domingo, 13 de dezembro de 2009

Michael Haneke e «O Laço Branco» dominam prémios do cinema europeu

O filme «O Laço Branco», de Michael Haneke, foi o grande vencedor da 22ª edição dos Prémios do Cinema Europeu, ao vencer três galardões: Melhor Filme Europeu, Melhor Realizador e Melhor Argumentistas. Com esta chuva de prémios «O Laço Branco» consagra-se como um dos grandes filmes do ano, depois de ter conquistado a Palma de Ouro em Cannes. Por cá a estreia da mais recente obra de Michael Haneke está prevista apenas para o início de 2010.

Na cerimónia de entrega dos prémios, realizada ontem em Berlim, foram ainda distinguidos os actores Tahar Rahim e Kate Winslet, por «Um Profeta» e «O Leitor» respectivamente. Recorde-se que Kate Winslet já tinha conquistado o Óscar de Melhor Actriz pelo mesmo papel.

Os restantes premiados foram:

CARLO DI PALMA EUROPEAN CINEMATOGRAPHER AWARD 2009
Anthony Dod Mantle por «Anticristo» e «Quem Quer Ser Bilionário»;

EUROPEAN FILM ACADEMY PRIX D’EXCELLENCE 2009
Brigitte Taillandier, Francis Wargnier, Jean-Paul Hurier e Marc Doisne pelo Som de «Um Profeta»;

EUROPEAN COMPOSER 2009
Alberto Iglesias por «Abraços Desfeitos»;

EUROPEAN DISCOVERY 2009
«Katalyn Varga», Roménia/Reino Unido/Hungria
Argumento e Realização de Peter Strickland
Produzido por Tudor Giurgiu, Oana Giurgiu & Peter Strickland;

EUROPEAN FILM ACADEMY ANIMATED FEATURE FILM 2009
«Mia et le Migou», França/Itália
Realizado por Jacques-Rémy Girerd, co-realizado por Nora Twomey;

EUROPEAN FILM ACADEMY SHORT FILM 2009
«Poste Restante», por Marcel Lozinski;

EUROPEAN FILM ACADEMY LIFETIME ACHIEVEMENT AWARD
Ken Loach;

EUROPEAN ACHIEVEMENT IN WORLD CINEMA
Isabelle Huppert;

EUROPEAN FILM ACADEMY DOCUMENTARY 2009 – Prix ARTE
«The Sound of Insects - Record of a Mummy», Suíça, de Peter Liechti;

EUROPEAN CO-PRODUCTION AWARD – Prix EURIMAGES
Diana Elbaum e Jani Thiltges;

EUROPEAN FILM ACADEMY CRITICS AWARD 2009 – Prix FIPRESCI
Andrzej Wajda por «Tatarak»;

PEOPLE’S CHOICE AWARD for Best European Film
«Quem Quer Ser Bilionário», Reino Unido
Realizado por Danny Boyle
Escrito por Simon Beaufoy
Produzido por Christian Colson.

Mais informações aqui.

Ágora, de Alejandro Ámenabar (2009)

Na sua mais recente obra, Alejandro Ámenabar leva-nos a conhecer a vida da filósofa Hypatia, tendo como pano de fundo o declínio do Império Romano e a ascensão do Cristianismo. É esta a proposta do realizador chileno em «Ágora». Na interpretação de Hypatia surge uma actriz que nos tem vindo a habituar a grandes papéis e desta vez não é excepção: Rachel Weisz. E só a presença da actriz já é quase suficiente para ver «Ágora».

Ambientado no final do século IV depois de Cristo, o filme relata um período bastante conturbado daquela que em tempos foi uma das cidades mais prósperas do Egipto: Alexandria. Mais concretamente a ascensão dos cristãos naquela região, que acabam por destruir tudo o que os sábios da altura e os anteriores tinham descoberto. Basta ver a cena em que uma revolta acaba em cerco da Biblioteca de Alexandria, nesta altura já não era o edifício original (destruído por um incêndio), que posteriormente fica vedada aos adoradores de deuses pagãos e aberta apenas aos cristãos. O resultado é que aquele 'templo' de sabedoria é transformado em estábulos sem respeito pelo que lá existiu e com grande parte dos seus documentos destruída.

