Jack», de Henry Selick (1993)
«First Men in the Moon», de Nathan Juran (1964) e «O Planeta dos Macacos» (2001)
«Horror of Dracula», de Terence Fisher (1958) e «A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça» (1999)
«Pintores e Raparigas», de Frank Tashlin (1955) e «A Grande Aventura de Pee Wee» (1985)
«Jason and the Argonauts», de Don Chaffey (1963) e «James e o Pêssego Gigante», de Henry Selick (1996)
«Repulsa» de Roman Polanski (1965) e «Batman Regressa» (1992)
«Theatre of Blood», de Douglas Hickox (1973) e «Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro de Fleet Street» (2007)
«O Mundo Perdido», de Harry O. Hoyt (1925) e «A Noiva Cadáver» (2005)
«O Fantasma Apaixonado», de Joseph L. Mankiewicz (1947) e «O Grande Peixe» (2003)
«8 1/2», de Federico Fellini (1963) e «Os Fantasmas Divertem-se» (1988)

Mais informações sobre a exposição neste link. Para quem não poder ir fica um cheirinho do que poderá ser visto em Toronto:

Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko (2010)

«Os Miúdos Estão Bem» é um retrato de uma família composta por duas mães e dois filhos que começa a atravessar uma fase de turbulência quando um dos jovens decide conhecer o pai biológico. Só esta frase poderia afastar muita gente do filme, devido a preconceitos de cariz sexual, mas este é um retrato de uma família normal que acontece ter duas mães em vez de um pai e uma mãe. E uma família normal porque Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), as duas mães que compõem o casal de lésbicas educaram os seus petizes Joni (Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton) e Laser (Josh Hutcherson), como se fossem uma família tradicional. O seu comportamento apenas se vem alterar quando se dá o encontro com Paul (Mark Ruffalo), o dador de esperma que foi utilizado pelas duas para engravidarem.

Além desta faceta do choque entre três personagens que nada têm em comum, «Os Miúdos Estão Bem» aborda também a questão da adolescência e o despertar para a sexualidade por parte dos dois filhos. A rapariga está prestes a entrar para a faculdade e a abandonar o lar enquanto o rapaz faz as tropelias normais de um jovem inconsciente ao lado de um amigo bastante parvo, que parece saído da série Jackass. Com excepção de Mark Rufallo, que faz um papel de personagem engraçadinha mas sem graça, todos os elementos da família têm uma boa prestação, sobretudo as duas mães, que têm uma excelente química. Quase que parece que estão a interpretar um casal a sério.

Estamos assim perante uma comédia dramática que precisava de ir um pouco mais longe para produzir o efeito desejado. O problema é que «Os Miúdos Estão Bem» não consegue ser atingir o alvo na maioria das cenas mais cómicas (por exemplo, penso que a personagem do jardineiro que ajuda Jules podia ter sido melhor aproveitada) e as cenas dramáticas também pecam por não ser convincentes. Um bom filme para ver numa tarde de fim-de-semana.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

domingo, 21 de novembro de 2010

Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami (2010)

(Crítica com spoilers)

Despachemos já a coisa: «Cópia Certificada» é um dos melhores filmes que vi estrear durante este ano. O mais recente filme do iraniano Abbas Kiarostami tem tanto de belo como de simples e é daqueles que por muito que escreva nunca hei-de conseguir dizer quão bom é. Esta é a história de um escritor (William Shimell) que vai a Itália apresentar o seu mais recente livro. No dia seguinte à apresentação vai ter com uma mulher, dona de uma loja de antiguidades (Juliette Binoche), e juntos vão dar um passeio por uma pequena vila da Toscana. (o spoiler vem a seguir)

Durante este passeio vamos descobrindo que afinal os dois não são apenas dois desconhecidos que nutrem uma admiração mútua pelo respectivo trabalho mas antes um casal que atravessa uma fase bastante complicada. O que começa por ser uma reflexão sobre a arte e o que é original e uma cópia, transforma-se numa discussão sobre o amor e como segurar um casamento à beira da ruína. Quase que podemos ver neste «Cópia Certificada» uma 'cópia' de outro belo filme: «Viagem em Itália», de Roberto Rossellini. E até o próprio título roça o genial, de tão perfeito que é.

Praticamente apenas com dois actores, sem descurar o papel dos inúmeros secundários que em certos casos ajudam ao desenrolar da história, Abbas Kiarostami faz um excelente retrato daquela relação complicada, que acabamos por não saber se vai ou acabar bem. Os dois actores principais estão magistrais. Binoche já não é surpresa nenhuma, pois assegura mais uma bela interpretação, mas William Shimell é uma boa surpresa, sobretudo sabendo que não é um actor de raiz, antes um barítono. Um grande filme que merece bem ser visto em sala.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

Dos Homens e Dos Deuses, de Xavier Beauvois (2010)

Baseado num acontecimento verídico, o massacre de um grupo de monges que habita num mosteiro situado numa aldeia argelina durante a Guerra Civil do país, «Dos Deuses e Dos Homens» pode-se considerar mais um filme que foca um tema bastante actual, apesar de a acção ter lugar em 1996. Com esta nova longa metragem Xavier Beauvois foca o conflito de religiões e o papel que estas têm na sociedade.

Este podia bem ser um filme para provocar uma reflexão sobre um tema complexo e penso que é o único objectivo que consegue atingir, de espaços a espaços, se tivermos um bocado de paciência. O problema de «Dos Deuses e Dos Homens» é que acaba por se tornar um pouco maçudo passado pouco tempo. A narrativa custa a desenvolver e parece que Xavier Beauvois não conseguiu dar muito espaço às personagens, deixando-as por ali a vaguear. Ainda mais no caso dos habitantes da aldeia, mesmo notando que há ali uma cumplicidade destes com os monges, há muitos espaços em branco que ficaram por preencher.

