sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Deus da Carnificina, de Roman Polanski (2011)

«O Deus da Carnificina» é um daqueles exemplos perfeitos de que não vale a pena complicar muito para fazer um grande filme. Em cena apenas quatro actores (e um grupo de garotos) que em menos de hora e meia (79 minutos, para ser mais preciso, é esse o tempo do filme) nos mostram como um grupo de pessoas vai de um estado dito civilizado à mais pura discussão, provando que as aparências iludem. E de que maneira.

Tudo começa quando Zachary se chateia com o colega Ethan, porque este não o quer no grupo de amigos, pega num pau e parte dois dentes de Ethan. O que começa como uma briga de dois miúdos com pouco mais de 10 anos, numa sequência genial que nem sequer precisa de som para nos mostrar o que se passou (quase que poderíamos dizer que parece saída de um filme mudo), transforma-se na cena seguinte num potencial cenário mais pacífico, quando os pais das crianças tentar resolver a questão amigavelmente. Mas aos poucos as discussões começam por ninharias. Primeiro entre os dois casais e às tantas já os membros dos próprios casais estão às turras, vindo ao de cima os podres de problemas que todos julgavam não existir.

Baseado numa peça de teatro (daí a escassez de meios) escrita por Yasmina Reza e com interpretações de luxo dos quatro actores principais (Jodie Foster, John C. Reilly, Kate Winslet e Christoph Waltz), qual deles o melhor, «O Deus da Carnificina» conseguiu ser (mais) um dos grandes filmes estreados no final do ano passado. Mesmo tendo sido realizado por um Roman Polanski em modo de retiro forçado, devido a questões legais, o resultado está à altura da obra do polémico realizador polaco e é um dos filmes que vale mesmo a pena ver por estes dias.

Nota: 5/5

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Manhattan, de Woody Allen (1979)

Há filmes sobre os quais é difícil escrever, tal é a admiração que temos por eles. Daí há dias, depois de ter (re)visto «Manhattan», a primeira coisa que me lembrei de partilhar aqui sobre este filme foi um dos planos mais belos daqueles 96 minutos: Woody Allen e Diane Keaton debaixo da ponte de Brooklyn, depois de uma caminhada nocturna pelas ruas de Nova Iorque, numa belíssima fotografia a preto e branco. Estão ali duas das chaves do filme e, acrescentaria eu, de toda a obra do cineasta. Uma homenagem à cidade, local por onde Woody Allen tantas vezes nos levou, e as (sempre complicadas) relações entre casais.

Há quem diga que este é um filme sobre Nova Iorque. Não o vejo tanto assim. Para mim «Manhattan» é tanto um filme sobre Nova Iorque, como o mais recente «Meia Noite Em Paris» é um filme sobre a capital francesa. Apesar de o espírito de ambas as cidades estar bastante bem captado nos dois filmes, sobretudo nas magnificas sequências iniciais de ambos, «Manhattan» é, mais uma vez na obra de Allen, um filme sobre relações como só o realizador as sobre mostrar, através das picuinhices e neuroses da sua muito peculiar personagem.

Desta vez encontramos Allen na pele de Isaac, uma homem divorciado na casa dos 40 apaixonado por Tracy (Mariel Hemingway), a sua muito jovem namorada de 17 anos. Apesar da paixão que os une, Isaac tudo faz para que a relação não se torne uma prisão para os dois, sobretudo para a jovem, pois acredita que ela tem de ter mais experiências e não deve ficar logo agarrada a alguém tão velho. Em contraponto à relação instável entre Isaac e Tracy, temos um casal amigo, Yale (Michael Murphy) e Emily (Anne Byrne), que vivem uma situação aparentemente mais estável até que surge em cena a amante de Yale: Mary (Diane Keaton). São todos estes dilemas, ao qual se junta ainda a paixão entre Isaac e Mary, depois de ele abandonar Tracy e ela abandonar Yale, que fazem de «Manhattan» um dos melhores filmes de Allen e desde agora o meu favorito do realizador.

Está lá tudo. Excelentes diálogos, cenas lindíssimas filmadas num preto e branco que funciona de forma perfeita (todas aquelas cenas onde as personagens surgem quase como se fossem sombras, desde o já referido plano da ponte de Brooklyn à visita ao museu, são inúmeros os exemplos) e uma história que fica a milhas de muitos filmes centrados no Amor e nas relações complexas entre casais, que tanto poderia resvalar para a comédia idiota (em momentos segue por aí, mas sempre ao melhor estilo de Woody Allen e os seus dilemas tão estranhos que parecem impossíveis de acontecer - mas nunca nos aconteceram situações semelhantes às que são retratadas nos filmes de Allen?), como para o dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada. Felizmente não envereda por nenhum dos dois caminhos.