Pelo meio temos a história da filósofa Hypatia, uma astrónoma que continuando o trabalho dos antigos pensadores gregos foi das primeiras a defender uma teoria heliocêntrica do universo, ao contrário do que se pensava na altura, quando a teoria vigente defendia que era a Terra o centro do universo e os planetas e o Sol giravam em seu torno. São as suas ideias fixas que vão acompanhando «Ágora» em segundo plano.

Ao mesmo tempo vamos assistindo ao desenvolvimento de três personagens que antes do domínio Cristão estiveram ligadas e apaixonadas pela filósofa. O escravo Davus (Max Minghella), que se junta aos cristãos e integra uma milícia que tudo faz para defender os princípios da fé, incluindo expulsar outros religiosos de Alexandria. Temos também dois antigos alunos de Hypatia, que acabam cada um por seguir o seu caminho: Orestes (Oscar Isaac), antigo adorador dos deuses pagãos convertido e actual Perfeito de Alexandria ao serviço dos romanos, e Ammonius (Ashraf Barhom), um cristão que se tornou bispo numa cidade próxima de Alexandria.

Mas se a interpretação de Rachel Weisz é bastante boa, actriz que é raro falhar, o mesmo não se pode dizer do restante elenco. Talvez o argumento não tenha sido tão pensado para as outras personagens e o filme acaba por perder um pouco, pois a história até consegue apresentar relativamente bem as convulsões da época e mostrar até onde pode ir o extremismo religioso. Não sei até que ponto Alejandro Ámenabar não terá apresentado este exemplo para comparar com o que se passa hoje em dia com o extremismo islâmico, pois não é de todo muito diferente, nomeadamente a forma como a mulher era tratada. E neste aspecto vemos como acaba Hypatia, antes e depois do domínio Cristão.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

sábado, 12 de dezembro de 2009

1- Actrizes que dá gosto ver trabalhar: Rachel Weisz

Rachel Weisz, em Ágora

Shadows, de John Cassavetes (1960)

Foi em 1960 que John Cassavetes se estreou na realização. Até à altura o cineasta apenas tinha entrado em alguns filmes e séries de televisão como actor. Mas foi como realizador que vingou na Sétima Arte.

A sua primeira obra foi «Shadows», um filme que veio de certa forma corromper os cânones da época, ao não apresentar um argumento. Segundo John Cassavetes, e como é explicado no início do filme, o argumento foi improvisado pelo realizador e actores ao longo das filmagens e o objectivo deste risco era provar que era possível fazer Cinema como se faz outra arte, improvisando. No caso o cineasta exemplifica com a música e a pintura.

Ao longo do filme vamo-nos apercebendo que a maior inspiração de «Shadows» é sem sombra de dúvida a música jazz. Não só pela sua magnifica presença na banda sonora, interpretada por Charles Mingus, como no próprio ambiente, visto que uma das personagens é um músico de jazz, que não está a passar a sua melhor fase, tendo de trabalhar a apresentar coristas e não a cantar.

Este músico (Hugh Hurd) é uma das personagens principais, a par de Lelia (a muito bela Lelia Goldoni) e Ben (Ben Carruthers), que no filme são três irmãos, um branco, um mulato e outro negro. É esta particularidade que vai servir de motor à narrativa, pois outro dos avisos que Cassavetes faz no início do filme é que o filme é sobre a juventude e as relações raciais. E na altura aquele era um tema bem quente nos EUA.

E esse choque está bem patente em alguns pormenores. Desde os trabalhos menores que são dados a Hugh, passando pelo ódio do namorado de Lelia (Tony Ray, filho de Nicholas Ray), a irmã branca do trio, quando descobre quem é o irmão da sua amada.

Mas tirando esse tema mais central e mais abrangente, penso que «Shadows» foi uma experiência bem conseguida por parte de John Cassavetes, apesar dos poucos meios ao seu dispor. A improvisação acabou por combinar bem com o ritmo jazz da banda sonora, apenas se nota uma ou outra falha e quebra nos diálogos de vez em quando. E a forma como Nova Iorque foi filmada neste filme também deixa uma excelente imagem da cidade que nunca dorme.

Uma óptima estreia, que representou para mim mais um cineasta a descobrir, pois ainda não tinha oportunidade de ver nenhuma obra deste realizador.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Parabéns ao Mestre Oliveira

Manoel de Oliveira cumpre hoje 101 anos e continua a ser o realizador mais velho do mundo ainda em actividade. Não sou grande adepto da obra do Mestre portuense, sempre preferi o lisboeta João César Monteiro (regionalismos à parte), mas há que reconhecer o mérito de um dos grandes nomes do cinema mundial. E ainda para mais o facto de ser português.

