quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Um filme, vários posters: Shutter Island, de Martin Scorcese (2010)


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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Nomeados aos Bafta 2011

Ainda a Sétima Arte não tinha arrefecido da cerimónia dos Globos de Ouro, eis que surgem as nomeações aos Bafta, os prémios da British Academy Film of Film and Television. «The King's Speech», de Tom Hooper, lidera a lista com 14 nomeações. Segue-se «Black Swan», de Darren Aronofsky, com 12 nomeações, «A Origem», de Christopher Nolan, com nove nomeações, e «127 Horas», de Danny Boyle, e «Indomável», dos irmãos Coen, com oito nomeações cada. «A Rede Social», de David Fincher, o grande vencedor dos Globos de Ouro, amealhou seis nomeações.

A lista completa dos nomeados é a seguinte:

Melhor Filme

«Black Swan», de Darren Aronofsky
«A Origem», de Christopher Nolan
«The King's Speech», de Tom Hooper
«A Rede Social», de David Fincher
«Indomável», de Ethan Coen e Joel Coen

Melhor Filme Britânico

«127 Horas», de Danny Boyle
«Another Year», de Mike Leigh
«Four Lions», de Chris Morris
«The King's Speech», de Tom Hooper
«Made In Dagenham», de Nigel Cole

Melhor Estreia de um Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico

Clio Barnard e Tracy O’Riordan por «The Arbor» (Realizador e Produtor)
Banksy e Jaimie D’Cruz por «Exit Through The Gift Shop» (Realizador e Produtor)
Chris Morris por «Four Lions» (Realizador/Argumentista)
Gareth Edwards por «Monsters» (Realizador/Argumentista)
Nick Whitfield por «Skeletons» (Realizador/Argumentista)

Melhor Realizador

Danny Boyle, por «127 Horas»
Darren Aronofsky, por «Black Swan»
Christopher Nolan, por «A Origem»
Tom Hooper, por «The King's Speech»
David Fincher, por «A Rede Social»

Melhor Argumento Original

Mark Heyman, Andrés Heinz e John McLaughlin, por «Black Swan»
Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson, por «The Fighter»
Christopher Nolan, por «A Origem»
Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg, por «Os Miúdos Estão Bem»
David Seidler, por «The King's Speech»

Melhor Argumento Adaptado

Danny Boyle e Simon Beaufoy, por «127 Horas»
Rasmus Heisterberg e Nikolaj Arcel por «Millennium 1. Os Homens que Odeiam as Mulheres»
Aaron Sorkin, por «A Rede Social»
Michael Arndt, por «Toy Story 3»
Joel Coen e Ethan Coen, por «Indomável»

Melhor Filme Estrangeiro

«Biutiful», de Alejandro González Iñárritu
«Millennium 1. Os Homens que Odeiam as Mulheres», de Niels Arden Oplev
«Eu Sou o Amor», de Luca Guadagnino
«Dos Deuses e Dos Homens», de Xavier Beauvois
«O Segredo dos Seus Olhos», de Juan José Campanella

Melhor Filme Animação

«Gru - O Maldisposto», de Chris Renaud e Pierre Coffin
«Como Treinares o Teu Dragão», de Dean DeBlois e Chris Sanders
«Toy Story 3», de Lee Unkrich

Melhor Actor Principal

Javier Bardem, em «Biutiful»
Jeff Bridges, em «Indomável»
Jesse Eisenberg, em «A Rede Social»
Colin Firth, em «The King’s Speech»
James Franco, em «127 Horas»

Melhor Actriz Principal

Annette Bening, em «Os Miúdos Estão Bem»
Julianne Moore, em «Os Miúdos Estão Bem»
Natalie Portman, em «Black Swan»
Noomi Rapace, em «Millennium 1. Os Homens que Odeiam as Mulheres»
Hailee Steinfeld, em «Indomável»

Melhor Actor Secundário

Christian Bale, em «The Fighter»
Andrew Garfield, em «A Rede Social»
Pete Postlethwaite, em «A Cidade»
Mark Ruffalo, em «Os Miúdos Estão Bem»
Geoffrey Rush, em «The King’s Speech»

Melhor Actriz Secundária

Amy Adams, em «The Fighter»
Helena Bonham Carter, em «The King’s Speech»
Barbara Hershey, em «Black Swan»
Lesley Manville, em «Another Year»
Miranda Richardson, em «Made in Dagenham»

Melhor Banda Sonora Original

AR Rahman, por «127 Horas»
Danny Elfman, por «Alice no País das Maravilhas»
John Powell, por «Como Treinares o Teu Dragão»
Hans Zimmer, por «A Origem»
Alexandre Desplat, por «The King's Speech»

Melhor Fotografia

Anthony Dod Mantle e Enrique Chediak por «127 Horas»
Matthew Libatique por «Black Swan»
Wally Pfister, por «A Origem»
Danny Cohen, por «The King's Speech»
Roger Deakins, por «Indomável»

Melhor Montagem

Jon Harris, por «127 Horas»
Andrew Weisblum, por «Black Swan»
Lee Smith, por «A Origem»
Tariq Anwar, por «The King's Speech»
Angus Wall e Kirk Baxter, por «A Rede Social»

Melhor Direcção Artística

Robert Stromberg e Karen O’Hara, por «Alice no País das Maravilhas»
Thérèse DePrez e Tora Peterson, por «Black Swan»
Guy Hendrix Dyas, Larry Dias e Doug Mowat, por «A Origem»
Eve Stewart e Judy Farr, por «The King's Speech»
Jess Gonchor e Nancy Haigh, por «Indomável»

Melhor Guarda Roupa

Colleen Atwood, por «Alice no País das Maravilhas»
Amy Westcott, por «Black Swan»
Jenny Beavan, por «The King's Speech»
Louise Stjernsward, por «Made in Dagenham»
Mary Zophres, por «Indomável»