Se depois de ver isto não se começar a gostar de Woody Allen, não há nada a fazer. Mas perde-se toda a magia de um dos melhores filmes de sempre, onde as relações são retratadas quase como elas são de facto e feito numa das melhores cidades do mundo. Quem já lá esteve, sabe do que estou a falar.

Nota: 5/5

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vingança Planeada, de Chan-wook Park (2005)

Último filme de uma trilogia dedicada à vingança, cujo ponto alto foi o segundo tomo, o genial «Old Boy - Velho Amigo», «Vingança Planeada» («Sympathy For Lady Vengeance», no título inglês) encerra com chave de ouro o conjunto dos três filmes. Apesar de ser um pouco inferior ao segundo episódio, não deixa de ser um grande filme e uma boa experiência, pois não desagrada de todo a quem gostou de «Oldboy». Quanto mais não seja porque, uma vez mais, está bem filmado e consegue ligar as várias histórias sem se perder no caminho.

Tal como no filme anterior, esta é a história de alguém que esteve preso durante vários anos e de repente se vê em liberdade, condição que a leva a pôr em prática um plano de vingança contra o responsável pelo período de reclusão. Ficam por aqui as semelhanças, pois a protagonista de «Vingança Planeada» é uma mulher que esteve presa por um crime que cometeu há alguns anos, enquanto que em «Oldboy» era um homem que esteve preso num quarto sem saber muito bem porquê até ao assombroso desenlace final, que é um daqueles murros no estômago que demora muito tempo a aguentar.

Voltemos então a «Vingança Planeada». Aqui encontramos Geum-ja Lee (Yeong-ae Lee) à saída da prisão e quando pensamos que está regenerada, com a ajuda de uma pessoa que a visitou durante anos e a viu como alguém divino com poder para ajudar os outros, os constantes flashbacks, que também servem para contar as histórias das suas companheiras de prisão, vão-nos mostrando que não é bem assim e mal sabemos o que virá da sua cabeça. Um dos pontos que poderia ter dado em falhanço total, esta fragmentação de histórias, acaba por não o ser, pois Chan-wook Park consegue ligar todos os pontos sem se perder, o que poderia ser fácil e é bastante comum neste tipo de filmes, onde várias narrativas se cruzam. Ao mesmo tempo, este acaba por ser um dos aspectos que coloca o filme uns furinhos abaixo do seu antecessor.

Menos violento e sádico do que «Oldboy», mas visualmente ao mesmo nível, outro dos pontos fracos de «Vingança Planeada» é o facto de não ter tantas surpresas (uma vez mais sublinho que o final do segundo episódio é difícil de igualar) e ser um pouco mais previsível. Mas, quando os filmes são bem feitos, como é este o caso, o resultado tem tudo para ser bom e é mesmo. Com a vantagem de não ser necessário ter um estômago tão forte para o ver como no caso de «Oldboy».

Nota: 4/5

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Meias finais do torneio interblogues, também conhecido como Copa A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty

1.º confronto: numa paragem do 28 (a preto) vs. In a Lonely Place (a azul)


2.º confronto: Breath Away (a preto) vs. CINEdrio (a azul)





Terminadas as partidas dos quartos de final da primeira edição do Torneio Interblogues, já são conhecidas as equipas que irão disputar as meias finais e, consequentemente, candidatas a um lugar na final. Recordo que os jogadores destas quatro equipas vão poder ter um lugar na equipa ideal do torneio, dado que irão a votos também. A equipa do «A Última Sessão» foi eliminada na primeira ronda, renhida diga-se de passagem, contra a equipa do «In a Lonely Place», a quem dou desde já os meus sinceros parabéns e desejo boa sorte para o próximo embate. Para a próxima edição vou tentar apresentar uma nova equipa, com alguns reforços, para chegar pelo menos às meias finais. Para primeira edição, gostei do resultado. Tal como nos quartos de final, convido os leitores do blogue a votarem nos links deste post ou nas sondagens ali ao lado.