No âmbito das comemorações do 101º aniversário de Manoel de Oliveira vai ser projectado o filme «Aniki-Bóbó» na Fundação de Serralves para alunos de duas escolas do Porto. Também a norte, mas em Vila do Conde, está a decorrer até Março no Centro de Memória de Vila do Conde, Casa Museu José Régio uma exposição dedicada à relação de trabalho e vida entre estes dois nomes grandes da cultura nacional.

E como parar é morrer, Manoel de Oliveira está a preparar-se para um novo filme a rodar no início de 2010 e que é um projecto antigo do cineasta: «O estranho caso de Angélica», produzido pela Filmes do Tejo. A mais recente obra do Mestre foi uma curta sobre os Painéis de São Vicente de Fora, a convite da Fundação de Serralves.

Longa vida a Manoel de Oliveira, pois a sua obra já faz parte do nosso património da Sétima Arte. Goste-se ou não.

Aniversário da Medeia Filmes

Estão marcadas para o próximo fim de semana as comemorações do 20º aniversário da Medeia Filmes, distribuidora do produtor Paulo Branco. No site da distribuidora eram prometidos pormenores sobre a iniciativa, mas pouco é adiantado em relação aos filmes que vão passar nos dias 19 e 20.

De acordo com o que se pode ler, vamos ter direito a filmes de Sylvester Stallone (os três primeiros Rocky e Paradise Alley), pornografia de Bruce LaBruce, uma sessão com vídeos do YouTube, Jacques Tati e curtas metragens portuguesas. Na mesma notícia a Medeia anuncia que a projecção de curtas passará a ter presença constante na programação destas salas», o que penso que é uma excelente notícia.

O evento vai decorrer nos dias 19 e 20 de Dezembro nos cinemas King, Monumental, Nimas e Cidade do Porto. Na página do Facebook da distribuidora estão também referidas as ante-estreias de «Cinzas e Sangue» de Fanny Ardant, «Cinerama» de Inês Oliveira, «Where The Wild Things Are» de Spike Jonze, «Um Profeta» de Jacques Audiard, «Vincere» de Marco Bellocchio, «O Laço Branco» de Michael Haneke, «Les Herbes Folles» de Alain Renais, «Soul Kitchen» de Fatih Akin e «Non Ma Fille, Tu N'Iras Pas Dancer» de Christophe Honoré.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Curso História (s) do Cinema

A Associação Arte Projectada vai organizar em 2010, de 9 de Janeiro e 27 de Março o curso História (s) do Cinema, em parceria com a Associação Cultural Projecto Terra. Com aulas aos Sábados, das 10h30 às 12h30, o curso vai ter lugar na Rua Guilherme Gomes Fernandes nº1, em Sintra, e irá focar temas como a História do Cinema (dos brinquedos ópticos ao cinematógrafo), Imagem (introdução à linguagem cinematográfica), Produção (fases e funções inerentes à produção de um filme), Teoria (principais correntes estéticas do cinema) e Outras Histórias (a indústria, o star system e o poder do cinema).

De acordo com a organização, o objectivo do curso é «desenvolver o interesse pela História do Cinema, e incentivar à pesquisa de obras de grande qualidade, fora dos circuitos comerciais.

Mais informações sobre a iniciativa aqui ou nos contactos:

projectoterra.geral@gmail.com

932623131

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Maria João Seixas é a nova directora da Cinemateca

Maria João Seixas vai ser a próxima directora da Cinemateca Portuguesa, devendo iniciar funções a partir de Janeiro de 2010. A informação é avançada pela jornal Público que adianta que o anúncio oficial deverá ser feito no final desta semana pelo Ministério da Cultura.

A jornalista nascida em Moçambique vem assim substituir oficialmente João Bénard da Costa, o antigo director da instituição que faleceu no passado mês de Maio. Pedro Mexia, o actual director interino da Cinemateca escolhido por Bénard da Costa, vai continuar ligado ao Museu do Cinema como subdirector, cargo que desempenhava até ao afastamento por doença do anterior director.

Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa, Maria João Seixas sempre esteve ligada à cultura, tendo na década de 1970 colaborado com a RTP como autora e apresentadora de programas dentro desta área.

No capítulo do cinema a jornalista colaborou na escrita de alguns argumentos do realizador Fernando Lopes, com quem esteve casada, foi co-autora do filme «Lissabon, Wuppertal, Lisboa» sobre a coreógrafa Pina Bausch e colaborou num documentário recente sobre Luísa Todi produzido pela Midas Filmes para a RTP2.

Capitalismo: Uma História de Amor, de Michael Moore (2009)

Michael Moore está de volta com os seus documentários de guerrilha. Depois das armas, da Administração Bush, do sistema de saúde dos EUA o alvo escolhido foi o Capitalismo. Partindo da crise de mercados nascida no final do Verão de 2008, Michael Moore resolveu ir questionar quem lhe convém (como sempre, apesar de quem devia responder às suas perguntas raramente oferece o peito às balas) para tentar descobrir o que aconteceu nos últimos anos ao dinheiro dos EUA.

E como é hábito nos filmes do realizador do Michigan, os tiros vão sendo disparados em todas as direcções para que o seu alvo seja considerado o demónio. Nem que para isso seja preciso invocar Jesus Cristo ou padres e bispos para explicar que o Capitalismo é perverso. Como por exemplo quando Michael Moore monta imagens de um filme sobre a vida de Jesus para lhe colocar na boca mensagens em favor do Capitalismo. Genial a cena em que um homem à beira da morte pede ajuda a Jesus Cristo e este lhe diz que não pode fazer nada pelo que deve do passado.

Mas desta vez penso que Michael Moore consegue ter um trabalho melhor do que no anterior «Sicko». Apesar de continuar a dar apenas só um lado da questão (por exemplo, quando vai para a porta do Congresso apenas fala com membros dos democratas - também não sabemos se tentou ouvir ou não os republicanos), em «Capitalismo: Uma História de Amor», o realizador pareceu-me menos arrogante do que no anterior.

E uma vez mais encontramos histórias que nos deixam completamente de boca aberta. Se em «Bowling For Columbine» fiquei pasmado porque um dos jovens entrevistados estava chateado porque não era o primeiro mais perigoso da turma (mesmo tendo um bidão de napalm no quintal), desta vez ficamos a saber que algumas empresas norte-americanas fazem seguros de vida aos seus funcionários para receberem dinheiro. Em alguns casos milhões de dólares, sem que as famílias saibam.

Penso que nesta altura em que se vivem tempos demasiado complexos esta 'história de amor' vem mostrar um pouco como funciona o capitalismo sem regras. Concorde-se ou não com as ideias e métodos de Michael Moore, é sempre bom descobrir aspectos bastante sérios do mundo actual de uma forma irónica e de certa forma divertida. O problema é que estas coisas acontecem na realidade.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

Tom Waits será um Hobbit?

É esta a pergunta que surge no The Guardian. Segundo refere o diário britânico, o cantor norte-americano poderá vir a interpretar um papel na adaptação de «Hobbit», uma obra em duas partes que está a ser preparada por Guillermo del Toro, cujas filmagens arrancam no início do próximo ano.

Caso se confirme a presença de Tom Waits no elenco da prequela da trilogia «O Senhor dos Anéis», esta tornar-se-á a mais recente participação do cantor na Sétima Arte, depois de ter entrado em filmes de Terry Gilliam, Robert Altman ou Jim Jarmusch, recorda o The Guardian.

Steve McQueen filme vida de Fela Kuti

A Focus Features vai produzir um filme baseado na vida e obra do músico africano Fela Kuti, figura charneira do movimento afrobeat, género musical que mistura jazz, funk e música africana. Na cadeira do realizador vai estar Steve McQueen, o artista britânico que se estreou recentemente com «Fome», obra sobre as greves de fome dos prisioneiros do IRA nos anos 1970.

De acordo com a Variety o filme terá como título «Fela» e vai narrar a vida de Fela Kuti como músico e activista. O argumento vai ser escrito em parceria com Biyi Bandele a partir do livro «Fela: The Life and Times of an African Musical Icon», de Michael Veal.