Melhor Som

Glenn Freemantle, Ian Tapp, Richard Pryke, Steven C Laneri Douglas Cameron, por «127 Horas»
Ken Ishii, Craig Henighan e Dominick Tavella, por «Black Swan»
Richard King, Lora Hirschberg, Gary A Rizzo e Ed Novick, por «A Origem»
John Midgley, Lee Walpole e Paul Hamblin, por «The King's Speech»
Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff, Peter F Kurland e Douglas Axtell, por «Indomável»

Melhores Efeitos Visuais

«Alice no País das Maravilhas»
Dan Schrecker, por «Black Swan»
Tim Burke, John Richardson, Nicolas Ait'Hadi e Christian Manz, por «Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1»
Chris Corbould, Paul Franklin, Andrew Lockley e Peter Bebb, por «A Origem»
«Toy Story»

Melhor Maquilhagem

«Alice no País das Maravilhas»
Judy Chin e Geordie Sheffer, por «Black Swan»
Amanda Knight e Lisa Tomblin, por «Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1»
Frances Hannon, por «The King's Speech»
Lizzie Yianni Georgiou, por «Made in Dagenham»

Melhor Curta-Metragem Animada

«The Eagleman Stag», de Michael Please
«Matter Fisher, de David Prosser
«Thursday», de Matthias Hoegg

Melhor Curta-Metragem

«Connect», de Samuel Abrahams e Beau Gordon
«Lin», de Piers Thompson e Simon Hessel
«Rite», de Michael Pearce, Ross McKenzie e Paul Welsh
«Turning», de Karni Arieli, Saul Freed, Alison Sterling e Kat Armour-Brown
«Until The River Runs Red», de Paul Wright e Poss Kondeatis

Melhor Actor Revelação

Gemma Arterton
Andrew Garfield
Tom Hardy
Aaron Johson
Emma Stone

Biblioteca Cinematográfica: As Vinhas da Ira, de John Steinbeck

O livro: Publicado em 1939, no final da Grande Depressão dos EUA, «As Vinhas da Ira» é um livro com duas facetas: por um lado é o retrato de uma família à procura de uma vida melhor, que atravessa os EUA para tentar a sua sorte na apanha da laranja, por outro é um retrato de vários episódios, narrados como se fossem reportagens, sobre a vida naquela época nos EUA. Estes dois retratos são apresentados por John Steinbeck em capítulos intercalados. O resultado final é uma obra duríssima, com imagens muito fortes da família Joad (que podia ser outra qualquer), que parte do Oklahoma, onde não consegue nada das suas terras e o banco lhes levou o dinheiro, para a Califórnia, onde tentam arranjar trabalho. A viagem é feita num velho automóvel, comprado à custa de muito esforço, que mal aguenta com a carga. Quando chegam ao destino vêem que nem tudo é perfeito no paraíso. Em as «Vinhas da Ira» Steinbeck dá-nos um olhar bastante forte sobre as condições dos sem terra nos EUA, a terra dos sonhos, e as injustiças que sofrem. O final é terrível, deixa-nos sem pinga de sangue. John Steinbeck ganharia o Prémio Pulitzer com esta obra.

O filme: A adaptação ao Cinema de «As Vinhas da Ira» tem lugar um ano após a sua publicação e ficou a cargo de, nem mais nem menos do que John Ford. Este foi também um dos primeiros 25 filmes seleccionados pela Biblioteca do Congresso para preservação futura. Com uma interpretação assombrosa de Henry Fonda, no papel de Tom Joad, esta adaptação não é muito fiel ao original, pois ao contrário do livro, tem um final de certa forma feliz. Sem nada a ver com a obra de Steinbeck. Mesmo em algumas das cenas do filme, as personagens parecem pertencer a outra obra que não «As Vinhas da Ira» imaginadas pelo escritor, muito mais optimista. E há vários episódios de relevo que ficaram de fora, fruto da política dos estúdios da época. Estes pormenores não retiram contudo mérito à obra de John Ford, que acabaria por ganhar dois Óscares em seis nomeações: para Melhor Realizador e Melhor Actriz Secundária (Jane Darwell).

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vencedores dos Globos de Ouro 2010

Foi ontem a cerimónia dos Globos de Ouro de 2010, os principais prémios de Cinema antes dos Óscares. «A Rede Social», de David Fincher, foi o grande vencedor da noite ao levar para casa quatro estatuetas: Melhor Filme Drama, Melhor Realizador, Melhor Argumento e Melhor Banda Sonora. De destacar ainda os dois Globos de Ouro recebidos por «Os Miúdos Estão Bem», de Lisa Cholodenko (Melhor Filme Comédia/Musical e Melhor Actriz em Comédia/Musical para Annete Bening), e por «The Fighter», de David O. Russell (Melhor Actriz Secundária e Melhor Actor Secundário, Melissa Leo e Christian Bale, respectivamente).

A lista dos vencedores foi esta (vencedores a negrito):

Melhor Filme Drama

«Cisne Negro», de Darren Aronofsky
«The Fighter», de David O. Russell
«A Origem», de Christopher Nolan
«The King's Speech», de Tom Hooper
«A Rede Social», de David Fincher

Melhor Actriz em Drama

Halle Berry, em «Frankie and Alice», de Geoffrey Sax
Nicole Kidman, em «Rabbit Hole», de John Cameron Mitchell
Jennifer Lawrence, em «Winter's Bone», de Debra Granik
Natalie Portman, em «Cisne Negro», de Darren Aronofsky
Michelle Williams, em «Blue Valentine», de Derek Cianfrance

Melhor Actor em Drama

Jesse Eisenberg, em «A Rede Social», de David Fincher
Colin Firth, em «The King's Speech», de Tom Hooper
James Franco, em «127 Horas», de Danny Boyle
Ryan Gosling, em «Blue Valentine», de Derek Cianfrance
Mark Wahlberg, em «The Fighter», de David O. Russell

Melhor Filme Comédia/Musical

«Alice no País das Maravilhas», de Tim Burton
«Burlesque», de Steve Antin
«Os Miúdos Estão Bem», de Lisa Cholodenko
«Red - Perigosos», de Robert Schwentke
«O Turista», de Florian Henckel von Donnersmarck