Banda Sonora: Ballad of a Thin Man, de Stephen Malkmus and The Million Dollar Bashers

«Ballad of a Thin Man», de Stephen Malkmus and The Million Dollar Bashers (original de Bob Dylan) - Banda Sonora de «I'm Not There - Não Estou Aí», de Todd Haynes

domingo, 15 de janeiro de 2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

A Toupeira, de Tomas Alfredson (2011)


Esqueçam James Bond. Apesar de «A Toupeira» ser um filme de espiões, este não será o filme mais indicado para os fãs de 007. Adaptado a partir de um livro de John le Carré, a estreia de Tomas Alfredson (realizador do fabuloso filme de vampiros sueco «Deixa-me Entrar») nos EUA é um filme muito mais calmo do que as aventuras protagonizadas pelo espião favorito de sua majestade. E que grande filme, talvez mesmo um dos melhores estreados no final do ano passado.

Protagonizado por um Gary Oldman em excelente forma, longe das suas personagens mais neuróticas, mas sempre muito bem, a trama centra-se nos serviços secretos britânicos, em plena Guerra Fria, quando surgem suspeitas de que alguém na cúpula do organismo poderá estar ao serviço de Moscovo. A suspeita já era do anterior chefe dos espiões Control (John Hurt), que morre no início do filme, e uma investigação interna é encomendada a Smilley (Gary Oldman), um espião reformado que foi um dos homens mais próximos de Control. Tal como já referi, não há aqui grandes cenas de acção ao estilo de Bond. Talvez uma das sequências iniciais, passada na Hungria, se possa encaixar nesse estilo, mas mesmo assim será um pouco forçado ir por aí. «A Toupeira» é um filme sóbrio, como se quer quando o objectivo é representar um universo cheio de cortinas de fumo e onde ninguém quer dar nas vistas.

Este é um filme onde a história vale por tudo o resto, não fosse o original ter sido escrito por um dos mestres da literatura de espionagem. Apesar de poder ser fácil a Tomas Alfredson perder-se em tantas lutas e tricas internas, o filme consegue ser bastante coeso. Tem excelentes interpretações, feitas por um elenco de luxo (quase que parece um dream team encabeçado por Oldman, tal a qualidade de grandes actores que encontramos em papéis secundários: Toby Jones, Colin Firth, Benedict Cumberbatch - o Sherlock da TV -, Mark Strong, entre outros) e uma recriação da época muito boa. Se continuar assim, Tomas Alfredson tem tudo para se tornar um grande nome no Cinema.

Nota: 5/5

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras , de Guy Ritchie (2011)

Há uns anos atrás, quando Guy Ritchie foi anunciado como realizador de mais uma adaptação de Sherlock Holmes ao Cinema, muitos terão pensado que o resultado final não seria o melhor. Apesar de essa primeira adaptação do universo da personagem criada por Sir Arthur Conan Doyle poder ser considerada pouco convencional para quem estava à espera de um regresso ao final do século XIX, o primeiro «Sherlock Holmes» não foi mau de todo. O resultado acabou por nos dar um novo olhar sobre uma personagem que talvez já tivesse demasiado agarrada a um cliché. Tal como noutros casos, e assim de repente lembro-me da recente do Tintim de Steven Spielberg, penso que este filme de ser visto como um olhar pessoal de um realizador sobre uma obra que está bastante enraizada na cultura popular.

Dois anos depois, Guy Ritchie, Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes) e Jude Law (John Watson) voltam (mais ou menos) ao mesmo cenário, mas desta vez o resultado não esteve à altura do original de 2009 e é mais fraco. A magnífica Londres do primeiro episódio é trocada por uma espécie de digressão europeia por várias cidades, que culmina numa batalha final entre Holmes e o seu arqui-inimigo Professor James Moriarty (Jared Harris) no mais previsível dos países. Uma vez mais a dupla de protagonistas volta a resultar bem e duvido que se trocassem o par conseguissem satisfazer os fãs do primeiro filme. Algumas cenas de acção estão também bem conseguidas, apenas um pouco mais exageradas quando comparamos com o primeiro «Sherlock Holmes».

O grande problema deste segundo episódio da série é o argumento, bastante fraquinho e sem ponta por onde se lhe pegue. Não quero aprofundar esta parte, para não fazer spoiler, mas quem vir terá de concordar que o desenrolar da trama e o centro da mesma, parece um pouco forçado. A isto juntam-se secundários que não estão à altura dos protagonistas. Mesmo Jared Harris, cujo Moriarty prometia tanto no filme anterior, parece que não entrou bem na personagem. Talvez o facto de no primeiro ser uma personagem mais misteriosa o tivesse prejudicado neste segundo capítulo.