Em declarações à publicação um executivo da Focus revelou que o filme não terá qualquer relação com um musical que está em cena na Broadway dedicado a Fela Kuti. Para James Schamus, «o espectáculo da Broadway é puro entretenimento, mas a visão de Steve e de Biyi é muito cinemática e distinta. Fela era uma figura revolucionária na cultura mundial e o Steve é um artista que teve uma visão forte sobre a política e o mundo antes de ter feito o seu primeiro filme».

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Banda Sonora: Shadowplay, de Joy Division

A banda sonora da semana é «Shadowplay» dos Joy Division, a pretexto da projecção do filme «Control» na Cinemateca, no próximo dia 10 às 19h30, no âmbito da rubrica 'o que eu quero ver'.

A música escolhida é a mesma que surge no final do excelente filme, numa boa versão pelos The Killers, talvez a mais conhecida por quem tenha visto o filme e não conheça a carreira da banda. Realizado por Anton Corbijn, «Control» foi um dos melhores do ano passado e retrata a vida e obra de Ian Curtis, um dos grandes músicos e compositores do século passado, que infelizmente não conseguiu viver mais mas continua a influenciar diversas bandas actualmente.

No vídeo encontramos uma das suas aparições na televisão britânica. Que a lenda perdure e continuemos a ouvir o grande legado que os Joy Division nos deixaram.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Sundance anuncia filmes em competição

Foram anunciados os nomes dos filmes que serão apresentados na próxima edição do Festival de Cinema de Sundance, um dos maiores do mundo dedicados ao cinema independente e de onde têm saído todos os anos grandes surpresas. Em competição estão quatro categorias: melhor ficção dos EUA, melhor documentário dos EUA, melhor ficção internacional e melhor documentário internacional.

De acordo com a organização na edição de 2010 do evento vão ser projectados 112 filmes oriundos de 39 países, alguns dos quais terão estreia mundial em Sundance. Uma das curiosidades na secção de competição de ficção dos EUA é a presença de «Sympathy for Delicious», a estreia na realização do actor Mark Ruffalo, que também interpreta uma das personagens, ao lado de nomes como Orlando Bloom, Juliette Lewis ou Laura Linney.

Na secção de documentário internacional destaque para a presença de Ken Wardrop, o realizador irlandês que tem sido presença assídua no festival IndieLisboa, que apresenta o seu mais recente filme, «His & Hers», que passou na última edição do festival lisboeta. Nesta secção irá também passar «Secrets of the Tribe», um documentário de José Padilha, realizador brasileiro de «Tropa de Elite», sobre a situação das populações indígenas da região da Amazónia.

Na secção de ficção internacional há lugar para filmes dos quatro cantos do mundo, de países como Espanha («Yo, También», de Álvaro Pastor e Antonio Naharro), Índia («Peepli Live», de Anusha Rizvi), Iraque («Son of Babylon», de Mohamed Al Daradji) ou Bolívia («Zona Sur», de Juan Carlos Valdivia).

Mais informações sobre o festival aqui.

A Golpada, de George Roy Hill (1973)

«A Golpada», realizado em 1973, foi um dos grandes sucessos de bilheteira de George Roy Hill. Grande parte do sucesso desta fita resulta da junção de Paul Newman e Robert Redford quatro anos depois de terem formado dupla em «Dois Homens e Um Destino», assinado pelo mesmo cineasta.

Em «A Golpada» os dois mitos do cinema interpretam dois criminosos com um gosto especial pela organização de golpes para enganarem quem lhes atravessa pela frente. No centro do filme está Johnny Hooker (Robert Redford), um aprendiz que depois de ver morrer um veterano com quem fazia dupla pede ajuda a Henry Gondorff (Paul Newman) para se vingar do responsável pelo assassinato do seu companheiro, o mafioso Doyle Lonnegan (Robert Shaw).

O filme, ambientado em 1936 em plena Grande Depressão, mostra-nos o desenvolvimento do plano do golpe com o qual irão enganar Lonnegan, desde que Hooker chega a casa de Gondorff até à sua conclusão. Para tal George Roy Hill conseguiu recriar, com uma boa ajuda da fotografia, os ambientes mais mal afamados da Chicago dos anos 1930, apresentando um conjunto de pequenos criminosos que se juntam para se vingarem da morte de um dos seus, por sinal bastante popular pois todos querem participar na golpada. Bares, casas de apostas clandestinas situadas em becos escuros e polícias corruptos, está lá tudo.