Melhor Actriz em Comédia/Musical

Annete Bening, em «Os Miúdos Estão Bem», de Lisa Cholodenko
Anne Hathaway, em «Love and Other Drugs», de Edward Zwick
Angelina Jolie, em «O Turista», de Florian Henckel von Donnersmarck
Julianne Moore, em «Os Miúdos Estão Bem», de Lisa Cholodenko
Emma Stone, em «Easy A», de Will Gluck

Melhor Actor em Comédia/Musical

Johnny Depp, em «Alice no País das Maravilhas», de Tim Burton
Johnny Depp, em «O Turista», de Florian Henckel von Donnersmarck
Paul Giamatti, em «Barney's Version», de Richard J. Lewis
Jake Gyllenhaal, em «Love and Other Drugs», de Edward Zwick
Kevin Spacey, em «Casino Jack», de George Hickenlooper

Melhor Filme Animação

«Gru - O Maldisposto», de Pierre Coffin e Chris Renaud
«Como Treinares o Teu Dragão», de Dean DeBlois e Chris Sanders
«O Ilusionista», de Sylvain Chomet
«Entrelaçados», de Nathan Greno e Byron Howard
«Toy Story 3», de Lee Unkrich

Melhor Filme Estrangeiro

«Biutiful», de Alejandro González Iñárritu (México/Espanha)
«O Concerto», de Radu Mihaileanu (França)
«The Edge», de Aleksei Uchitel (Rússia)
«Eu Sou o Amor», de Luca Guadagnino (Itália)
«In a Better World», de Susanne Bier (Dinamarca)

Melhor Actriz Secundária

Amy Adams, em «The Fighter», de David O. Russell
Helena Bonham Carter, em «The King's Speech», de Tom Hooper
Mila Kunis, em «Cisne Negro», de Darren Aronofsky
Melissa Leo, em «The Fighter», de David O. Russell
Jacki Weaver, em «Animal Kingdom», de David Michôd

Melhor Actor Secundário

Christian Bale, em «The Fighter», de David O. Russell
Michael Douglas, em «Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, de Oliver Stone
Andrew Garfield, em «A Rede Social», de David Fincher
Jeremy Renner, em «A Cidade», de Ben Affleck
Geoffrey Rush, em «The King's Speech», de Tom Hooper

Melhor Realizador

Darren Aronofsky, por «Cisne Negro»
David Fincher, por «A Rede Social»
Tom Hooper, por «The King's Speech»
Christopher Nolan, por «A Origem»
David O. Russell, por «The Fighter»

Melhor Argumento

Danny Boyle e Simon Beaufoy, por «127 Horas»
Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg, por «Os Miúdos Estão Bem»
Christopher Nolan, por «A Origem»
David Seidler, por «The King's Speech»
Aaron Sorkin, por «A Rede Social»

Melhor Banda Sonora Original

Alexandre Desplat, por «The King's Speech»
Danny Elfman, por «Alice no País das Maravilhas»
A.R. Rahman, por «127 Horas»
Trent Reznor e Atticus Ross, por «A Rede Social»
Hanns Zimmer, por «A Origem»

Melhor Música Original

«Bound To You», em «Burlesque»
«Coming Home», em «Country Strong»
«I See The Light», em «Entrelaçados»
«There's a Place For Us», em «As Crónicas de Nárnia: A Viagem do Caminheiro da Alvorada»
«You Haven't Seen The Last Of Me», em «Burlesque»

A lista completa dos premiados, incluindo os prémios para TV, pode ser consultada neste link.

Banda Sonora: Dead Souls, de Nine Inch Nails


Dead Souls, de Nine Inch Nails (original dos Joy Division) - Banda Sonora de «O Corvo», de Alex Proyas (1994)

O Anjo Exterminador, de Luís Buñuel (1962)

Algo de estranho se passa na Rua da Providência. Um grupo de personalidades de classe alta regressa de um espéctaculo musical para jantar e depois de passar um serão prolongado na casa do anfitrião Edmundo Nobile acaba por ficar por lá a dormir. O pior acontece na manhã seguinte, quando descobrem que não conseguem sair da sala onde pernoitaram. E não sabem porquê. Nem nós ficamos a saber, pois «O Anjo Exterminador» não nos dá respostas.

O que não significa que não seja um dos melhores filmes que o Cinema nos deixou. Realizado por Luís Buñuel é um dos expoentes máximos do cineasta espanhol, que uma vez mais leva o absurdo a níveis geniais. Começa logo quando os criados abandonam sem razão aparente a casa, no mesmo momento em que entram os convidados. Depois vemos a troca de ordem dos pratos: primeiro entra o prato principal (que acaba por não entrar) e só depois as entradas. Até chegarmos à tal manhã em que ninguém consegue (ou não quer) sair da sala. Do lado de fora da casa acontece o mesmo. Por razões inexplicáveis ninguém consegue entrar na casa para falar com quem lá está.

Ao mesmo tempo «O Anjo Exterminador» não deixa de ser um excelente retrato dos seres humanos quando se vêem em situações extremas. E claro, não faltam as célebres alfinetadelas de Buñuel a dois dos seus ódios de estimação: a Religião e a Burguesia. A Religião está presente logo no início com o plano que nos mostra que estamos na Rua da Providência. Já dentro de casa são várias as cenas em que o divino se imiscui com o (comportamento) profano. Há promessas para ir a Lourdes em peregrinação com o propósito de comprar uma imagem da Nossa Senhora em borracha lavável (pormenor de humor divinal, diria), imagens de santos nas paredes e até ataques ao padre jesuíta que toma conta das crianças de um dos casais aprisionados, quando o marido diz à esposa que já notou que a sua esposa estava a ser seduzida pelo preceptor dos seus filhos. A Igreja volta a ser atacada no genial final (não conto, pois vale mesmo a pena ver, por muito absurdo que seja).