Para primeiro blockbuster do ano, parece-me que «Sherlock Holmes: Jogo de Sombras» foi um tiro em falso e muito provavelmente os resultados de bilheteira irão ditar a continuação ou o fim da série, que tinha tudo para vingar (uma dupla de grandes actores que funciona bem, boas histórias, um vilão genial, um imaginário bem conseguido, etc.), mas acabou por se espalhar ao comprido neste segundo episódio. Será que Ritchie falhou nesta sequela, tal como muitas bandas falham no momento de gravar o mítico segundo álbum?

Nota: 2/5

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Obrigado



Acabam de ser divulgados os resultados da categoria Melhor Artigo da edição deste ano dos TCN Blog Awards 2011, categoria que contava com a presença deste cantinho com o texto «Para Onde Vão os Espectadores do Cinema Português?». Desta vez o resultado foi melhor do que no ano passado, mas confesso que não esperava que fosse tão bom. Com 38 votos (sim, para mim é um bom resultado) «A Última Sessão» ficou em terceiro lugar, atrás da entrevista a John Carpenter, um dos meus heróis do Cinema, e o meu texto favorito do conjunto, e do grande vencedor Mundo Mágico vs Caixinha Mágica, que esmagou completamente a concorrência. Resta-me agradecer a todos os que votaram em mim: 38 vezes obrigado.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Quartos de Final do Torneio Interblogues: In a Lonely Place vs. A Última Sessão

2.º confronto: In a Lonely Place (a preto) vs. A Última Sessão (a azul)


1.º confronto: numa paragem do 28 (a preto) vs. Cine Resort (a azul)



3.º confronto: Breath Away (a preto) vs. A Sombra do Elefante (a azul)

4.º confronto: Modern Times (a preto) vs. CINEdrio (a azul)




Arranca hoje oficialmente a primeira edição do torneio Interblogues promovido pelo blogue CINEdrio. «A Última Sessão» está presente e o sorteio ditou um confronto com a equipa proposta pelo «In a Lonely Place». Deixo-vos os links para poderem votar nas vossas equipas preferidas e convido-os a irem aos blogues dos restantes participantes para ficarem a conhecer as equipas e as justificações e assim tomarem uma melhor decisão sobre as escolhas. Resta-me desejar boa sorte a todos e que os jogos comecem. O anúncio do fim da votação está marcado para a próxima segunda-feira, 16 de Janeiro.

Duas pequenas notas: os votos podem ser feitos também ali ao lado, espero que participe o maior número de pessoas para tornar a iniciativa mais interessante.
Para quem quiser conhecer as equipas do torneio e as justificações das escolhas, cada equipa tem o link para o respectivo post dos participantes. Agora, resta-me desejar que ganhem os melhores.

Banda Sonora: 24 Hour Party People, de Happy Mondays

«24 Hour Party People», de Happy Mondays - Banda Sonora de «24 Hour Party People», de Michael Winterbottom

domingo, 8 de janeiro de 2012

24 Hour Party People, de Michael Winterbottom (2002)

Já aqui o disse em algumas ocasiões que nem sempre é boa ideia voltarmos aos filmes com os quais já fomos felizes quando os vimos pela primeira vez. Se há filmes que consigo ver dúzias de vezes sem cansar, há outros que acabam por desiludir quando os revejo, o que não significa necessariamente que sejam maus de todo. Voltou a acontecer com «24 Hour Party People», um dos filmes que me lembro de ter visto no velhinho Quarteto quando estreou e até gostei, mas agora me parece um objecto um tanto estranho.

Não que esta história da Factory e da mítica Madchester, que começou numa fase embrionária ainda no final dos anos 1970 e atingiu o auge durante a década seguinte, contada por Tony Wilson (grande interpretação de Steve Coogan) num estilo de documentário ficcionado seja um filme de se deitar fora. Para quem gosta de música e daquela época é um delírio ter um outro olhar, por vezes até mais cómico, sobre bandas como Joy Division, New Order ou Happy Mondays. E a quantidade de histórias retratadas é tanta que é difícil escolher um ou outro exemplo. Sobretudo na parte dedicada aos últimos.