«A Golpada» é um bom entretenimento e a dupla de bons actores que encabeçam o elenco faz a diferença. Daí não ser de estranhar a sua popularidade na altura. Neste caso penso que Robert Redford está melhor no papel de 'aprendiz de feiticeiro', até porque é a sua personagem que está no centro da acção, relegando para um segundo plano Paul Newman, que não deixa de ter aqui uma boa interpretação.

Já no final aquela bela reviravolta acaba por ficar sempre bem neste género de filmes.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 5 de dezembro de 2009

Marie Antoinette, de Sofia Coppola (2006)

Temo que esta crítica provoque alguma polémica, mas julgo que isso é o que traz piada a estas coisas. Tudo porque para ser sincero não achei o filme «Marie Antoinette», de Sofia Coppola, nada de especial. Isto apesar de praticamente toda a gente que conheço o considerar um bom filme.

Só hoje é que tive oportunidade de o ver depois de várias tentativas falhadas. «Marie Antoinette» relata a vida de Maria Antonieta (Kirsten Dunst, num dos seus grandes papéis), personalidade que ficaria para a História como a última rainha de França por ser casada com Luís XVI (Jason Schwartzman). O filme centra-se apenas na estadia de Maria Antonieta na corte de Versalhes, um sítio estupidamente luxuoso para a situação em que se vivia no país à época e que culminou na Revolução Francesa.

Foi precisamente no verdadeiro palácio de Versalhes que grande parte do filme foi filmado (e bem, note-se) por Sofia Coppola, que resolveu tornar a história bastante original, acrescentando alguns toques de modernidade, com especial destaque na banda sonora por onde passam nomes como os New Order ou The Strokes. Também por lá se vê de fugida um par de All Stars (é preciso estar muito atento e quem não souber que ele está lá não o vê), mas essa cena a mim parece-me mais uma provocação.

Toda esta originalidade cai bem e a representação dos rituais da corte francesa, que Maria Antonieta a certa altura define mesmo como ridículos deixando as damas bastante chocadas, está muito bem conseguida. Desde à roupa, passando pela caracterização e os próprios cenários, tudo parece estar no sítio certo.

Mas fora isso, este «Marie Antoinette» parece um filme normal, na minha opinião sem contextualizar muito bem a situação histórica (apesar de esse talvez não ser o objectivo principal do filme). Confesso que também não sei como é que o filme poderia ser melhor. Talvez a vida de Maria Antonieta na corte de Versalhes não tivesse muito por onde pegar, a não ser mostrar como é chato para uma jovem vinda da Áustria com a missão de salvar dois reinos viver aprisionada no gigantesco palácio de Versalhes. Como às tantas questiona Luís XVI, para quê ir a Paris (onde as coisas não seriam tão cor de rosa) quando se tem tudo em Versalhes. A verdade é que ambas as cabeças acabaram por cair precisamente na cidade luz.

Para os fãs do filme, recomendo vivamente o site, está muito bem conseguido.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Iguana, de Monte Hellman (1988)

A minha teoria confirma-se, em parte. Quando Monte Hellman se aventura por géneros cinematográficos mais originais assina boas obras. Quando opta por géneros mais tradicionais falha redondamente. Já tinha reparado quando vi «A Estrada Não Tem Fim» e confirmei hoje com este «Iguana», um filme marítimo que tenta passar por filme de piratas mas não consegue.

A iguana que dá título ao filme não é um réptil mas a alcunha do arpoeiro Oberlus (Everett McGill) que se dedica ao culto da magia negra e é maltratado pela tripulação do seu navio, que o deixam desfigurado depois de uma sessão de tortura, na sequência da qual foge para uma ilha deserta. Nesta ilha Iguana cria o seu reino e declara guerra à Humanidade pelo mal que lhe tem causado. E é nessa guerra que vai fazendo escravos todos os que têm o azar de ir parar à ilha, onde também cria as leis à sua medida.

Começa com um antigo companheiro de mar (um Michael Madsen a dar os primeiros passos no cinema, mas com uma prestação muito pobre) que se torna o seu lugar tenente mais tarde, depois são três náufragos e uma mulher que Iguana faz sua 'esposa' à força (Maru Valdivielso), violando-a sempre que pode, acabando por a engravidar. Esta gravidez terá um grande papel no final do filme.