As criticas à Burguesia estão no próprio comportamento das personagens. A mesquinhez e os ódiozinhos entre alguns, as acusações de que os donos da casa são os responsáveis por estarem ali aprisionados, a forma como tratam um dos convivas que entretanto morreu. Em suma, «O Anjo Exterminador» é uma obra ao absurdo e um dos grandes filmes de sempre, que vale a pena ver e rever. Esta foi a segunda vez que o vi e volto a recomendar vivamente.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

domingo, 16 de janeiro de 2011

Susannah York (1939-2011)

Morreu Susannah York, actriz nomeada para o Óscar de Melhor Actriz Secundária em «Os Cavalos Também Se Abatem», de Sydney Pollack. Actriz de origem britânica Susannah York estreou-se no Cinema em 1960 no filme «There Was a Crooked Man», realizado por Stuart Burge, tendo antes participado numa série televisiva ao lado de Sean Connery. Sempre com um pé no pequeno ecrã e outro grande, a actriz participou numa centena de filmes e séries, incluindo «Freud», de John Huston, «Tom Jones, Romântico e Aventureiro», de Tony Richardson, e três filmes da série «Super Homem». A sua última aparição dá-se em 2009 ao entrar em «The Calling», de Jan Dunn. No ano passado participou em duas séries televisivas. Faleceu aos 72 anos, vítima de cancro.

A Boneca do Diabo, de Tod Browning (1936)

Tod Browning sempre teve um certo gosto pelo bizarro e um dos seus filmes mais conhecidos é sem dúvida «Freaks», obra que relata a vingança de um grupo de criaturas de circo contra um casal de colegas perfeitos. Realizado em 1936, «A Boneca do Diabo» foi o penúltimo filme de Browning. Tal como muitos dos seus filmes anteriores remete para o mundo do fantástico e do horror. E uma vez mais para a vingança.

No centro de «A Boneca do Diabo» está a história de um banqueiro inocente, condenado por fraude, numa burla engendrada pelos seus três antigos sócios. Vários anos depois de passar na prisão Paul Lavond (Lionel Barrymore) consegue escapar com a ajuda de um companheiro de cela, o cientista, de certa forma louco, Marcel (Henry B. Walthall). O destino da fuga é precisamente a casa deste cientista e aí Lavond trava conhecimento com umas experiências que a esposa de Marcel tinha continuado a fazer a mando do marido: uma fórmula para reduzir o tamanho dos seres vivos para um sexto do seu tamanho original. O propósito de Marcel era bom, reduzir o tamanho das pessoas iria reduzir as necessidades de cada um, e por isso não haveria o problema da falta de recursos.

Mas esta técnica tinha um senão. Também o cérebro dos visados era reduzido, logo a pessoa ou animal que era reduzida não tinha autonomia. Esta autonomia só regressava através de ondas cerebrais de outra pessoa, que podia assim controlar os actos de quem era reduzido. Entretanto Marcel acaba por morrer e Lavond engendra um plano para utilizar as pequenas criaturas para avançar com a sua vingança. Ao mesmo tempo, e já na cidade, opta por se disfarçar de idosa para tentar reconquistar a sua filha, que pensava que o pai era um grande canalha.

«A Boneca do Diabo» é um clássico de terror dos anos 1930. Lionel Barrymore tem uma grande interpretação neste duplo papel, bastante convincente quando se transforma em Madame Mandelip, e os feitos especiais, mesmo que hoje em dia estejam completamente desactualizados, estão muito bem feitos. A forma como Browning conseguiu colocar os actores em miniatura nos cenários da 'gente grande' produz o efeito desejado, com as proporções bem feitas. Uma prova de que o cinema quando é bem feito consegue sempre ser mágico. O filme só peca pela parte final, já depois de consumada a vingança, quando se torna um bocado lamechas. Parece mesmo que o final foi apressado. Mas isso não deixa de tirar o mérito à obra do realizador de «Freaks».

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

O Turista, de Florian Henckel von Donnersmarck (2010)

Em 2006 Florian Henckel von Donnersmarck estreou-se em grande com a sua primeira longa metragem: o excelente «A Vida dos Outros», filme que lhe valeria o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Quatro anos depois o realizador alemão volta com um filme que não podia ser mais diferente. Ao contrário de «A Vida dos Outros», um filme mais narrativo, sobre a vida de um membro da polícia secreta da antiga República Democrática Alemã, «O Turista» é um filme de acção, remake de um filme francês de 2006 («Anthony Zimmer», de Jérôme Salle).

E o resultado é uma produção de Hollywood protagonizada por Angelina Jolie, que interpreta a namorada de um foragido às autoridades, e Johnny Depp, um turista que é apanhado no meio da perseguição. «O Turista» não é um bom filme de acção, antes um daqueles filmes perfeitos para se ver ao domingo à tarde para passar o tempo, pois praticamente se nota que os actores não quiseram ir mais longe. A história não é das melhores e as personagens são pouco convincentes, mesmo com as reviravoltas todas que ocorrem a partir da segunda metade do filme. E neste campo refiro-me mais à personagem do inspector John Acheson, interpretado por Paul Bettany. Não é possível um agente policial ser tão burro.

Pena que Florian Henckel von Donnersmarck tenha desperdiçado o seu talento num filme destes, mas se calhar foi um daqueles sapos que teve de engolir para tentar pôr um pé em Hollywood.

Nota: 2/5

Site oficial do filme

Belle du Jour: Angelina Jolie

Angelina Jolie, em «O Turista», de Florian Henckel von Donnersmarck

sábado, 15 de janeiro de 2011

Com quem gostaria de beber um copo: Bela Lugosi ou Boris Karloff?

Para a segunda sessão de copos n' «A Última Sessão» mais uma dupla de actores míticos, desta vez do cinema de terror.

De um lado o húngaro Bela Lugosi, um dos primeiros a encarnar o Conde Drácula no grande ecrã, no clássico «Dracula» de Todd Browning. De realçar que já antes Lugosi tinha participado numa peça da Broadway onde interpretava a mesma personagem. Mais tarde voltou ao género, interpretando vários papéis de filmes baseados em Frankenstein. O actor húngaro terminou os seus dias a trabalha com o mítico Ed Wood.

Do outro Boris Karloff, que apesar do nome estranho nasceu em Inglaterra, cujo primeiro papel de relevo é o monstro Frankenstein, papel que diz-se estaria destinado inicialmente a Bela Lugosi. Este pequeno pormenor talvez tenha estado na origem de uma relação mais fria entre os dois, que chegaram a entrar juntos em vários filmes, incluindo filmes da série em causa. Como actor de filmes de terror, Karloff entrou ainda em «A Múmia», de Karl Freund.