«Dos Deuses e Dos Homens» não deixa contudo de ter algumas boas cenas e uma bela fotografia, sobretudo nas cenas em que se retrata os períodos de reflexão do grupo de monges. Fora isso, tudo parece ter-se perdido.

Nota: 2/5

Site do filme no IMDB

sábado, 20 de novembro de 2010

O Rei da Evasão, de Alain Guiraudie (2009)

Se há filmes que não têm pés nem cabeça, «O Rei da Evasão» é um deles. Com a agravante de ser um mau filme. Armand Lacourtade (Ludovic Berthillot) é um vendedor de tractores homossexual que vive numa localidade do interior de França. A sua vida muda quando salva a jovem Curly (Hafsia Herzi, a jovem actriz que se estreou em «O Segredo de um Cuscuz», de Abdellatif Kechiche), uma adolescente de 16 anos filha de um vendedor rival de Armand, de ser violada. Até aqui é tudo mais ou menos sério. O problema é quando a rapariga resolve apaixonar-se por Armand, que por sua vez a vai raptar, e tudo deixa de ter sentido.

De repente temos um casal altamente improvável (uma jovem que está a descobrir o sexo e um homem de 43 anos gordo, com pouco a dever à beleza e homossexual) a fugir de tudo e de todos. O argumento perde completamente o sentido, pois não basta o casal ser estranho, também as restantes personagens são uma pior que a outra. Em suma, um filme que é uma perda de tempo, completamente inenarrável. E deixou-me sem vontade de ver um filme anterior de Alain Guiraudie que tinha uma certa curiosidade em ver: «Os Bravos Não Têm Descanso».

Nota: 1/5

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Banksy entre os pré-nomeados aos Óscares para Melhor Documentário

Depois de ter anunciado a lista dos pré-nomeados a Melhor Filme de Animação, a Academia divulgou hoje os 15 candidatos a candidatos a ganhar o Óscar para Melhor Documentário, escolhidos a partir de uma lista de 101 propostas. Uma das surpresas é a presença do filme «Exit through the Gift Shop» realizado por Banksy, o polémico e genial graffiter britânico que ninguém sabe quem é apesar de ser um dos mais conhecidos street artists da actualidade. Será desta que a sua identidade é revelada?

E os nomeados são:

«Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer», de Alex Gibney
«Enemies of the People», de Rob Lemkin e Thet Sambath
«Exit through the Gift Shop», de Banksy
«Gasland», de Josh Fox
«Genius Within: The Inner Life of Glenn Gould», de Michele Hozer e Peter Raymont
«Inside Job - A Verdade da Crise», de Charles Ferguson
«The Lottery», de Madeleine Sackler
«Precious Life», de Shlomi Eldar
«Quest for Honor», de Mary Ann Smothers Bruni
«Restrepo», de Tim Hetherington e Sebastian Junger
«This Way of Life», de Thomas Burstyn
«The Tillman Story», de Amir Bar-Lev
«Waiting for Superman», de Davis Guggenheim
«Waste Land», de Lucy Walker
«William Kunstler: Disturbing the Universe», de Emily Kunstler e Sarah Kunstler

Em Cartaz: Semana 18/11/2010

Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami
Yuki & Nina, de Nobuhiro Suwa e Hippolyte Girardot
Saw 3D, de Kevin Greutert
Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1, de David Yates
José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes
Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

RED - Perigosos, de Robert Schwentke (2010)

Baseado numa banda desenhada da DC Comics «RED - Perigosos» é um filme de puro entretenimento, que arranca bons momentos sem nunca ser nada de muito transcendente. O RED (não traduzo a sigla para não perder a piada) que dá nome ao título é Frank Moses (Bruce Willis) um ex-agente da CIA na reforma que começa a ser perseguido pelo Governo dos EUA quando está na pacatez do seu lar e prestes a partir ao encontro de Sarah Ross (Mary-Louise Parker), uma funcionária pública por quem se apaixonou ao telefone. Esta vê-se metida no meio de uma conspiração que envolve ainda outros agentes da antiga equipa de Frank, que participaram numa certa missão nos anos 1980.

Com um elenco cheio de actores veteranos (Helen Mirren, John Malkovich, Morgan Freeman, Brian Cox e o veteraníssimo Ernest Borgnine, actor que não sabia que ainda estava entre nós), «RED - Perigosos» é daqueles filmes que vemos sem dar muita atenção aos pormenores. É divertimento e basta, nunca quis ser nada mais do que isso. E o resultado até acaba por ser razoável, ao contrário de muitos filmes que se vêem por aí. Quase que podemos descrevê-lo com o ditado 'vale mais cair em graça do que ser engraçado'.

O argumento não tem pés nem cabeça, as personagens são cada uma mais maluca do que a outra (o Marvin Boggs de Malkovich está genial, para mim é uma das melhores personagens do ano) e há cenas que não lembram a ninguém, como por exemplo a saída de Frank Moses do carro da polícia em plena derrapagem. Mas «RED - Perigosos» passa no teste devido a mais um aspecto: parece que os actores se divertiram mesmo a fazer o filme. Se não o fizeram, disfarçaram todos muito bem.


Nota: 3/5

Site oficial do filme

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Hora do Lobby

Nunca tive muito jeito para fazer campanhas, mas aproveito para fazer mais um apelo ao voto n'«A Última Sessão» nos «TCN Blog Awards 2010». Para quem ainda não o fez ainda vai a tempo. A votação está a decorrer até ao final do mês e agradeço a participação de todos, pois cada voto será útil. E não compromete o futuro do país nem implica a vinda do FMI. Também confesso que achei uma certa piada fazer um trocadilho parvo com o título de um filme do Bergman.