Talvez um dos problemas de «24 Hour Party People» seja estar tão centrado naquelas três bandas, quando a Madchester teve tantos outros protagonistas. Mas ao mesmo tempo é o próprio Wilson (personagem do filme) que explica que é esse o objectivo do filme, contar a história da Factory Records e como esta etiqueta mudou de vez o panorama musical e cultural da antiga cidade operária em 1976, depois de um célebre concerto dos Sex Pistols onde estiveram presentes cerca de 40 pessoas, algumas das quais acabaram por formar as bandas que deram fama a Manchester. Fora isso, ao segundo visionamento «24 Hour Party People» pareceu-me mais uma homenagem mais ou menos bem conseguida ao universo e visão de Tony Wilson, que também tem um pequeno cameo (são vários os cameos, bastante identificados, das pessoas reais que fizeram a história daquela época), e de uma época que marcou definitivamente a música do Reino Unido. Mas para quem gosta, pode aguardar uma banda sonora de luxo.

Nota: 3/5

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TCN Blog Awards 2011: Palmarés

Foram ontem conhecidos os vencedores da edição deste ano dos TCN Blog Awards, uma iniciativa do blogue Cinema Notebook e da revista Take, que tem como objectivo premiar o que de melhor se fez na blogosfera de Cinema e Televisão ao longo de 2011. Uma vez mais «A Última Sessão» esteve nomeado, na categoria de Melhor Artigo, e uma vez mais saiu de mãos a abanar. Valeu pelo convívio e pelo encontro com alguns bloggers conhecidos e para conhecer novas caras da blogosfera. No final do ano haverá mais. Eis então a lista completa dos vencedores, liderada claramente pelo TV Dependente, que conquistou quatro prémios em cinco nomeações:

Melhor Artigo - Mundo Mágico vs. Caixinha Mágica
Melhor Crítica - Game of Thrones S1E01
Melhor Blogger - Pedro Andrade
Melhor Blog Colectivo - TV Dependente
Melhor Novo Blog - Blockbusters
Melhor Blog Individual - Keyzer Soze's Place
Melhor Iniciativa - José e Pilar aos Oscares
Melhor Revista de Cinema - Empire

Aproveito para dar os parabéns à organização por continuar a promover esta iniciativa, que, tal como eles próprios defendem, deve servir não apenas para premiar os melhores, mas também para divulgar alguns blogues que de outra maneira não seriam conhecidos. Como foi o caso do meu no ano passado. Para o ano lá estaremos de novo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Esquiva, de Abdellatif Kechiche (2003)

«A Esquiva» não foi o primeiro filme de Abdellatif Kechiche, mas foi com ele que ficou conhecido. Isto apesar de na obra de estreia, «La faute à Voltaire», já ter conseguido amealhar alguns prémios e nomeações. Com «A Esquiva» o sucesso foi maior, nomeadamente nos Césares, os Óscares franceses, onde conquistou cinco galardões, entre os quais Melhor Filme, Realizador, Argumento e Jovem Actriz (Sara Forestier, uma grande descoberta).

Neste filme acompanhamos um grupo de jovens de um bairro dos subúrbios de Paris (lembram-se dos célebres motins nos banlieues há uns anos? É este o cenário, mas sem os motins, mas com alguns jovens em revolta) que encenam uma peça de teatro para a escola, baseada numa obra do século XIX assinada por Marivaux. Num dos papéis principais desta peça está Lydia (Sara Forestier) por quem Krimo (Osman Elkharraz), um colega de turma que pertence a um gangue e pouco habituado a bons comportamentos, se apaixona. Para se aproximar de Lydia, Krimo, que segundo a ex-namorada nunca leu um livro, acaba por querer participar na peça e tentar expressar os seus sentimentos junto da amada.

Praticamente sempre filmado com a câmara na mão, mostrando assim um ambiente que por vezes é demasiado hostil (ou pelo menos aparenta ser, para quem está de fora), a segunda obra de Kechiche consegue mostrar não só uma história de amor entre jovens, com todos os problemas e situações que daí decorrem, mas também retratar a vida nas comunidades pobres e marginalizadas de Paris. Há um grande enfoque na forma como a relação entre os dois jovens é vista pelos amigos de ambos: as amigas de Lydia não gostam do jovem delinquente e os amigos de Krimo não vêem com bons olhos as novas ideias teatrais do seu antigo companheiro de desventuras. Não sendo um grande filme, do mesmo realizador continuo a preferir «O Segredo de um Cuscuz», «A Esquiva» é uma bela obra que consegue retratar tudo isto sem cair em grandes facilitismos e clichés. No fundo é apenas uma história simples de uma rapaz que se apaixona por uma rapariga.