Apresentações feitas, chega o momento da verdade. Com qual destes dois cavalheiros gostariam de tomar um copo? E porquê? E já agora, que copo acham que os senhores gostariam de beber.

A minha resposta é: esta é difícil, mas opto por Bela Lugosi, em primeiro lugar porque gosto bastante de Drácula. Quanto ao que gostava de perguntar, questionava-o sobre os métodos de trabalho de Ed Wood.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Frase(s) que marcam um filme: Bullitt, de Peter Yates

Frank Bullitt: Look, you work your side of the street, and I'll work mine.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Em Cartaz: Semana 13/01/2011

Chantrapas, de Otar Iosseliani
Xeque à Rainha, de Caroline Bottaro
Tron: O Legado, de Joseph Kosinski
Complexo - Universo Paralelo, de Mário Patrocínio
Fora da Lei, de Rachid Bouchareb
Tu Que Vives, de Roy Andersson

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Um filme, vários posters: Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick (1971)

Espanha

Espanha

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Polónia

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Biblioteca Cinematográfica: Delírio em Las Vegas, de Hunter S. Thompson

O livro: «Delírio em Las Vegas», no original «Fear and Loathing in Las Vegas: A Savage Journey to the Heart of the American Dream», é um daqueles livros difíceis de catalogar. Escrito por Hunter S. Thompson, a sua primeira aparição dá-se em 1971 na revista Rolling Stone, onde foi publicado em duas partes. Um ano mais tarde chegou aos escaparates o livro. «Delírio em Las Vegas» é um dos exemplos do chamado Gonzo Journalism, um tipo de escrita jornalística em que o subjectivo e o ponto de vista do repórter dominam. Neste caso a reportagem incide na personagem de Raoul Duke que parte para Las Vegas num carro cheio de drogas e álcool em busca do Sonho Americano, acompanhado pelo seu advogado Dr. Gonzo.

É esta a experiência relatada por Hunter S. Thompson ao longo do livro, sem que se saiba se o que foi escrito correspondeu ou não à veracidade dos factos. Não é de admirar, tal a quantidade de drogas que couberam na mala do carro. Por exemplo, sabe-se que a personagem de Raoul Duke é autobiográfica, mas ninguém sabe se o Dr. Gonzo existiu de facto ou não. Há quem diga que se tratava de Oscar Zeta Acosta, que acompanhou Thompson por duas vezes a Las Vegas em 1971 na qualidade fonte de uma história que Thompson estaria a investigar.

A primeira viagem ocorre em Março aproveitando uma proposta da Sports Illustrated para acompanhar uma corrida no deserto. De acordo com o escritor, o resultado da sua prosa nasceu em 36 horas sozinho num quarto de hotel a escrever sobre as suas experiências num bloco de notas. Este primeiro texto foi rejeitado pela Sports Illustrated, mas um editor da Rolling Stone gostou da história e resolveu publicá-la, o que acaba por acontecer em Novembro de 1971.

Em Abril ocorre a segunda viagem a Las Vegas dos dois. Desta vez o objectivo de Hunter S. Thompson era cobrir uma conferência de procuradores distritais onde o tema era: droga. A conferência era só um pretexto para o jornalista recolher mais informação para a reportagem e o resultado foi mais uma trip em formato texto. Foram estas duas experiências a origem de «Delírio em Las Vegas», uma reportagem que deu um dos livros que é do mais estranho que há e ao mesmo tempo uma original obra sobre os efeitos da droga na primeira pessoa. Nunca sabemos ao certo se o que é relatado é fruto do que aconteceu ou nasceu do abuso das drogas por parte de Hunter S. Thompson.

O filme: «Delírio em Las Vegas» chega ao cinema em 1998 e tal como o livro em que se baseia, é uma obra de culto. Apesar de diversas tentativas para filmar mais um filme considerado infilmável, em projectos que envolveram nomes como Jack Nicholson e Marlon Brando, Dan Aykroyd e John Belushi, ou os realizadores Ralph Bakshi, Martin Scorsese, e Oliver Stone, foi o Monty Python Terry Gilliam que alcançou a proeza, num filme protagonizado por Johnny Depp, como Raoul Duke, e Benicio del Toro, como Dr. Gonzo.

Hunter S. Thompson terá sido fundamental na escolha da dupla, pois considerou que apenas Depp, de quem era amigo, poderia interpretar a sua personagem. Foi o próprio Thompson que deu luz verde à contratação de Gilliam. Apesar deste elenco e de ser baseado num livro de culto, os resultados de bilheteira foram desastrosos: pouco mais de 10 milhões de dólares, numa produção que custou 18 milhões.

O filme é um dos melhores de Terry Gilliam e é bem à imagem do realizador norte-americano, que recorre muitas vezes a animações para mostrar as alucinações das personagens. Logo a abrir vemos a dupla a fugir de morcegos inexistentes, que Raoul teima em considerar uma ameaça. Nessa mesma cena surge um dos muitos cameos do filme: Tobey Maguire. A partir daqui é sempre a abrir, de trip em trip. Johnny Depp está irreconhecível (careca) e tem um dos seus grandes papéis. A banda sonora, muito anos 1960/1970, e com destaque para os Jefferson Airplane, é perfeita para acompanhar esta viagem delirante pelos meandros de Las Vegas e o sonho americano. Mais um clássico dos anos 1990 que vale a pena ver ou rever.

Duas cenas para abrir o apetite:



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Peter Yates (1929-2011)

Morreu o realizador britânico Peter Yates. Vítima de doença prolongada o cineasta morreu em Londres aos 81 anos deixando como legado pelo menos um grande filme que fica na memória dos cinéfilos: «Bullitt», o policial protagonizado por Steve McQueen que tem uma das melhores cenas, se não mesmo a melhor, de perseguição automóvel da História do Cinema. Além de «Bullitt», realizado em 1968 e que foi apenas a sua quarta obra, recebeu quatro nomeações para os Óscares, ambas para Melhor Filme e Melhor Realizador: em 1980 com «Os Quatro da Vida Airada» e em 1984 com «O Companheiro».

