
«I Fought the Law», de Bobby Fuller Four - Banda Sonora de «A Autobiografia de Nicolae Ceausescu», de Andrei Ujica

Início da manhã em Los Angeles e William Foster (Michael Douglas) está preso no trânsito. É aqui que começa um longo dia para este homem aparentemente normal que em breve vai sair do carro, deixando-o no meio de uma enorme fila e com os outros condutores a praguejar. Nesta fase já William está desligado do mundo e parte rumo a casa numa espiral de violência, contra tudo e contra todos, queixando-se dos preços caros praticados por uma loja de um coreano ao café que não lhe serve o pequeno almoço.
Este filme não é uma adaptação de uma autobiografia escrita por Nicolae Ceausescu, o homem que liderou, para o bem e para o mal, o Partido Comunista Romeno (PCR) e os destinos da Roménia entre 1965 e 1989. Até porque tal obra não deverá existir, pelo menos que se conheça. O mais recente filme de Andrei Ujica é um documentário feito apenas e só com imagens de arquivo do antigo ditador romeno, onde podemos acompanhar o período que vai desde a morte de Gheorghiu-Dej, o seu antecessor, até ao julgamento, onde se encontra acompanhado pela sua companheira de sempre Elena, que iria ditar o seu destino final, no dia de Natal de 1989.
Poucos cineastas se podem gabar de ter uma obra tão longa como o chileno Raúl Ruiz, falecido há dias, vítima de cancro. Desde 1963 e até 2010 realizou um total de 112 filmes, entre longas e curtas, ficção e documentário, o último dos quais o extraordinário «Mistérios de Lisboa», uma tarefa de peso cujo resultado esteve à altura do génio de Camilo Castelo Branco. Já em 1999 Raúl Ruiz se tinha voltado para uma outra grande obra, em vários sentidos, da Literatura mundial: «Em Busca do Tempo Perdido», de Marcel Proust.
Durante um dos episódios mais negros da Humanidade (e será possível falar em Humanidade quando se fala em algo como o Holocausto?) um membro do partido Nacional Socialista, o empresário Oskar Schindler (Liam Neeson), conseguiu salvar mais de um milhar de judeus da morte certa, gastando tudo o que tinha ao dispor. Foi esta história que levou Steven Spielberg a realizar um filme em homenagem aos mais de 6 milhões de judeus que morreram nos campos de concentração idealizados pelo regime liderado por Adolf Hitler.
Este é um daqueles filmes deliciosos (o que não é o mesmo que dizer que sejam grande coisa) que só podia ter saído dos anos 1980. Protagonizado por Michael J. Fox, um excelente actor que infelizmente apenas singrou naquela década e durante a década seguinte, por culpa da doença de Parkinson que o afecta, «Lobijovem» narra as aventuras de um jovem que está no liceu e descobre que as estranhas mudanças que estão a ocorrer no seu corpo não resultam da mudança de idade, mas sim do facto de ser um lobisomem.
Tal como Joe Dante, também John Landis foi um dos nomes bastante populares nos anos 1980, mas desde então a sua carreira tem sido meio irregular. E também ele assinou uma das mais interessantes propostas desta primeira temporada de «Masters of Horror». Com o título de «A Mulher Veado», o filme segue a investigação de Dwight Faraday (Brian Benben), um antigo polícia da brigada de homicídios que foi afastado para a unidade de crimes animais, a um conjunto de mortes em que as vítimas aparecem bastante maltratadas. Em comum a todos estes crimes o facto de as vítimas serem todas do sexo masculino, terem sido vistos ao lado de uma mulher extremamente bela e o aparecimento de estranhas pegadas de veado no cenário do crime.