Nota: 4/5

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Última Sessão FC entra em estágio



A propósito de um desafio lançado pelo blogue CINEdrio, da autoria de Luís Mendonça, «A Última Sessão» resolveu participar num divertido torneio interblogues onde o objectivo é cada blogue apresentar uma equipa de futebol onde os jogadores são nomes grandes da Sétima Arte. A minha proposta, como podem ver acima, é um clássico 4-4-2 para não complicar muito. Segue a constituição do 11 inicial e a justificação para as contratações:

GR: Aki Kaurismaki
DE: Nani Moretti
DD: Don Siegel
DC: Joel Coen
DC: Ethan Coen
MC: Abel Ferrara
MC: Sergei Eisenstein
MD: Wes Anderson
ME: Buster Keaton
AC: Emir Kusturica
AC: Federico Fellini

Kaurismaki, o guarda-redes vindo do frio, com nervos de aço;
Moretti e Siegel nas laterais. O primeiro gosta de arriscar pela esquerda e ajuda a fazer o corredor em subidas até à área adversária. O segundo é mais conservador e pode às vezes ajudar a dupla de centrais.
Os irmãos Coen no centro da defesa, uma dupla que se entende como ninguém, não passa bola nenhuma.
No centro do meio campo encontramos Eisenstein e Ferrara, mais uma dupla forte para o que der e vier. O primeiro ajuda a construir jogo, enquanto o segundo pode ajudar a recuperar bolas na raça.
Nas laterais dois criativos para levar a bola à área em centros bem metidos: Keaton e Wes Anderson.
O centro da grande área adversária fica para dois magos habituados a fantasiar os espectadores com os seus golos fora do normal, sendo Kusturica o homem do número 10 que fica atrás do ponta de lança, graças às lições que recebeu do seu amigo Diego Armando Maradona, o implacável Fellini.

Esta é uma mistura de novos talentos e veteranos. Não foi fácil escolher uma equipa depois de alguns reforços já terem sido escolhidos pelas restantes (grandes) equipas. A ideia foi mesmo fazer uma equipa com nomes que ainda não tivessem sido escolhidos pelos restantes adversários.
O sorteio para os oitavos de final está marcado para a próxima segunda-feira e os vencedores das partidas serão escolhidos pelos visitantes dos blogues, através de sondagens a publicar nos blogues participantes. Agora que venham os jogos e que ganhem os melhores.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Banda Sonora: Where Do You Go To My Lovely, de Peter Sarstedt

«Where Do You Go To My Lovely», de Peter Sarstedt - Banda Sonora de «The Darjeeling Limited», de Wes Anderson

domingo, 1 de janeiro de 2012

Uma Separação, de Asghar Farhadi (2011)

Ainda há dias publiquei aqui a lista daqueles que considerei os melhores filmes estreados em Portugal durante o ano passado e referi vários títulos que não tinha visto a tempo e poderiam lá estar. Pois, eis um que deveria lá estar e não entrou a tempo porque apenas o consegui ver ontem, bem antes dos festejos de fim de ano. O filme em causa é «Uma Separação», um grande filme do iraniano Asghar Farhadi. Numa altura em que vários cineastas são perseguidos pelo regime de Teerão, e o caso de Jafar Panahi será apenas um de muitos, a chegada de filmes como este prova que ainda há quem consiga fazer Cinema no Irão. Até quando? Não se sabe.

«Uma Separação» parte do caso de um divórcio de um casal, que se quer separar para dar uma vida melhor à filha adolescente, para criticar um sistema judicial completamente surreal, que por vezes parece saído da mente de Kafka. Logo a cena inicial, quando o casal Nader (Peyman Maadi) e Simin (Leila Hatami) esgrime argumentos perante o juiz, é um excelente exemplo disso. Mais tarde esta justiça volta ao centro do filme quando Nader se vê acusado de ter provocado um aborto espontâneo na ex-empregada que contratou para cuidar do seu pai, vítima de Alzheimer.

Com duas excelentes interpretações, sobretudo a de Peyman Maadi, que carrega literalmente o filme às costas, «Uma Separação» é mais um daqueles filmes vindos do Irão que nos permite dar uma espreitadela sobre um regime fechado. Ao mesmo tempo, a história do divórcio e da família em desagregação, assim como a abordagem à família que leva Nader a tribunal, vinda de uma camada inferior, tornam no filme um pouco universal, pois se não fosse aquela justiça retratada como é, «Uma Separação» poderia ser um filme criado em qualquer parte do mundo. Talvez seja esse um dos grandes pontos fortes do filme de Asghar Farhadi que conquistou em Berlim quatro galardões, incluindo o Urso de Ouro para Melhor Filme e o Urso de Prata que distingui quatro dos actores do filme.

Nota: 4/5

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