A carreira de Peter Yates começou no final dos anos 1950, princípio dos anos 1960, quando foi realizador assistente em vários filmes, entre os quais «Os Canhões de Navarone», de J. Lee Thompson. A sua estreia na realização dá-se em 1963 com «Mocidade em Férias», musical interpretado por Cliff Richard. Até se tornar realizador de cinema a tempo inteiro, em 1967, Peter Yates realiza ainda episódios das séries de televisão «Danger Man» e «O Santo».

Em 1968 dá o grande salto para os EUA para filmar o já referido «Bullit». A partir daí dirige nomes como Mia Farrow e Dustin Hoffman, Peter O'Toole, Robert Mitchum, Raquel Welch e Jacqueline Bisset, entre outros. Teve uma carreira de 28 títulos nas várias décadas, até 1999 quando filma «Curtain Call». Na primeira década deste século realiza apenas dois telefilmes: «Don Quixote» e «A Separate Peace». Para recordar Peter Yates a tal cena de «Bullitt».

Banda Sonora: Rivers of Babylon, de Boney M


Rivers of Babylon, de Boney M - Banda Sonora de «Tulpan», de de Sergei Dvortsevoy (2008)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Tulpan, de Sergei Dvortsevoy (2008)

Para quem apenas conhece o Cazaquistão através da personagem Borat, criada pelo comediante Sacha Baron Cohen, «Tulpan» não é o filme indicado. Ao contrário do jornalista cazaque, «Tulpan» retrata as peripécias do jovem Asa que regressou da Marinha e vive nas estepes do Cazaquistão a ajudar o seu cunhado pastor. Um dos objectivos de Asa é tentar encontrar uma esposa para conseguir que lhe dêem um rebanho de ovelhas para tomar conta. A Tulpan que dá o nome ao filme de Sergei Dvortsevoy, que se estreia aqui na ficção, é a tal esposa que o jovem tanto procura. Só que Tulpan tem outros planos. Além de rejeitar o pretendente, por achar que ele tem orelhas grandes, prefere fugir da estepe em busca do sonho da grande cidade, onde pode estudar.

Aos olhos ocidentais «Tulpan» parece uma comédia, mas é um daqueles filmes sérios de uma humanidade gigantesca. Todas as personagens representam pessoas que vivem em condições bastante diferentes das nossas para conseguirem sobreviver. E todas têm gosto em viver, apesar das dificuldades. Algo que nós, nos nossos mundos apressados, nem sempre nos podemos gabar. Não sendo um daqueles filmes que marcam, «Tulpan» faz lembrar um pouco os filmes de Kusturica, apenas para citar um nome mais conhecido. Tem episódios caricatos, como aquele em que um amigo de Asa (uma das personagens mais mirabolantes de «Tulpan», que considera pornografia arte e passa a vida no seu tractor a ouvir «Rivers of Babylon», dos Boney M. como se fosse a melhor música do mundo) tenta comparar as orelhas do jovem com as do Príncipe Carlos ou a cena da visita do veterinário, mas também alguns sérios, como quando Asa conta o seu sonho a Tulpan, numa das mais belas cenas do filme.

Mas «Tulpan» acaba por falhar porque tem um argumento de certa forma fraco. A história em si é uma boa premissa, mas avança aos soluços e os episódios parece que não têm grande fluidez. A própria maneira de filmar de Sergei Dvortsevoy está bastante agarrada ao documentário. Basta ver a cena em que Asa ajuda uma ovelha a dar à luz. As cenas da natureza também são muito belas e espelham bem a aridez das estepes do Cazaquistão. A estreia de Sergei Dvortsevoy na ficção pode ser quase visto como a outra face de «Borat».

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

Belle du jour: Brigitte Bardot

Brigitte Bardot, em «O Desprezo», de Jean-Luc Godard

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Última Estação, de Michael Hoffman (2009)

Tal como acontece com muitos filmes, «A Última Estação» chegou às salas de cinema portuguesas com muitos meses de atraso. Mesmo com duas nomeações para os Óscares (independentemente de se gostar ou não dos prémios) a distribuição lá conseguiu encaixotar o último filme de Michael Hoffman no final do ano passado. E apesar de não ser um grande filme, vale pela excelente interpretação da britânica Helen Mirren, que volta a provar que está em estado de graça. A nomeação aos Óscares foi mais do que justa.

«A Última Estação» é a adaptação de um romance homónimo escrito por Jay Parini sobre os últimos dias da vida do escritor Lev Tolstoi (Christopher Plummer), autor de clássicos como «Guerra e Paz» ou «Anna Karenina». Durante esse período o escritor russo tinha virado uma espécie de messias com seguidores de uma doutrina que rejeitava os bens materiais. Esta faceta não agradou à sua esposa Sofya Tolstoi (Helen Mirren), que teme a perda da herança e dos direitos das obras do marido para aquilo que um dos seus melhores amigos, Vladimir Chertkov (Paul Giamatti), diz ser legar os direitos à Humanidade.

Inicialmente o filme começa por ser a história de Valentin Bulgakov (James McAvoy), um jovem que se torna secretário do escritor, personalidade que vê como herói. Esta deveria ser a história principal, mas cedo é 'abafada' pela história do casal Tolstoi, o que acaba por retirar alguma força ao filme. Isso e o facto de o argumento se dispersar nas histórias secundárias.

E o simples facto de Helen Mirren dominar todas as cenas em que entra faz com que as restantes personagens 'desapareçam'. Uma delas, a de Vladimir Chertkov, merecia ter sido mais aprofundada. Mesmo com os esforços de Paul Giamatti, que consegue estar bem, as suas aparições quase de fugida não conseguem ajudar a dar corpo ao vilão que deveria ser. O mesmo acontece com o personagem de McAvoy, supostamente o principal, que perde o protagonismo para a esposa de Tolstoi. Mas uma vez mais, só para ver Helen Mirren em grande forma, já vale a pena ver «A Última Estação».