Pelo meio Iguana rapta o seu antigo comandante (Fabio Testi) que tinha resolvido passar pela ilha na tentativa de o matar. Durante a sua estadia na ilha do Iguana tenta fugir, mas acaba por morrer numa luta com o seu rival. Luta essa que está bem longe dos clássicos espadachins.

Além dos belos cenários, cuja localização não é desvendada na ficha técnica mas calculo que sejam paisagens espanholas, visto que o filme é uma produção do nosso país vizinho, pouco se retira deste «Iguana». As personagens não têm grande profundidade e são algo caricaturais, o argumento muito pobre.

Mas é sempre curioso ver a presença de Michael Madsen, o mesmo que teve uma genial prestação como Mr. Blonde em «Cães Danados», de Quentin Tarantino. E a falar espanhol, pois a cópia que passou no ciclo da Cinemateca dedicado a Monte Hellman é dobrada em castelhano.

Nota: 1/5

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Zero em Comportamento traz Brillante Mendoza a Lisboa

A associação Zero em Comportamento vai organizar em Janeiro de 2010, entre os dias 20 e 23, uma retrospectiva dedicada ao realizador filipino Brillante Mendoza, que tem deixado algumas marcas nos grandes festivais de cinema por onde tem passado e permanece desconhecido em Portugal.

O ciclo dedicado ao cineasta das Filipinas engloba oito longas metragens e segundo a associação é «a mais completa até à data» deste realizador, que se estreou já depois dos seus 40 anos. Além da projecção de filmes de Brillante Mendoza a Zero em Comportamento vai trazer a Lisboa o realizador para apresentar as sessões e conduzir uma masterclass de acesso livre, com a ajuda do seu produtor Ferdinand Lapuz, sobre produção e realização de cinema independente nas Filipinas, destinada a estudantes de cinema e jovens profissionais da área.

Mais informações aqui.

Veneno de Cobra, de Michael Curtiz (1955)

Ao contrário do que pode parecer pelo título em português «Veneno de Cobra» («We're No Angels» no original) não é um filme sobre espécies animais exóticas. Exótico só mesmo o cenário desta comédia de Natal com um humor negro q.b. realizada por Michael Curtiz e que nos faz pensar que as comédias mais simples por vezes são as melhores.

Ambientado na célebre Ilha do Diabo, uma colónia penal de França que seria mais tarde o cenário de «Papillon», de Franklin J. Schaffner, «Veneno de Cobra» segue as desventuras de três criminosos e uma cobra que se evadiram da prisão na véspera de Natal e tentam regressar à pátria amada depois do exílio forçado. O problema é quando por acaso roubam uma carta que tem de ser entregue a um comerciante da colónia e começam a magicar um plano para obter algo em troca.

Esta tripla, interpretada por três grandes actores (Aldo Ray, Peter Ustinov e Humphrey Bogart, este último num registo a que estamos pouco habituados a ver), acaba por se deparar com uma família em apuros a braços com a chegada iminente de um primo, que lhes deu a oportunidade de gerirem o negócio na colónia. E quando o primo descobrir que nem tudo corre bem, temem o pior.

Mas antes da chegada do familiar, há tempo para uma ceia de Natal digna das melhores refeições natalícias, preparada pelos três criminosos e com muitas artimanhas à mistura. Até ao final de «Veneno de Cobra», vamos assistindo às artimanhas dos três criminosos aparentemente arrependidos com muitos diálogos com vários sentidos, o que faz brilhar esta comédia com espírito de Natal.

E recorrendo praticamente a um só cenário, a loja/casa da família Ducotel, esta comédia cumpre o seu papel, com boa disposição garantida, em grande parte pela conjugação da presença de três grandes actores que estão no centro do argumento, escrito por Ranald MacDougall com base numa peça de teatro original de Albert Husson.

Mais tarde em 1989 esta história foi revisitada outra vez por Neil Jordan, no filme «Ninguém é Santo», protagonizado por Robert De Niro, Sean Penn e Demi Moore.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Em Cartaz: 03/12/2009

Actividade Paranormal, de Oren Peli
A Nova Vida do Senhor O'Horten, de Bent Hamer
Coco Chanel e Igor Stravinsky, de Jan Kounen
Planeta 51, de Jorge Blanco e Javier Abad
Terapia para Casais, de Peter Billingsley
Uma Aventura na Casa Assombrada, de Carlos Coelho da Silva