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Com quem gostaria de beber um copo: Sylvester Stallone ou Arnold Schwarzenneger?

Para estrear esta nova rubrica semanal dois pesos pesados do cinema de acção dos anos 1980/1990.

De um lado Sylvester Stallone, que conta com dois monstros sagrados do cinema de acção no currículo: Rocky Balboa e John Rambo. Além da sua participação em 56 filmes como actor, um dos quais realizado por Woody Allen («Bananas»), Stallone realizou 8 filmes. Fala-se na realização de uma sequela de «Os Mercenários», filme que juntou a nata da nata dos heróis de acção dos anos 1980 no ano passado, mas por enquanto ainda são só rumores.

Do outro Arnold Schwarzenneger. Agora que deixou o cargo de governador da Califórnia intérprete de «Exterminador Implacável» e «Conan e os Bárbaros» poderá voltar ao grande ecrã. Além de ter entrado em diversas fitas de acção, Schwarzenneger tentou a sua sorte em algumas comédias, mas o resultado não foi o melhor, com excepção de «Gémeos», onde o outro gémeo era...Danny DeVito. Também correm rumores que o austríaco se prepara para se sentar na cadeira de realizador. Cadeira que já ocupou em 1992 quando filmou o telefilme «Um Natal em Connecticut».

Apresentações feitas, chega o momento da verdade. Com qual destes dois cavalheiros gostariam de tomar um copo? E porquê? E já agora, que copo acham que os senhores gostariam de beber.

A minha resposta é: bebia um bom whisky velho acompanhado de um charuto com Arnold Schwarzenneger e aproveitava para lhe perguntar os seus planos futuros. Ou o que achou da prestação de Adrien Brody no remake de «Predador».

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Divulgada longlist dos prémios Bafta

Foi divulgada hoje a longlist dos British Academy Film Awards 2011, os prémios Bafta. Daqui vão sair os nomeados finais, a conhecer no próximo dia 18 de Janeiro. A cerimónia de entrega dos prémios está marcada para o dia 13 de Fevereiro.

Os pré-nomeados na categoria de Melhor Filme são:

127 Horas, de Danny Boyle
Another Year, de Mike Leigh
O Cisne Negro, de Darren Aronofsky
The Fighter, de David O. Russell
Millennium 1. Os Homens que Odeiam as Mulheres, de Niels Arden Oplev
A Origem, de Christopher Nolan
Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko
O Discurso do Rei, de Tom Hooper
Made In Dagenham, de Nigel Cole
Shutter Island, de Martin Scorcese
A Rede Social, de David Fincher
A Cidade, de Ben Affleck
Toy Story 3, de Lee Unkrich
Indomável, de Ethan Coen e Joel Coen
Winter’s Bone, de Debra Granik

Os únicos nomeados anunciados hoje foram os Filmes Estrangeiros:

Biutiful, de Alejandro González Iñárritu
Millennium 1. Os Homens que Odeiam as Mulheres, de Niels Arden Oplev
Eu Sou o Amor, de Luca Guadagnino
Dos Homens e dos Deuses, de Xavier Beauvois
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella

A lista completa por ser consultada aqui (Word) ou aqui (PDF)

Frase(s) que marcam um filme: Em Nome do Pai, de Jim Sheridan

Gerry Conlon: Was I always bad, was I?
Giuseppe Conlon: Not always.
Gerry Conlon: I don't deserve to spend the rest of my life in here do I?
Giuseppe Conlon: All they done was block out the light.
[points to his head]
Giuseppe Conlon: They can't block out the light in here.

Diálogo entre Gerry (Daniel Day-Lewis) e Giuseppe Conlon (Pete Postlethwaite) no filme «Em Nome do Pai», de Jim Sheridan. O papel de Giuseppe Conlon valeu a Pete Postlethwaite, falecido esta semana, a sua única nomeação para um Óscar, na categoria de Melhor Actor Secundário.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Em Cartaz: 06/01/2011

Que Mais Quero Eu, de Silvio Soldini
O Preço da Traição, de Atom Egoyan
O Turista, de Florian Henckel von Donnersmarck

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Anne Francis (1930-2011)

A semana cinematográfica volta a ser assombrada com mais uma morte depois de Pete Postlethwaite, foi a vez de partir Anne Francis, também vítima de cancro. Tal como o actor britânico, Anne Francis veio dos palcos, onde se estreou aos 11 anos. Ao longo da sua carreira dividiu a sua presença em filmes para o grande ecrã e séries televisivas. A carreira televisiva levou-a mesmo a ganhar um Globo de Ouro em 1966 pelo seu papel na série «Honey West». Mas uma suas interpretações mais famosas surge em 1956, quando entra no filme de ficção científica «Planeta Proibido». A sua última aparição teve lugar em 2004, num episódio da série «Sem Rasto».

Um filme, vários posters: Pulp Fiction, de Quentin Tarantino (1994)

Alemanha

Austrália

EUA

EUA

Holanda

Índia

Japão

Reino Unido

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Biblioteca cinematográfica: Trainspotting, de Irvine Welsh

O livro: Publicado em 1993 «Trainspotting» é o romance de estreia do escocês Irvine Welsh. Tal como o escritor, as personagens são oriundas do bairro de Leith, um subúrbio de Edimburgo. Em «Trainspotting» travamos conhecimento com um grupo de jovens sem grandes perspectivas de futuro, que vivem à espera da próxima bebedeira, da próxima dose de heroína ou da próxima sessão de pancadaria. Tudo depende dos vícios de cada um. Uma das características que diferente da adaptação cinematográfica, assinada por Danny Boyle em 1996, é o facto de o livro estar dividido por capítulos contados na primeira pessoa pelos vários personagens principais: Mark Renton, Simon "Sick Boy" Williamson (Marado, na versão portuguesa), Daniel "Spud" Murphy (Batata), Francis "Franco" Begbie, Davie Mitchell e Tommy Laurence. Uma excelente obra que retrata o final dos anos 1980 e início dos anos 1990 e as dificuldades da juventude britânica e a forma como encaram os problemas da época, como as drogas, o desemprego, a Sida, entre outros aspectos. Em 2002 Irvine Welsh voltou a estas personagens na sequela «Porno» e está prevista para 2012 a publicação de uma prequela, com o nome de Skagboys. A título de curiosidade, Irvine Welsh começou a aventurar-se no Cinema em 2007, quando realizou a curta-metragem «Nuts». Desde então já filmou o documentário «The New Ten Commandments» (2008) e a longa «Good Arrows» (2009). Para 2011 está prevista a estreia de mais uma longa metragem: «The Magnificent Eleven».

O filme: «Trainspotting» foi adaptado ao grande ecrã em 1996 por Danny Boyle, sendo na altura a sua segunda longa-metragem e um dos melhores filmes do cineasta até à data. Ao contrário do livro, que relata a história do grupo de amigos, o filme centra-se na personagem de Mark Renton, interpretado por Ewan McGregor. A interpretação do então muito jovem McGregor, (tinha 25 anos e três filmes no currículo), foi o pontapé de saída para a carreira daquele que é actualmente um dos grandes actores britânicos da actualidade. Apesar desta aparente limitação e pouca fidelidade ao livro, o «Trainspotting» de Danny Boyle continua a ser um dos grandes filmes de culto dos anos 1990, com uma banda sonora bastante conhecida, da qual ficou famoso o tema «Born Slippy», dos Underworld. No restante elenco encontramos actores como Ewen Bremner (Batata), Jonny Lee Miller (Marado), Kevin McKidd (Tommy), Robert Carlyle (Begbie, uma das personagens mais bem conseguidas do filme, a par de Batata). O filme foi ainda nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Adaptado, tendo perdido para «O Arremesso», assinado por Billy Bob Thornton. Irvine Welsh tem um pequeno cameo.

Para recordar o filme, ficam dois vídeos com duas das grandes cenas de «Trainspotting»: a primeira quando Mark Renton tem uma overdose (pode chocar algumas sensibilidades) e a segunda é uma entrevista de emprego com Batata.



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pete Postlethwaite (1946-2011)

O ano cinematográfico de 2011 começa mal com a morte de Pete Postlethwaite, actor inglês nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário em 1993 pelo seu papel no filme «Em Nome do Pai», de Jim Sheridan. Tal como grande parte dos actores britânicos, Pete Postlethwaite veio do Teatro, onde chegou a fazer parte da Royal Shakespeare Company durante os anos 1980. A sua estreia na Sétima Arte dá-se em 1977 no filme «O Duelo», de Riddley Scott, mas apenas 11 anos mais tarde, em 1988 que vê reconhecido o seu talento, ao participar em «Vozes Distantes, Vidas Suspensas», de Terence Davies.

Foi nesse ano que deu o salto para Hollywood e começa a acumular papéis em filmes de realizadores bastante diversos, como «Hamlet», de Franco Zeffirelli, «Alien 3», de David Fincher, «O Último dos Moicanos», de Michael Mann, «Os Suspeitos do Costume», de Bryan Singer, «Romeu + Julieta», de Baz Luhrmann, ou «O Mundo Perdido: Jurassic Park» e «Amistad», de Steven Spielberg. As suas últimas aparições de relevo foram ainda em 2010 nos filmes «A Cidade», de Ben Affleck, e «A Origem», de Christopher Nolan. Para 2011 está prevista a estreia de «Killing Bono», uma comédia de Nick Hamm que será a sua interpretação.

Pete Postlethwaite morreu aos 64 anos, vítima de cancro.

Banda Sonora: In the Name of the Father, de Bono & Gavin Friday


In the Name of the Father, de Bono & Gavin Friday - Banda Sonora de «Em Nome do Pai», de Jim Sheridan (1993)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Plano de actividades para 2011

Ano novo, vida nova, lá diz o ditado. Aqui n' «A Última Sessão» 2011 vai trazer algumas novidades. Para acabar com a preguiça e obrigar-me a publicar pelo menos um post por dia, cada dia vai ter uma secção específica. Algumas vão ser mais dirigidas aos leitores, outras serão mais curiosidades acerca da Sétima Arte. Claro que as críticas e uma ou outra notícia vão continuar a surgir. Para deixar já no ar alguma expectativa (ou não), deixo-vos o plano de actividades para o próximo ano:

Segunda-feira - Banda Sonora: esta já é conhecida. Todas as segundas entrará uma música nova. A partir deste ano vou tentar preferência a músicas ligadas a filmes.

Terça-feira - Livros Adaptados ao Cinema: com bons ou maus resultados, inúmeras obras literárias já foram transpostas para o grande ecrã. Às terças-feiras vai ser esse o tema por aqui.

Quarta-feira - Posters de um mesmo filme: os posters de promoção de um filme nem sempre são os mesmos consoante os países. À quarta-feira, véspera das estreias da semana, «A Última Sessão» mostra os vários posters de um mesmo filme.

Quinta-feira - Em Cartaz: outra das conhecidas dos leitores do blogue, esta secção apresenta as estreias da semana.

Sexta-feira - Frase(s) que marcam um filme: no final de cada semana será a vez de analisar uma frase ou um diálogo famoso.

Sábado - Com Quem Gostaria de Beber um Copo: esta é a minha preferida e talvez a que dê azo a mais interacção com os leitores. Em alguns dos estudos de opinião para as eleições, no sentido de avaliar a confiança no candidato, uma das questões é com quem o eleitor gostaria de beber um copo. Aqui não há candidatos a coisa nenhuma, mas todas as semanas duas personalidades do mundo do Cinema vão estar ao vosso dispor para beber um copo. O que vos proponho é escolherem a vossa preferida e já agora, que bebida ofereciam ao vosso convidado.

Domingo - Belle du Jour: para terminar a semana, o domingo é dedicado a uma actriz ou diva cuja presença tenha marcado um determinado filme. Em princípio será uma actriz de um filme que tenha visto nessa semana.

Espero que gostem das propostas e estejam à vontade para fazer sugestões ou comentários. Até lá, desejo-vos a continuação de um excelente 2011.